HAMAS e FATAH discutem novo governo:
É preciso seguir lutando, e derrotar o acordo com os traidores e o imperialismo
Em todos os últimos enfrentamentos entre a população da Faixa de Gaza e o Estado de Israel, um fato, determinante, chama atenção: a ausência de uma direção coerente para a luta do povo palestino.
Ao mesmo tempo em que as massas resistem heroicamente contra sucessivas ofensivas de Israel, os grupos que representam essa luta, como o Hamas, mostram seus limites. Isso para não falar do Fatah, que já passou completamente para o lado dos inimigos e agressores dos palestinos.
Ainda que os militantes do Hamas sejam muito combativos, corajosos e anti-israelenses, essa organização é incapaz de levar a luta dos palestinos até a vitória, pois não defende o combate contra o conjunto do imperialismo e capitalismo, e não discutem a construção de um outro tipo de sociedade, que acabe com a exploração, a injustiça e a pobreza, de caráter socialista.
Esse conteúdo religioso e, ao mesmo tempo, reformista capitalista do Hamas, está se aprofundando nesse momento, quando discutem com o Fatah uma reunificação e a formação de um governo de unidade nacional. O preço a pagar, pelo Hamas, por esta “unidade”, será se ajoelhar diante de quem traiu o povo palestino, e ter que imitar seu gesto, inclusive aceitando a existência de Israel, que é a origem e fonte permanente da guerra sem fim que agride os trabalhadores da Palestina.
O Fatah, que dirige a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e sempre teve uma postura vacilante e covarde diante de Israel, só “governa” a Cisjordânia porque deu um golpe, apoiado e financiado pelos Estados Unidos e por Israel. O Fatah fez coro com a comunidade internacional e o imperialismo quando o Hamas não foi reconhecido depois de ser eleito pelas massas nas eleições de 2006, e desde lá vem conspirando com o imperialismo e o sionismo para tentar destruir a intifada palestina e o Hamas que, apesar de seus limites e natureza capitalista, expressa o sentimento de ódio e luta do povo oprimido palestino.
Depois das eleições de 2006, e diante de um golpe “branco” do Fatah, que retirou poder do 1º-ministro recém eleito do Hamas, se formou um governo de conciliação entre Fatah e Hamas, que acabou capitulando e aceitando a redução do poder que deveria ter, em nome da “unidade”. Mesmo assim, isso não deu certo e o Fatah acabou aplicando, com Israel, um novo golpe, que utilizou as armas do bloqueio financeiro e extermínio de militantes do Hamas, para jogar a população contra esse grupo, enquanto o Fatah ganhava parabéns dos invasores e tinha prisioneiros libertados.
Corretamente, e em bem menor escala do que deveria, o Hamas reagiu e combateu os traidores do Fatah, assumindo o controle de Gaza em 2007 e expulsando os agentes pró-sionistas do Fatah dessa região. No entanto, agora, depois de tudo isso, o Hamas pode estar aceitando, novamente, compor um governo com o vendido e golpista Fatah.
Os limites das lideranças da luta palestina
Para se ter idéia, uma das condições impostas pelo Fatah nas atuais discussões tem a ver com o comprometimento por parte das organizações palestinas em aceitar os acordos de paz impostos por Israel, que segue com o cerco sobre Gaza. Isso quer dizer obrigar o Hamas a seguir a traição já feita pelo Fatah. Segundo o Hamas, não é possível se comprometer, mas prometem respeitar os acordos, o que já é um escândalo, visto que os acordos de paz fortalecem o poderio de Israel e enfraquecem qualquer instrumento de resistência dos palestinos. É como se o Hamas dissesse: “Sigo sem reconhecer Israel, mas prometo respeitar todos os acordos feitos com este país”. Isso seria uma palhaçada, se não fosse uma hipocrisia e uma vergonha.
Quando dois grupos rivais discutem uma unificação, ainda que sob um governo apenas, é óbvio que um deles abandonará seu programa para aderir ao do outro. É exatamente isso que está fazendo o Hamas. A concretização desse acordo significará um duro golpe contra o povo palestino, que vem resistindo heroicamente contra os genocídios de Israel e do imperialismo e que necessita de uma direção mais combativa e consequente que o Hamas.
Só o fato de existir a hipótese da formação de um governo de conciliação, mostra todos o limite do Hamas, que tem em seu programa a luta contra o Estado de Israel, mas sem questionar a origem do caráter semi-nazista desse Estado, que é a própria essência do sistema capitalista.
Mais do que nunca, os palestinos precisam de uma alternativa de direção, que lute não só pela destruição do Estado de Israel, mas também pela Revolução e a construção de uma palestina laica, não racista e socialista, onde judeus e palestinos vivam em paz e sem miséria.
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