Eleição em Honduras
Depois de alguns meses de incertezas em Honduras, após o golpe que tirou Manuel Zelaya da presidência do país, a saída encontrada pelos golpistas foi empurrar toda insatisfação da população com o golpe militar para uma nova eleição, recentemente ocorrida.
Zelaya, que segue exilado dentro da embaixada brasileira no país, foi obrigado a se retirar de Honduras, pois foi vitima de uma tentativa de seqüestro por militares. Diante da tentativa de setores do exército de calar a boca de Zelaya, e também por não haver situação político favorável a ditaduras, vários presidentes colocaram-se contra e deslegitimaram o processo eleitoral ocorrido no país. Em seus discursos, Chávez e Lula disseram que algo estava errado nessa eleição porém, de concreto, nada fizeram até agora, sendo coniventes com os golpistas.
Dados indicam que o número de abstenções foi de 70% neste processo, ainda mais que Zelaya e seus apoiadores impulsionavam a campanha pelo boicote eleitoral. Na democracia burguesa mesmo quando a população comparece às urnas, a votação é manobrada à medida que é quase impossível para os trabalhadores terem seus próprios candidatos sem serem vinculados a um partido tradicional -da burguesia-, que em geral em nada se opõe ao capitalismo. Por isso que Zelaya, mesmo impedido de concorrer, tinha representantes de seu projeto político no processo.
Uma saída vergonhosa! A institucionalidade burguesa é responsável por legitimar o golpe
Zelaya saiu esbravejando contra o processo eleitoral, citando o grande número de abstenções e o processo que ocorreu num momento de conturbação política. Isso prova que para ele, se pudesse ter concorrido, com chances de voltar a assumir a presidência do país, teria legitimado esse processo.
A lição que nos dá Honduras, desde o golpe, é que a democracia burguesa é somente um meio para garantir a exploração sobre os povos. Não é à toa que o Imperialismo norte-americano foi um dos primeiros a reconhecer o processo como legitimo e reivindicando a posse do novo eleito, Porfírio Lobo. Para o Imperialismo, pouco importa quem são os eleitos, desde que comprometidos com a preservação da exploração capitalista e ligados ao governo norte-americano. Zelaya, depois de ser covarde e ter vacilado em voltar a Honduras, desacreditando a luta direta contra o golpe, agora demonstra sua real intenção: seguir tendo o controle do governo para enriquecer cada vez mais, às custas da miséria e do desemprego crescentes, como fez durante todo o seu mandato, inclusive possibilitando a formação de um golpe de Estado.
Somos contra o golpe em Honduras, e entendemos que deve ser feita a mais ampla unidade de ação de todos aqueles que se colocam contra a ditadura para garantir que o país volte a ter mínimas liberdades democráticas. O golpe representa um retrocesso e uma derrota para a luta dos trabalhadores. Mas sempre, e mesmo durante essa possível unidade -que não aconteceu, já que Zelaya não foi capaz de chamar uma manifestação sequer, deixando a população de Honduras desamparada para lutar contra o golpe-, acreditamos que o caráter burguês do governo de Zelaya deveria ser denunciado, pois contra a ditadura descarada tem a proposta de uma ditadura velada, que é a democracia burguesa.
Nem golpistas, nem Zelaya! Que os trabalhadores tomem o poder!
Todo esse processo prova que nem Michelleti nem Zelaya são a alternativa para a melhora de vida dos trabalhadores. Um defende que a exploração se dê de forma “democrática” e outro de forma mais agressiva.
O novo presidente eleito se enquadra dentro deste contexto, à medida que não apresenta nada de novo e não é capaz de avançar nas reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores.
A solução para Honduras é passar por cima de Porfírio Lobo, dos golpistas e de Zelaya. Só com uma revolução, que coloque o poder nas mãos da classe trabalhadora através dos seus organismos, é possível apresentar uma alternativa real. Só com o socialismo é possível tirar Honduras desse impasse!
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