Publicado em 25/02/2010

Crise econômica na Grécia faz trabalhadores saírem às ruas

Os olhos da burguesia mundial estão todos voltados para a Grécia, um país que está à beira da falência, com suas contas totalmente deficitárias, cuja dívida já chega a alarmantes 120% do PIB.

Porém, não são somente os números que preocupam os poderosos. Eles assistem a lutas cada vez mais fortes por toda a Europa, fazendo com que seus projetos de solução para o fim da crise acabem indo por água abaixo.

Atualmente, a Grécia cita como uma das possíveis medidas para a diminuição do déficit no orçamento pedir ajuda ao FMI, ao Banco Mundial, etc. Mas todas essas possibilidades ainda não saíram do papel. Independente disso, o fato é que um país importante para a Europa e a zona do euro está quebrado, e pode arrastar muitos outros atrás de si.

Ataques aos trabalhadores são a saída da burguesia para a crise

Enquanto isso, o que já está sendo aplicado pelo governo grego são os ataques à classe trabalhadora. Congelamento e arrocho salarial, congelamento de pensões, desemprego crescente, inflação, aumento nos impostos; todas essas foram as medidas que o governo grego encontrou para amenizar os impactos da crise que está longe de seu fim, seguindo a lógica de que quem sempre paga pelas crises dos ricos e banqueiros são aqueles que menos têm a ver com elas.

A crise, causada pela especulação e pelo próprio funcionamento anárquico da economia no capitalismo – gera uma amarga conta, que é sempre paga pelos trabalhadores.

Porém, os trabalhadores já demonstram sua revolta nas ruas, organizando manifestações de rua e grandes atos, que se chocam com as políticas adotadas pelo governo de Karolos Papoulias. essas manifestações não são mostradas pela mídia, que prefere passa r aversão de que a crise é resolvida nos gabinetes de políticos e que só estes é que se movimentam e podem apresentar uma alternativa. na vida real, no entanto, as massas estão interferindo cada vez mais.

A burguesia ameaçada pelos trabalhadores

O país já tem um histórico crescente de manifestações radicalizadas, que, mesmo não sendo organizadas, preocupam o governo. Tem se tornado comum ocorrerem manifestações protagonizadas principalmente pela juventude sem perspectiva e revoltada, que incendeia carros, por exemplo, seguindo a tradição que se popularizou em 2005, pelo exemplo da periferia na França. Este método acabou percorrendo toda Europa, englobando também a Grécia, que hoje lidera as manifestações europeias.

Recentemente, no dia 17 de fevereiro, manifestantes explodiram uma bomba em frente ao JP Morgan, em Atenas, já que este é um dos verdadeiros culpados da crise que se arrasta, devastando os países ricos, em maior proporção.

Mas os protestos desorganizados, que não resolvem muita coisa, apesar de demonstrarem a justa insatisfação, não são os únicos a crescerem. Os trabalhadores organizados, em suas diversas categorias, por dentro ou por fora dos sindicatos, estão tomando as ruas e lutando contra os projetos do governo, em manifestações com muito mais chances de êxito, dada a condição de poder paralisar a produção capitalista.

No dia 10 de fevereiro, por exemplo, uma paralisação de 24h foi realizada por diversas categorias, fechando escolas e até mesmo cancelando voos, em resposta aos planos de aumentos de impostos e congelamento de salários.

Os sindicatos estão reivindicando aumento salarial de 5% para o setor público. Milhares de trabalhadores, sendo 5 mil somente de funcionários públicos, foram às ruas empunhando placas dizendo “Nós não pagaremos pela crise”, enquanto se dirigiam ao Parlamento. Eles foram recebidos pela policia com pancadaria, com direito a balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Apesar da dura repressão, os trabalhadores vão continuar sua luta, e uma grande greve foi organizada nessa última quarta-feira, fazendo com que 2,5 milhões de trabalhadores gregos ficassem braços cruzados! Estes números impressionantes mostram o poder da classe trabalhadora e a força do método da greve.

A paralisação teve a adesão de diversas categorias, tanto do setor público, quanto do privado. Professores, profissionais da saúde; trabalhadores do transporte público, da aviação e até mesmo de emissoras de TV, ou de barcos que fazem o transporte entre as ilhas; todo sairam às ruas.

 Esse pode ser o cenário que vamos ver em todos os países, sejam eles ricos ou pobres, em maior ou menor intensidade. As lutas dos trabalhadores serão cada vez mais fortes e necessárias, como única alternativa para nossa classe impedir uma onda de miséria por todos os lados.

Nossa tarefa deve ser a de levar adiante cada luta específica ou econômica, e de ligar todos estes processos a uma mesma luta contra o sistema capitalista, exigindo que os ricos paguem pela crise. É hora de irmos para a ofensiva retomar o que é dos trabalhadores.

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!