Haiti: Um país que sofre... Agora com a cólera
O Haiti mais uma vez sofre, agora com um surto de cólera generalizado. Depois de um terremoto que destruiu toda a já pobre estrutura do país.
Como consequência do desastre pessoas convivem no meio de esgotos e expostos a todo tipo de riscos, pois não existe limpeza sanitária no país. As doenças se proliferam. Mais de 1000 pessoas morreram de cólera e mais de 14.600 hospitalizadas desde que o surto começou há mais de 4 semanas. A tendência é piorar, pois existem cerca de 2 milhões de desabrigados espalhados pelas favelas.
O estado e o governo se vêem incapazes de garantir o controle da doença que já atinge seis das dez províncias do país.
A previsão das Nações Unidas é que até 200.000 haitianos podem contrair cólera com o surto que afeta o país de quase 10 milhões de habitantes. Estes números são apenas estimativas, por que o governo tem nem mesmo um controle dos casos ocorridos. Muitos morrem sem receber atendimento, indo para vala comum como a anos acontece no país.
O Haiti é o país mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 50,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 51 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Nem mesmo os dólares que o Imperialismo investe com a sua dominação são capazes de solucionar os problemas do Haiti. Para o terremoto foram enviados alguns milhões e agora se prevê uma ajuda de U$200 milhões. Se comparando com os gastos com a guerra de ocupação, e principalmente, com os lucros que o imperialismo obtem com a superexploração do páis, estes valores são migalhas.
As mortes de trabalhadores no Haiti não representam nada ao imperialismo, apenas fingem se preocupar para não colocar a opinião dos trabalhadores de outros países contra as atitudes da ONU e dos países que ocupam o país caribenho.
O país está nessa situação após anos de dívidas impagáveis e de estado de sítio promovido pelo imperialismo, que hoje se diz preocupado com a situação do país majoritariamente negro.
Tudo isso sob domínio dos capacetes azuis
A anos as forças de “paz” da ONU a Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti) propagandeiam o sucesso de suas operações no país. O governo de Lula no Brasil foi um dos que mais contribuiu com o envio de militares ao Haiti, porém a realidade trás a prova para que serviram estes anos de dominação sobre um país e um povo.
Antes do terremoto a população já sofria com o terror de viverem vigiados pelos capacetes azuis, a tropa de ocupação da ONU. Homens muito bem armados que espalham terror sobre a população pobre do Haiti, onde constantemente invadem casas de trabalhadores e matam indiscriminadamente.
Após a tragédia que destruiu o país se acentuou ainda mais a inutilidade das tropas da ONU e do imperialismo onde o único objetivo de estarem presentes no páis é tentar controlar a revolta da população inserida em uma situação ainda pior de miséria, descaso, enfrentando o que de pior o capitalismo pode oferecer.
Com o surto de cólera a situação cria um clima de instabilidade ainda mais agravado. Dois homens morreram na segunda-feira (15/11) na região norte do Haiti após confrontos entre capacetes azuis e manifestantes que protestavam contra a epidemia de cólera no país, enquanto a força da ONU anunciou que seus oficiais atiraram em legítima defesa. Após incidente o corpo de um jovem de 20 anos foi encontrado diante de uma base da Minustah em Quartier-Morin, uma cidade de Cap Haitien. A base foi o cenário dos confrontos de segunda-feira entre os manifestantes e soldados.
Solidariedade ao povo Haitiano! Fora Imperialismo!
A solidariedade com os trabalhadores Haitianos deve ser permanente, pois somente com a sua própria força e com a solidariedade de trabalhadores de outros países que podem vir as verdadeiras ajudas.
É necessário que as organizações de trabalhadores façam arrecadações financeiras, assim como foi feito quando aconteceu o terremoto. Mas, além disso, a maior contribuição é a solidariedade da luta. No Brasil é necessário exigir que Lula e, agora, Dilma, retirem imediatamente todos os soldados Brasileiros do país, e os substituam por engenheiros, médicos e técnicos de diversas áreas do conhecimento para a reconstrução do país.
É necessário que os próprios Haitianos reconstruam seu país através de suas organizações populares que devem ser organizadas.
VOLTAR |