Demora na ajuda para o Haiti anuncia um tormento que irá se estender
Passadas mais de 2 semanas da maior tragédia natural que o Haiti já viveu, as necessidades da população continuam longe do (já precário) patamar que se encontrava antes. Os mortos continuam espalhados pelas ruas, levando um cheiro insuportável pelo ar; a comida e água continuam escassas; um teto para se abrigar é considerado artigo de luxo; e mesmo a assistência médica é raridade.
Passado tanto tempo do terremoto, as chances de encontrar pessoas vivas sob os escombros torna-se uma idéia remota, ainda que tenham existido casos excepcionais. Mesmo assim, diversos haitianos continuam se arriscando tentando salvar vidas, e, o que é bem pior, milhares de pessoas ainda podem morrer, devido ao abandono e exploração do país.
Até agora, já foram enterrados cerca de 75 mil pessoas em valas comuns, e as estimativas de vítimas fatais ultrapassam as expectativas iniciais. Anteriormente as autoridades haitianas estimavam o número de mortos em 50 e 100 mil mortos, e hoje esse número saltou para entre 150 a 200 mil - sem contar as pessoas que estão correndo graves riscos de pegar inúmeras doenças e que, com o decorrer do tempo, também irão morrer se não tiverem acesso à assistência médica.
Diversas autoridades médicas já declararam que o Haiti, após passar pelo maior desastre natural dos últimos 200 anos, agora está às vésperas de passar pelo mais grave desastre médico que já viveu. Há diversos sobreviventes que estão com grandes chances de contrair tétano ou ter gangrena e terem seus membros amputados. É comum encontrar pessoas com feridas abertas vagando pelas cidades, com fraturas, e em condições que exigiriam o repouso e tratamento imediato. Mas as condições de tratamento no Haiti ainda são irrisórias. Estima-se que existem 13 hospitais em funcionamento, porém as condições são tão precárias que existem relatos de pessoas que tiveram pernas amputadas com serrotes, e em "operações" tão mal feitas que levaram à morte logo depois!
A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou recentemente que estará enviando suprimentos médicos emergenciais para atender cerca de 120 mil pacientes, mas isso não é o suficiente, e na verdade, é uma medida tardia.
Doenças infecto-contagiosas, como sarampo e tifo, poderão se alastrar com facilidade em toda a população, e outras milhares irão morrer dessas doenças.
Há um desastre médico no Haiti e o imperialismo claramente está dando de ombros a isso tudo, preocupado em dividir a colonização do Haiti "reconstruído".
O descaso, mesmo com todos acontecimentos, continuam.
A demora que o imperialismo teve em enviar suprimentos ao Haiti é responsável agora por essa situação onde a saúde de milhões de pessoas está ameaçada. Quantas pernas acabarão sendo arrancadas por falta de curativos; quantas pessoas morreram de tanto perder sangue nas calçadas de Porto Príncipe? Dezenas de milhares!
Tudo isso poderia ter sido evitado. Os EUA, vizinho do Haiti, não avisaram do risco de um grande terremoto que estava por vir, e os sismógrafos situados em solo norteamericano denunciaram os tremores com antecedência. Além disso, os EUA negligenciaram toda uma população, não mandando médicos e equipes de resgate logo nos primeiros dias. Somente após mais de 10 dias os EUA enviaram ao Haiti o navio-hospital USNS Comfort, que, desde o início estava ocioso, e que é pago pelo dinheiro dos trabalhadores dos EUA somente para esse tipo de ocasião.
Os EUA não só não fizeram nada pela vida dos trabalhadores, como ainda impediram que a ajuda chegasse com mais agilidade. Os portos e aeroportos estão sob comando dos Estados Unidos, e tudo aquilo que entra e sai do país somente pode transitar com a autorização dos norte-americanos. A organização internacional Médicos sem Fronteira denunciou que um avião cargueiro com um carregamento de 12 toneladas de suprimentos médicos, por exemplo, foi inicialmente impedido de descarregar no aeroporto de Porto Príncipe. Na ocasião, 5 pacientes morreram, pois necessitavam do conteúdo do carregamento - sem contar as pessoas que poderiam ter sido atendidas e salvas fazendo uso desses materiais. E assim existem dezenas de casos.
Mesmo com o contingente de tropas da ONU já sendo de 9 mil soldados, nesta semana foi autorizado o envio de um reforço de 3500 soldados e policiais, ainda contando com 12 mil soldados comandados por Obama. Todos esses reforços, porém, não estão no país para salvar vidas, e sim manter os sobreviventes sob a mira de fuzis caso resolvam protestar ou tomar a comida e bens que estão apodrecendo em supermercados e depósitos privados.
A ajuda, apesar de muito prometida, continua sendo insignificante perto da necessidade de tão grande população desesperada. A verdade é que o capitalismo provou que mata, e deixa morrer!
VOLTAR |