Honduras: um impasse sem solução para a burguesia!
Já se passaram 134 dias desde aquele 28 de junho em que correu o golpe
militar que tirou e expulsou Manoel Zelaya da presidência em Honduras. Em seu lugar, assumiu o golpista Roberto Micheletti.
A partir desse momento, instaurou-se uma situação de conflitos, em que a massa trabalhadora mobilizava-se, enquanto, do lado dos golpistas, a resposta eram toques de recolher, censura e repressão.
Zelaya retorna ao país, mas com "o rabo entre as pernas", escondido pela fronteira, estando até agora encurralado dentro da embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Várias tentativas de acordos já foram feitas, mas até então nenhuma teve o efeito esperado. A mais recente partiu da interferência dos EUA dentro do país que, após reunião com o secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, apresentou várias propostas para acabar com o impasse. A proposta intermediada pelos estadunidenses seria a de formar um governo de coalizão, em que supostamente Zelaya retornaria ao poder
e Micheletti assumiria a presidência do congresso, sendo os ministérios divididos entre os dois “governos”. Mas tudo isso passando por uma consulta ao Supremo Tribunal Federal, o mesmo que deu aval ao golpe.
Toda essa movimentação tem o objetivo de manter o atual governo até o dia 29, data
das novas eleições nacionais. Entretanto, esse acordo acabou fracassando, já que Micheletti –que nem foi eleito por ninguém- não abriu mão de ser o presidente do país. Em resposta, Zelaya não definiu quem seriam os seus representantes aos ministérios.
A classe trabalhadora não pode reconhecer nenhum desses acordos de cúpula. Eles não correspondem às necessidades da classe trabalhadora, ainda mais quando são elaborados pela principal potência imperialista, os EUA. Daí explica-se a pressa pelo acórdão: os imperialistas querem dar a solução antes que a os trabalhadores hondurenhos achem suas
próprias respostas.
Golpe ameaça estabilidade da região
Os EUA e os países imperialistas estão impacientes. Logo que ocorreu o golpe, os países ricos cancelaram as remessas financeiras que enviavam para projetos assistencialistas a Honduras. Porém, o caos político e social instaurado coloca em risco a viabilidade das eleições e, até mesmo, o próximo governo.
Dentro da América Latina, existe uma esmagadora maioria de governos de Frente
Popular. Entretanto, ainda que o governo de Zelaya não possa ser “classificado” dessa forma, por pressão dos trabalhadores, vinha adotando medidas semelhantes às de um governo frentepopulista. A burguesia percebe-se obrigada a apostar nesses tipos de governo para
continuar gozando de estabilidade política e mais facilmente -pacificamente- explorar a
classe trabalhadora.
Porém, em Honduras, a situação fugiu do controle. A massa na rua já demonstrou sua insatisfação com o golpe e todas as medidas repressivas que vem sofrendo. A radicalização
é constante, tanto que no último sábado um grupo de homens pró-Zelaya tentou bloquear uma comitiva que, dentre as pessoas presentes, estava o procurador-geral de Honduras, Luis Rubi, que conduz o processo contra o presidente derrubado. Os carros acabaram passando
pelo bloqueio e, em resposta, os “zelaistas” deram vários disparos com armas de fogo (ninguém foi atingido).
Nenhuma confiança nos acordos da burguesia!
Fortalecer a luta democrática para fortalecer a luta contra a burguesia!
Apesar de alguns defenderem o retorno de Manuel Zelaya ao governo, é fundamental reconhecer que ele não representa os reais interesses da classe trabalhadora. A massa deve defender seu direito democrático de escolher seus presidentes, porém dentro das eleições
não existe nenhum representante legítimo dos interesses proletários.
Tanto Zelaya quanto Micheletti são serviçais da burguesia (o primeiro da burguesia “democrática”, o segundo da burguesia golpista e ditatorial). Ambos defendem os exploradores, já que sequer se constrangem em fazer acordos com os imperialistas. Por
isso a classe trabalhadora em Honduras deve derrubar o governo golpista, assim como fortalecer os organismos da classe, como sindicatos, associações de bairros etc. E ao contrario do que Zelaya prega, organizar milícias de defesa, em resposta à repressão que já matou vários trabalhadores.
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