Haiti: tropas de ocupação lideradas pelo Brasil aterrorizam a população, mas a resistência do povo contra o imperialismo se fortalece.
Estudantes, trabalhadores e movimentos sociais mais uma vez foram às ruas lutar contra o governo, no Haiti, desta vez para exigir que o governo implante a lei aprovada em abril pelo Congresso Nacional do Haiti, de reajuste salarial de US$ 1,7 por dia para cerca de US$ 4 ( R$ 7,80) por dia. A aprovação da lei de reajuste salarial se deu somente por causa das grandes mobilizações de lutas da classe trabalhadora haitiana, que obrigou a Câmara dos Deputados e o Senado a aprovarem a lei, que agora deve ser barrada pelo governo.
Vários estudantes das universidades haitianas organizaram manifestações sobre as ruas da capital, e neste momento esta luta segue se dando, apesar da violência das tropas armadas do exército contra a população. A Minustah ( força de ocupação do Haiti, subordinada à ONU) disparou tiros e jogou muitas bombas de gás sobre os manifestantes, resultando em mortes brutais, como a de um estudante que foi atingido com um tiro na cabeça e a de uma criança que morreu sufocada pelo gás das bombas que eram atiradas todos os dias nas ruas, para coagir a população.
O governo de René Preval conta com o papel armado de tropas brasileiras e de muitos outros países, presentes no Haiti com o propósito de impedir a luta e a resistência dos trabalhadores. Só na atual jornada de lutas, as tropas de ocupação prenderam 40 manifestantes, e não permitiram visita de familiares aos presos, que foram soltos dias depois sem nenhuma justificativa da polícia pelo tempo de prisão.
Como se tudo isso não bastasse, a repressão da Minustah chegou ao ponto de terem jogado gás lacrimogêneo até mesmo no Hospital da Universidade Estadual do Haiti (hospital que atente à população mais pobre). Neste ataque, um idoso acabou morrendo sufocado. As tropas lideradas pelo Brasil ainda invadiram duas faculdades da UEH: a Faculdade de Etnologia e a Faculdade de Ciências Humanas (FASCH).
EUA no Iraque e Lula no Haiti
O exército imperialista da ONU, neste caso comandado pelo Brasil, e disfarçado de força humanitária, desde 2004 vem promovendo um massacre contra o povo do Haiti. A diferença é que agora a resistência vem crescendo e adotando métodos de luta clássicos da luta operária e popular, como as greves, manifestações de massa e constituição de organismos de preparação dessas lutas.
Devemos apoiar com todas nossas forças essa resistência, e tomar como exemplo a luta desse povo altamente empobrecido, desarmado e agredido, contra o imperialismo. Esta força popular é particularmente importante neste momento em que crescem as lutas dos trabalhadores e estudantes por todo o mundo, devido à ofensiva da burguesia contra salários e direitos, a fim de salvar seus lucros da profunda crise e decadência do sistema capitalista.
Fora já Lula do Haiti!
Dos 7mil soldados da Minustah, 1.200 são soldados brasileiros enviados pelo governo Lula ao Haiti. Diferente do discurso usado por Lula e seus amigos imperialistas, de que as tropas do exército são humanitárias para estabelecer a paz, é a guerra que as tropas de ocupação mantêm. Dezenas de soldados já foram acusados de estupros repetidos no Haiti, além de execuções de trabalhadores e intimidações a sindicatos, ativistas e estudantes.
Lula se esforça tanto em defender o governo haitiano e o capitalismo, e em impedir a luta popular, porque quer ganhar o reconhecimento dos Estados Unidos, e uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Para isso, Lula não mede esforços e faz o trabalho sujo de Bush e agora Obama, que não podem entrar diretamente no conflito devido ao desgaste do Iraque.
Temos que exigir FORA JÁ LULA DO HAITI, além de apoiar todas as lutas dos trabalhadores para combater e destituir o governo fantoche e cúmplice da ocupação no Haiti. Esta luta deve unificar os esforços de todos os lutadores nos dois países, e em todo o continente, sob a bandeira do socialismo e por um governo soberano, livre e dos trabalhadores.
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