Publicado em 23/01/2010

Dá com uma mão e tira com outra! Lula e Obama ajudam os haitianos hoje para superexplorar amanhã

Apesar do envio de tropas, supostamente para “reconstruir” o Haiti, e a garantia das mínimas condições para a população do país, terem sido atrasados e insuficientes, com o caos e o desespero por todos os lados, Lula e Obama acabaram sendo vistos como presidentes que deram soluções enérgicas para os problemas surgidos com a catástrofe.

Grande parte desse sentimento foi trazido pelas informações de que, graças às tropas enviadas por Obama, o grande número de saques aos escombros e aos poucos pertences da população cessou. Esta é uma grande mentira, a serviço da justificativa da chegada dos militares norte-americanos.

O problema da violência segue crescendo, e está inviabilizando a própria distribuição da ajuda chegada de outros países, por meio da solidariedade dos trabalhadores.

Obama pôs à disposição 100 milhões de dólares para ajudar na “reconstrução” do país, e Lula doará 15 milhões de reais, enviando também mantimentos. Esses valores não são nada perto do tanto que essa população foi roubada durante vários séculos, e do que precisa imediatamente. É um valor ridículo e uma afronta, perto do que os governos, mesmo em época de estabilidade econômica, costumam dar de mão beijada a empresários já milionários, para aumentarem ainda mais suas fortunas.

Obama e Lula, mesmo assim, tentam parecer filantropos, como se estivessem fazendo um favor àqueles que há quase 10 anos têm seu território ocupado por estes 2 países, sem direito de governarem a si mesmos.

A liderança brasileira da Minustah, o braço da ONU para estabilização política do Haiti, é uma mancha permanente sobre os brasileiros, pois acoberta o saque ao Haiti, sem que os EUA tenham de dar as caras. Brasil e EUA, por meio de suas burguesias e governos, têm interesses em que o governo brasileiro se mantenha como líder da ocupação.

Para Lula, o governo brasileiro cumpre seu dever com seu chefe - o imperialismo norte-americano – e, com isso, fica mais perto de uma cadeira no conselho de segurança da ONU, eterna obsessão de Lula. Para Obama e os EUA, eles se livram te terem que enviar os soldados de seu país, assim podendo dar mais importância às ocupações no Oriente Médio e região; zonas onde os interesses econômicos são maiores, em função das reservas de petróleo encontradas nesses países. O miserável Haiti, onde não existem grandes riquezas naturais energéticas, pode ficar apenas sob observação americana, com o trabalho sujo a cargo do Brasil.

Lula, como testa de ferro de Obama, foi incumbido de fazer do Haiti um país “estável”, com uma razoável tranquilidade, a fim de que possam instalar fábricas na região. A estabilidade almejada, portanto, não é social, com mais empregos, por exemplo; e sim política, para acabar com a oposição e garantir a exploração silenciosa da mão de obra, uma das mais baratas do mundo.

A realidade de miséria do país mais pobre das Américas, onde 80% da população vivem com menos de um dólar por dia, faz com que o trabalho, por mais miserável que seja seu salário, seja considerado um privilégio.

“Novo Haiti”: paraíso das maquiladoras

O grande plano imperialista é investir no país construindo centros industriais de grandes empresas. E já existem exemplos disso no Haiti. As calças jeans Levis, conhecidas no mundo todo, são produzidas por lá, com trabalhadores submetidos à jornada de 12 horas por dia e nenhum direito trabalhista.

Lula também prepara o terreno para que alguns burgueses daqui, como José de Alencar, um magnata da indústria têxtil, dono da Coteminas, possa se instalar no país. O tecido continuaria a ser produzido pelas indústrias brasileiras, a confecção das roupas seriam por conta dos trabalhadores haitianos e o mercado final é os EUA, já que os países caribenhos participam de tratado de livre comércio (TLC). Significa que a taxa para exportar para os EUA é zero.

Assim, a grande função do Haiti é a de baratear os gastos, para aumentar o lucro de nosso vice-presidente e outros burgueses que pretendiam se instalar no país. Esse lucro é obtido com a superexploração dos haitianos. Por exemplo, uma costureira na capital Porto Príncipe recebe US$ 0,50 por hora. É uma remuneração inferior aos US$ 3,27 pagos no Brasil e muito abaixo dos US$ 16,92 dos EUA.

A burguesia, para justificar o investimento no país, usa sempre o argumento de que o Haiti tem alto índice de desemprego, e, instalando suas fábricas no país, estará o ajudando a reerguê-lo. Mas isso não passa de uma grande mentira, já que o grande fim é somente aumentar sua taxa de lucro. Se o pensamento fosse o de trazer maiores benefícios aos haitianos, os países teriam se organizado muito antes para devolver o dinheiro que por décadas foi roubado daquele povo, primeiro pelos franceses, depois pelos norte-americanos.

Por causa do incidente vivido pelo povo haitiano, todos os projetos acabaram sendo adiados, e agora o imperialismo liderado por Obama tem grande interesse de trazer as condições mínimas à população para a retomada de seus planos altamente lucrativos. Porém, essa reconstrução que se promete à população já demonstra que vai ser muito lenta e gradual, pois o que se discute é organizar um fundo de 10 bilhões de dólares, em cinco anos.

Novamente falam em valores miseráveis, ainda mais por que se trata de um país inteiro com milhões de pessoas que precisa de recursos para sair do colapso.

A reconstrução do Haiti é para dar condições de que se possam instalar fábricas estrangeiras no país, enquanto a população vai seguir pobre, analfabeta, e sem nenhum recurso – pois a “atração” às fábricas é que não paguem impostos.

Por isso, apesar de surgir a ideia de um novo Haiti, se depender do imperialismo, isso só ficara na ideia, enquanto que a mesma realidade nefasta é que será reerguida.

Por isso, os haitianos e os trabalhadores do mundo todo devem estar conscientes do papel que o imperialismo e a burguesia cumpriram e cumpre para que o Haiti tenha chegado ao estado de degradação em que se encontra. A “ajuda” de hoje não é nada, e é usada cinicamente para manter tudo como sempre esteve.

A única solução, para trazer benefício a toda população, é, desde agora, que os trabalhadores determinem como será feita a reconstrução do país. A partir disso, construir os organismos dos trabalhadores para uma luta direta contra aqueles que hoje estão dentro do país como salvadores, e que logo se tornarão o exército da exploração, como ocorria antes com o exército de capacete azul liderado por Lula.

 

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