Publicado em 11/01/2012

Grécia acelera privatizações e desemprego vai às alturas. O saco sem fundos da dívida bate recordes e o país pode decretar moratória em breve!

O governo da Grécia, que apesar de todo o arrocho contra o funcionalismo público, os aposentados e trabalhadores em geral, não consegue conter a recessão do país e os níveis recordes de endividamento, está acelerando o desmonte dos serviços e do patrimônio públicos.

O programa de privatização anunciado originalmente para tentar obter e 2 a 4 bilhões de euros em um ano, foi elevado para um total de 50 bilhões de euros, sendo 5,5 de forma mais imediata. O governo grego disse que irá acelerar a venda de participações em alguns de seus ativos mais valiosos, incluindo um banco estatal, um monopólio de apostas do país, seus dois maiores portos e uma empresa de serviços de abastecimento de água na cidade de Salonica.

Paralelamente à destruição pública do país, o desemprego na Grécia passou o ano de 2011 inteiro próximo de 16%, sendo que entre os jovens a recessão fez ainda muito mais estragos: 40,4% das pessoas com idade entre 15 e 24 anos estiveram sem emprego ano passado.

Desde maio de 2010, o país vem implementando uma série de cortes na economia para cumprir um rígido programa de ajuste, em troca de um empréstimo de 110 bilhões de euros concedido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Estes “planos de ajuste” como são chamados os ataques violentos aos direitos, empregos, aposentadorias e salários dos trabalhadores, não ajudaram em nada à economia se recuperar. Pelo contrário, mesmo pagando dívidas, como o PIB do país também despenca por conta da recessão, a relação percentual dívida/PIB segue gigantesca, hoje em torno de 140%.

Após prever que o desemprego cresceria em 2011 para algo como 14,5% e chegaria a 15% em 2012, o governo grego assistiu todas estas suas frias previsões (às quais ele estava preparado e tranquilo se ocorressem, como se não significassem a vida de milhões de pessoas) serem rapidamente ultrapassadas. Últimos levantamentos indicam que o desemprego deva chegar a 20% este ano.

Não por acaso, manifestantes têm se enfrentado constantemente contra policiais, e greves gerais viraram rotina no país. Transportes, serviços públicos, escolas e sistemas de saúde paralisam contra as “inspeções” da União Europeia e do FMI em Atenas para avaliar a economia e impor ainda mais sacrifícios à maioria da população.

Em praticamente dois anos desde o primeiro anúncio de acordo do governo com o FMI, 3 pacotes já foram lançados, cerca de meio trilhão de euros foram despejados para salvar bancos, empresas e as contas públicas, metade da dívida foi anistiada numa evidente e inédita moratória dentro de um país da zona do euro, e absolutamente nada foi resolvido.

O calote, ao que tudo indica, é iminente e deve arrastar centenas de empresas, bancos e fundos de investimento e pensão da Europa inteira. Ou alemães, franceses e nórdicos se tornam mais pobres para tentar recuperar minimamente as economias mais pobres da Europa, num desastre social de proporções históricas, ou o euro deve rachar, no mínimo.

 

 

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