Abaixo o golpe militar em Honduras!
Fortalecer a luta dos trabalhadores de Honduras no mundo inteiro.
A direita tradicional hondurenha, através das Forças Armadas do país, derrubou o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, que foi sequestrado e expulso para a Costa Rica. O golpe foi orquestrado pelo conjunto das instituições burguesas hondurenhas, tendo surgido a partir de uma decisão do Judiciário, apoiada pela maioria do Congresso (que empossou um novo presidente), pelas Forças Armadas e pela imprensa do país.
Este amplo acordo entre as instituições nacionais demonstra que a conspiração golpista representa o interesse de classe do maior setor dos empresários, patrões e burgueses em geral do país. Sua inconformidade com Zelaya era decorrente da necessidade do presidente fazer algumas concessões à população mais pobre, que pressionava o governo.
Zelaya foi eleito pela direita, com verba dos grandes empresários e para defender seu programa. Ele próprio é um antigo político, rico e ligado ao neoliberalismo. No poder, no entanto, a crise econômica e a pressão popular fizeram seu governo ter que se aproximar da Venezuela de Hugo Chávez, internacionalmente, e ter que conceder reajustes salariais e baixas de preços, internamente, como medidas para angariar algum apoio popular.
Esta “conciliação” com setores populares foi vista como uma traição pelo setor burguês “linha-dura”, que não aceitou dividir sequer um pouco dos custos da crise, e exigia mais arrocho e repressão. O auge dessa disputa se deu com a intenção de Zelaya de realizar um plebiscito sobre a convocação ou não de uma Assembléia Nacional Constituinte, a qual poderia ampliar a possibilidade de reeleição no país.
Este foi o pretexto usado no golpe, mas, na verdade, a conspiração já vinha sendo montada, para defender a manutenção da economia semicolonial e subordinada ao Tratado de Livre Comércio (TLC), negociado com os Estados Unidos.
O imperialismo não tem condições de dar golpes neste momento. Seu presidente é Zelaya.
O golpe militar em Honduras, apesar de muitas características em comum com as tradicionais “quarteladas” e golpes “gorilas” existentes nas décadas de 60 e 70 em toda a América Latina, é muito diferente num aspecto essencial: o imperialismo não tem como lhe sustentar.
Ao contrário da ditadura brasileira e do golpe de 1964, do golpe de Pinochet em 73 no Chile, e das demais ditaduras na Argentina, Uruguai, Paraguai, etc., que foram imediatamente reconhecidas pelo imperialismo, em Honduras isso não acontece. Nos outros casos, o imperialismo não só defendia os golpistas, como era ele quem os armava, treinava e dava sinal verde. Até recentemente, em 2002, na Venezuela, a tentativa abortada de golpe imperialista contra Chávez, teve o reconhecimento e comemoração imediatos por parte dos EUA.
Por que, então, dessa vez, os Estados Unidos, a União Europeia, a ONU e a OEA condenaram o golpe? Por que a OEA chega a ameaçar com a expulsão de Honduras de seus quadros? A resposta não se encontra na mudança de natureza do imperialismo,que segue o mesmo, antidemocrático, violento e explorador.
A explicação para esta reação “ofendida” da burguesia mundial é produto da compreensão de que não há “clima” para um golpe deste tipo hoje em dia. A avaliação da burguesia internacional é de que a correlação de forças entre as classes indica um fortalecimento das lutas, greves e protestos mundo afora. Os governos mais identificados com o imperialismo, as privatizações e a direita são, em geral, odiados na América Latina. Por isso, há alguns anos, a tática do imperialismo, para seguir sua dominação, é a de apostar nos governos de Frente Popular.
Nesta política de usar o voto ao invés do porrete, mas com o mesmo fim, os grandes empresários, banqueiros e multinacionais contam com a colaboração da esquerda traidora e de governos populistas para implantar seus planos com menor resistência popular.
É por isso que o esforço do imperialismo é por cooptar as lideranças das lutas, financiar com milhões as candidaturas da esquerda reformista e incentivar que se mudem os rostos,mas se preserve a estrutura do capitalismo.
Zelaya cumpria este papel: de aplicar a dominação imperialista, com a manutenção da propriedade das riquezas nacionais nas mãos da iniciativa privada; do descaso com os recursos naturais e as florestas do país; do reconhecimento da dívida externa e da subordinação econômica do país. Por isso, o imperialismo se sente seguro com ele, e exige seu retorno. Ele faz tudo de importante que o governo militar faria, mas sem criar protestos e constrangimento ao imperialismo, no momento em que Obama tenta posar de bom moço.
Por um governo dos trabalhadores
É necessário, antes de mais nada, depor o governo ilegítimo e golpista de Michelletti. Para este esforço, é preciso construir organismos populares e operários de resistência, fortalecer as manifestações internas e cercar os trabalhadores do país de solidariedade internacional. Temos que exigir a ruptura de relações econômicas e diplomáticas com Honduras enquanto durar o golpe, para estrangular o regime de força que tenta se instalar no país.
Mas, além da pressão e luta pela derrubada do governo golpista, é fundamental lutar pela ocupação de terras e fábricas, pela destruição das instituições burguesas golpistas, como o Congresso e a Justiça, e pela expropriação da burguesia. Só com medidas que confisquem e acabem com a propriedade burguesa das riquezas em Honduras se poderá desativar futuros golpes.
Os trabalhadores não podem confiar que Zelaya represente seus interesses, nem que vá levar adiante qualquer ação contra os golpistas e em defesa dos trabalhadores. Tanto é que já se cogita um acordo interburguês para dar fim à crise. Para os trabalhadores, o único acordo válido é sua unidade contra o golpe e o capitalismo, por um governo socialista, baseado em seus próprios organismos.
- Abaixo o golpe militar em Honduras !
- Nenhum acordo com a ditadura.
- Ruptura das relações diplomáticas e econômicas com o governo golpista.
- Expropriação dos bens dos golpistas e da burguesia que os sustenta.
- Todo apoio à luta dos trabalhadores
- Por uma Honduras democrática, socialista e dos trabalhadores.