Publicado em 08/10/2009

Honduras: ditadura derrotada em seu ultimato, mostra que saída são as lutas e não missões parlamentares.

O governo golpista de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, tentou endurecer ainda mais a ditadura no país, ao dar um ultimato ao Brasil, estabelecendo 10 dias para que a embaixada do país entregasse o presidente deposto, Manuel Zelaya, sob pena de ter seu prédio invadido.

Além dessa ameaça, a ditadura impediu a missão de mediação de chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) e editou um decreto que permite ao governo proibir protestos públicos e suspender liberdade de expressão e de imprensa.

Este decreto prevê o fechamento de meios de comunicação, a dissolução de reuniões públicas não autorizadas e a prisão de indivíduos que incitem à insurreição, numa clara escalada autoritária,de um governo sem sustentação nenhuma.

Em cadeia nacional de TV, o governo interino informou que decidiu "interditar qualquer reunião pública não autorizada e impedir a transmissão, por qualquer veículo, de programas que ameacem a paz". O ministro do Interior do país, Oscar Matute, disse que os veículos de imprensa que incitarem a violência devem ser regulados pelo novo decreto. "Há um grupo de veículos que, em vez de focarem na paz e harmonia, querem espalhar discórdia. Muitos deles confundiram o que a liberdade de expressão deveria ser", declarou.

O decreto autoriza a polícia e as forças armadas a fecharem quaisquer estações de rádio ou televisão "que não ajustarem sua programação às disposições atuais". O decreto suspende por 45 dias a liberdade de expressão, associação e trânsito, e veda reuniões públicas não autorizadas pela polícia ou pelo Exército local. Também autoriza a prisão sem mandados.

Com repercussão maior ainda do que o estrangulamento das liberdades civis e de imprensa foi a decisão de dar prazo a que o Brasil entregasse Zelaya, sob risco de invadir a embaixada.

Esta ameaça, assim como as proibições de reunião e manifestação, porém, foram rechaçadas por muita luta popular. No mesmo dia da divulgação do decreto, uma multidão saiu às ruas, e chegou a haver atos com milhares de pessoas.

O resultado é que Micheletti recuou do ultimato que havia imposto ao Brasil. O presidente golpista já disse, também, que pode revogar o decreto do estado de emergência. Estas medidas apenas comprovam que Micheletti está sob crescente pressão dos trabalhadores, e da comunidade internacional, em 2ª instância, e que dificilmente conseguirá se sustentar.

Paralelo a estas manifestações e resistência, deputados brasileiros que integram uma comitiva a Honduras se encontraram nesta quinta-feira com o presidente deposto do país, Manuel Zelaya. A reunião aconteceu na embaixada do Brasil na capital Tegucigalpa, onde Zelaya se encontra, e foi parte de uma encenação.

Supostamente preocupados com a segurança dos cerca de 500 brasileiros que vivem no país, os deputados estão gastando dinheiro público em passagens, diárias caríssimas e todo um aparato, apenas para criar um circo, sem propor nada de efetivo, ou dar ajuda de qualquer espécie.

Enquanto isso, na Câmara de Deputados, além da corrupção permanente, seguem tramitando projetos que preveem entregar o Petróleo brasileiro, ressuscitar a CPMF e atacar ainda mais os trabalhadores. Os deputados brasileiros são inimigos dos trabalhadores do Brasil e de Honduras, e agora fazem parte do esforço internacional do imperialismo e do governo Lula, de salvar os golpistas e assinar um acordo.

A única saída para os explorados hondurenhos e para pôr fim à ditadura, garantindo um governo que atenda aos interesses da maioria da população, é através da mobilização popular, como já vem ocorrendo.

 

 

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