Publicada em 02/12/2010

Protestos por democracia em Hong Kong

 

        Milhares de manifestantes saíram às ruas de Hong Kong, no fim de 2009, exigindo democracia. Hoje, o chefe do executivo é designado por um período de cinco anos através de um colégio de 800 grandes eleitores fiéis a Pequim. Uma das exigências do protesto é a de que ocorram eleições diretas, nesta região autônoma chinesa.

        Os manifestantes também carregavam cartazes pedindo a libertação do dissidente Chinês Liu Xiaobo, que ficou conhecido durante os protestos da praça Paz Celestial em 1989.  Xiaobo defende também que haja eleições diretas e foi preso e condenado a 11 anos por ter tais posições dentro do movimento.

        Na China, desde 1949, o único partido existente é o Partido Comunista, que de comunista não tem mais nada. Ele tem total controle da vida política do país, que é um dos poucos países no mundo que conta com o regime de partido único. Essa caricatura de "socialismo" esconde, na prática, um Estado completamente adaptado ao capitalismo e subserviente ao imperialismo.

Ao sair às ruas, e se mobilizar, os trabalhadores da China, e em especial de Hong Kong, estão lutando contra o capitalismo e, de forma inconsciente, contra a burguesia que se usa do socialismo para seguir explorando.

        Este protesto acabou se enfrentando com a polícia, que montou barricadas de aço ao redor do gabinete do governo de Pequim, para onde se dirigia a manifestação. A “promessa” do governo é que em 2017 (!!!) ocorrerão eleições diretas. Isso fez com que um grupo de 5 parlamentares anunciasse que poderá renunciar após o anúncio dos planos para as eleições de 2012.

 

Luta por democracia só lutando pela revolução!

 

        Entendemos que os problemas, tanto de Hong Kong como da China como um todo, só irão se resolver se houver uma nova revolução no país. E, a partir da experiência desastrosa de controle burocrático do Partido Comunista, em nome dos trabalhadores, que depois levou à restauração capitalista e se converteu num Estado burguês dependente do imperialismo, é preciso uma veradeira revolução socialista de base.

A burguesia, desde o final da década de 80, assumiu diretamente os rumos do Estado chinês, seja pela conversão de burocratas em burgueses; seja pela direção internacional dada pelo imperialismo sobre seus "funcionários" burocráticos.

Assim, é necessário lutar, em comum com as bandeiras pelo emprego, contra o trabalho escravo, as péssimas condições de vida e a exploração; também pela mais ampla liberdade de organização no país. Para impulsionar a luta pelo socialismo também se faz necessário lutar por democracia, pois isso vai ao encontro do fortalecimento dos organismos operários, dos sindicatos, dos partidos, etc., dos trabalhadores.

        Entendemos esse movimento pró-democracia como algo progressivo, ainda que deva-se diferenciar o real interesse de sua direção, como do próprio Liu Xiaobo, que se prestam ao propósito de setores também burgueses, só que liberais. Portanto, a única coisa em comum, entre os trabalhdores e dirigentes "democráticos" oportunistas é a luta pela democracia, mas esse é o elemento através do qual também se expressam as reivindicações revolucionárias neste momento. Ainda assim, mesmo em unidade de ação sobre este tema, que é o que mais mobiliza as massas, é necessário denunciar qual o real fim desta luta se depender destas direções, e permanentemente e a todo instante combater duramente estes inimigos de classe, hoje travestidos de opositores do governo também burguês da China.

A luta por democracia é apenas um ponto de apoio, que facilita a luta pelo fim do capitalismo, à medida que garante uma maior autonomia de organizar a revolta dos trabalhadores contra a burguesia. Se depender destas organizações dirigentes atuais, no entanto, no máximo se chegará a falsas democracias, como as que existem na maior parte do mundo.

Nestes locais, podem existir diversos partidos, organizações dos trabalhadores, mas quem financia as campanhas eleitorais e domina todo o processo, ainda que permitindo a diversidade de opiniões (desde que não se proponham a derrubar o capitalismo) são os patrões.

Por isso defendemos que se liberte Liu Xiaobo, como forma de fortalecer a luta por liberdades democráticas na região, e se garanta o direito de livre expressão a todos, incluindo os revolucionários. Mas que se lute também pela expropriação dos meios de produção em todo o país, pois só dessa forma é possível dar poder aos trabalhadores, e falar seriamente em conquistas democráticas. Só uma revolução dirigida pelos trabalhadores é capaz de democratizar a China.

 

 

 
 

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