Haiti destruído: do barro que se come, às casas destroçadas que terão que ser reerguidas
Nas ruas de Porto Príncipe, o caos está instaurado definitivamente. Em suas estreitas ruas, onde a miséria já era latente, agora há uma realidade ainda mais dura. Os abalos sísmicos chacoalharam a pouca estrutura que existe nesse pobre país. Um forte tremor, chegando a mais de 7 pontos na escala Richter, fez o país caribenho cair aos escombros, e a população pobre, que já está “acostumada” à vida em meio à desgraça, agora coleciona mais uma, ainda maior.
A capital do país possui cerca de 4 milhões de habitantes, contando com seus arredores. Porém, mesmo sendo a maior cidade, não possui infraestrutura adequada para nada; nem para o cotidiano, quanto mais para dar resposta a uma catástrofe dessa magnitude.
O epicentro dos tremores aconteceu a poucos quilômetros da capital - calcula-se que em torno de apenas 15 km. E, ainda por cima, além da proximidade da cidade, o terremoto ocorreu próximo à superfície, fazendo com que a energia liberada pelas faixas de terra que se atritavam fosse dissipada diretamente no solo.
A cidade foi demolida e está embaixo de escombros. Há pessoas vagando de um lado para outro, buscando informações sobre parentes e amigos, que não são dadas. Equipe de resgate é algo inexistente, e, mesmo se houvesse, seriam insignificantes diante de tantas pessoas a serem socorridas ao mesmo tempo. Procurar por um hospital é inútil, pois já existiam poucos, em número pífio perto da demanda, e agora os poucos que existiam foram abaixo, como os demais prédios.
A devastação só não foi maior porque, devido à falta de recursos financeiros no país, as construções são muito baixas: os prédios considerados altos são de no máximo 4 ou 5 andares.
O número de mortos ainda é uma incógnita. Agravado pela falta de comunicação em que o país se encontra, fica ainda mais difícil de averiguar. Segundo René Préval, o presidente haitiano, um dos sobreviventes do ocorrido, declarou às redes de TV, seriam entre 30 a 50 mil mortos. Porém, segundo o primeiro-ministro, o número pode ser superior aos 100 mil mortos! Diante de todas as dificuldades que a região se encontra, é impossível haver uma precisão nesse momento, pis nem mesmo se conseguiu remover os escombros em busca de pessoas que demonstram sinal de vida, e quem precisa de socorros segue morrendo.
Independente do resultado final, já é uma das piores tragédias recentes do mundo inteiro. Para se ter uma idéia da força devastadora do ocorrido, em relação ao número de mortos: se levarmos em consideração que morreram 50 mil pessoas no desastre, para um país que possui 9 milhões de habitantes, e se fizermos um paralelo com a população brasileira estimada em mais de 180 milhões; para chegar à mesma proporção dos mortos no Haiti, teriam que morrer mais de 1 milhão de pessoas no Brasil! É como se todos que moram em uma capital média morressem de uma hora para a outra.
Vários brasileiros participantes da missão de ocupação da ONU, chamada de “humanitária”, acabaram falecendo, já sendo confirmadas as mortes de 14 soldados, e uma civil, Zilda Arns, a fundadora da Pastoral da Criança. E essa lista tende a aumentar. Até mesmo a embaixada da ONU veio abaixo, levando algum dos seus servidores a óbito.
Nenhum setor da sociedade haitiana deixou de ser atingido pela catástrofe, e até mesmo o presidente do Senado e sua esposa acabaram mortos sob os destroços. Mas, se o tremor não distinguiu classe social, o socorro distingue. Enquanto os ricos ainda têm a posibilidade de fugir para a vizinha República Dominicana, e os estrangeiros estão sendo resgatados por seus governos, os pobres do Haiti seguem morrendo, de fraturas e hemorragias não tratadas, de fome e de sede, e não têm direito nem mesmo à identificação de seus corpos, atirados em valas comum, como se fossem lixo.
Essa catástrofe poderia ter sido evitada
O capitalismo, com seus avanços tecnológicos, permite que se entenda melhor tudo o que acontece na Terra, inclusive para prever, maremotos, furacões, tempestades, erupções vulcânicas e terremotos. Os terremotos, por exemplo, não acontecem de uma hora para outra. A terra se move constantemente, havendo picos nessas movimentações, e, antes que haja um desses picos extremos, várias movimentações ocorrem num crescendo. Tanto que, após o tremor mais forte, houve outros três terremotos acima dos 5 pontos na escala Richter e dezenas de outros tremores mais fracos.
Esse tipo de tecnologia, no entanto, não está acessível à população haitiana, demonstrando a total vulnerabilidade dos mais pobres a mais esse tipo de tragédia, além das tragédias sociais do cotidiano.
Os capacetes azuis da ONU, através da Minustah, sob comando do governo Lula, seriam os responsáveis por colocar ordem no país, mas, a mando do imperialismo norteamericano, só fazem piorar ainda mais essa realidade. As tropas estão no país para “humanizar” a realidade da população da mesma maneira que a policia "humaniza" aqui no Brasil: atirando antes e perguntando depois.
O dinheiro servirá para levantar paredes, mas não para mudar a realidade dos haitianos
Até agora, a perspectiva não é nada boa. Mesmo tendo ocorrido uma comoção mundial, e vários presidentes demonstrando sua solidariedade com o povo haitiano, e anunciando suas doações, a morte segue por todo lado. Lula, Ângela Merkel (Alemanha), Obama e Hillary Clinton (EUA); todos já avisaram que estarão mandando recursos nos próximos dias. Até mesmo o FMI e o Banco Mundial já fizeram suas promessas. Mas as quantias que se dispõem a enviar, após exercerem a exploração até o sangue dos haitianos, é irrisória.
A União Europeia anunciou que enviará 3 milhões de euros (4,36 milhões de dólares). Hillary e Obama declararam o envio de 100 milhões de dólares, e também se dispuseram a comandar a retomada do trafego aéreo na região. O Banco Mundial se comprometeu com 100 milhões de dólares. Lula como bom amigo dos haitianos declarou o envio de 15 milhões dólares e 21 toneladas em mantimentos. Parece muito?
Lula por exemplo, somente no mês de dezembro, já gastou mais de US$ 18 milhões com uma série de propagandas publicitárias veiculadas na TV, veiculando o "Brasil do futuro", claramente fazendo campanha eleitoral. Para o Haiti, ocupado por suas tropas, faminto e arrasado, Lula prometeu US$ 15 milhões (e ninguém sabe se vai cumprir).
Mesmo os US$ 100 milhões dos EUA, depois de se gastar trilhões com a criuse econômica, é uma esmola.
Para a burguesia, não houve e não haverá pior abalo sísmico do que o terremoto que ocorreu em sua economia em 2008 e 2009. Essa catástrofe, sim, foi digna de comoção mundial dos patrões, fazendo com que Obama abrisse a mão para salvar a parcela que mais o interessa da população.
Os banqueiros espirram e o presidente dos EUA já concede a eles bilhões de dólares. Obama, para salvar os grandes empresários dos EUA, deu àqueles que já eram ricos, 400 bilhões de dólares! Nenhuma quantidade de dólares que Obama se disponha a enviar ao Haiti chegará próximo disso.
Infelizmente, mais uma vez, o que no capitalismo tem a oferecer à humanidade é isso: cenas de barbárie, destruição e caos, sem nenhuma maneira de compensar os efeitos de que ele mesmo é culpado.
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