Publicado em 19/03/2010

Ilhas Malvinas voltam a ser motivo de conflito entre Argentina e Inglaterra.

A disputa pelas Ilhas Malvinas, que contêm petróleo em suas águas, e foram tomadas da Argentina pela monarquia inglesa, voltou ao cenário político recentemente. As Malvinas, oficialmente, pertencem ao território Britânico, ainda que localizadas próximas à costa argentina, é são reivindicadas por ambos os países.

Voltam a ser pivô de disputa exatamente após o início de prospecção de petróleo na ilha por uma empresa inglesa, a Desire Petroleum. No final de fevereiro, a empresa fez suas primeiras perfurações em sua plataforma “Liz”, o primeiro passo para a retirada de 400 milhões de barris de petróleo, segundo analistas.

Na costa das Ilhas Malvinas, também chamadas de Falklands pelos ingleses, podem existir 17 milhões de barris de petróleo, e ainda 9 milhões de barris de gás natural, segundo relatório do serviço geológico dos Estados Unidos.

Em resposta ao anúncio da extração de petróleo pelos ingleses, o governo argentino decretou que qualquer navio que circule pelas águas do arquipélago, que somam além de duas ilhas principais, ainda outras 700 ilhas menores, precisa de sua autorização.

Um conflito que está longe de ter solução

A região anexada ao território inglês em 1833, nunca teve seu controle reconhecido pelo governo argentino. Ainda em plena ditadura militar, em 1982, este regime organizou uma investida militar que durou dois meses, totalizando 905 mortos, sendo 650 argentinos e 255 ingleses, e terminou com a derrota do país latinoamericano.

Apesar dos protestos da Argentina, a Inglaterra continua irredutível em sua decisão de não abrir negociação sobre o controle das pequenas ilhas, já que isso representa abrir mão de possíveis milhões de dólares em petróleo.

Com os novos fatos, a Argentina quer respostas da comunidade internacional diante dessa afronta contra sua soberania. Por isso, Cristina Kirchner desde agora exige um posicionamento e a intervenção da ONU no conflito. É claro que esta posição, assim como a guerra dos militares em 1982, só existe para tirar a atenção dos graves problemas econômicos que vive o país, e para recuperar a imagem muito abalada de Cristina.

Os argentinos não cogitam entrar em conflito aberto com os ingleses, principalmente por ter na memória os conflitos anteriores, que mataram centenas de trabalhadores argentinos; tudo com um pretexto nacionalista de retomada do território.

Os revolucionários sempre estarão contra o imperialismo

Durante os conflitos de 1982, a esquerda em sua totalidade passou por uma dura prova: a de se posicionar corretamente em relação ao conturbado conflito. De um lado, uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina, que foi responsável pela morte de milhares de trabalhadores que lutavam contra o governo ditatorial de  Leopoldo Galtieri; do outro lado, os ingleses, representantes da democracia burguesa clássica, com todos os direitos formalmente adquiridos por seus cidadãos, mas representando o imperialismo.

Muitas organizações da esquerda acabaram ficando do lado dos ingleses, pelo aspecto de "democracia" X "ditadura"; mas os revolucionários não veem a luta de classe dessa maneira, dividindo o papel que cada país cumpre em democráticos e anti-democráticos, mas sim entre os países imperialistas e coloniais. Nesse caso, a Inglaterra sendo esse país que espolia diversos outros países, e a Argentina o país subjugado.

Por isso, nessa situação, a posição correta era a luta contra a Inglaterra e o imperialismo, mesmo que o combate à ditadura devesse andar lado a lado com esta luta.

Na situação atual, que pode se tornar parecida, desde já nos posicionamos junto dos trabalhadores argentinos e de sua soberania sobre os recursos de seu território. Assim como pela imediata reanexação das ilhas Malvinas e do restante do arquipélago.

Em caso de conflito, os trabalhadores ingleses não devem ser usados para fins imperialistas, onde somente os milionários donos das petrolíferas têm a ganhar, e devem boicotar as iniciativas militaristas e se mobilizar em seu país contra a ofensiva, pelo derrotismo revolucionário e em solidariedade com a luta argentina.

 

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