Onda de protestos incendeia a luta de classes no Haiti e põe o governo na parede!
Desde o dia 03/04 o Haiti vem enfrentando uma série de tumultos. As principais cidades envolvidas são: a capital, Porto Príncipe, Les Cayes (ao sul) e Gonaives (ao norte). O motivo dos protestos seria o aumento no custo de vida, principalmente dos alimentos como arroz e leite. Em um país onde 80% da população vive abaixo da linha da miséria e mais da metade está desempregada, motivo para protestar é o que não falta.
A ira dos manifestantes está dirigida principalmente contra o governo do presidente René Préval. Uma marcha com mais de mil pessoas foi organizada em direção ao Palácio do Planalto em 08/04, arrancando bandeiras comemorativas da sede presidencial e sendo contida pelos militares das “Forças de Paz” da ONU, a Minustah (tropa brasileira). Até agora, já são 5 pessoas mortas como resultado da repressão aos protestos em todo o país.
Primeiramente, precisamos lembrar que essas “Forças de Paz” nada mais são do que exércitos de ocupação, que em nada diferem das tropas americanas no Iraque/Afeganistão. Desde que se iniciou a ocupação do Haiti - em abril de 2004 - foram diversas as denúncias de haitianos contra os abusos da polícia da ONU: desde violência desmedida até abusos sexuais. É fácil para uma polícia bem armada e que possui o aval das grandes potências imperialistas ocupar um país e cometer abusos contra uma população miserável e desarmada.
A população, que levantou como uma das principais bandeiras “Temos Fome”, entende esse papel da força de ocupação e a enfrenta, já tendo queimado alguns de seus carros e um centro de multimídia.
Alguns caminhões que transportavam alimentos foram saqueados, barricadas com pneus queimados vêm sendo armadas e lojas, armazéns e veículos tiveram seus vidros quebrados por manifestantes, para se ter uma idéia do grau de instabilidade que o Haiti vive. Porém, diante de toda essa situação, o presidente do país sequer se manifestou, e o Presidente da Câmara do Comércio - Jean Roberd Arguand - simplesmente disse “entendemos que o povo tem fome, mas não é assim que vamos resolver os problemas”. Ou seja, o governo sabe que o preço dos alimentos sobe, que a população está desempregada e passa fome, e não faz absolutamente nada para resolver essa situação, mas quer que a população reaja de modo diferente. Como? Desde quando a classe trabalhadora obtém alguma conquista sem que seja lutando, nas ruas, contra os responsáveis por sua situação de calamidade?
É por isso que o Movimento Revolucionário se coloca incondicionalmente ao lado dos trabalhadores haitianos, que como se não bastasse a miséria e o desemprego, ainda têm de aturar militares do mundo inteiro ocupando o seu país e abusando do seu poder de polícia contra a população. As tropas de ocupação da ONU, que têm o apoio de Lula e contam com militares brasileiros, devem se retirar imediatamente do Haiti e deixar que os haitianos reconstruam o seu país.
Porém, a única alternativa que vemos para que o Haiti deixe de ser o país mais miserável da América Latina, como é hoje, é através de uma revolução. Uma revolução socialista que derrube o presidente René Préval e destrua toda a sua estrutura de governo, estabelecendo um governo sob o controle dos trabalhadores, organizando sua economia de acordo com as suas necessidades, dando emprego, saúde e educação a todos.
Mas, de imediato, as primeiras medidas a serem tomadas são a expulsão da Minustah e a derrubada de René Préval e toda a sua corja, situação e oposição de mentirinha, pois todos que jogam do mesmo lado. Esse é apenas o primeiro passo a ser dado rumo a uma nova sociedade, não a que a ONU quer - uma nova semicolônia - e sim uma sociedade onde todos trabalhem, onde todos produzam e possam usufruir a riqueza produzida.