Publicado em 05/05/2010

Lei contra imigrantes no Arizona tenta disseminar a intolerância entre a população do EUA

Os EUA sempre tiveram em sua historia o racismo e a segregação como marcas constantes, que foram determinantes para a constituição do que hoje vem a ser a sociedade norte-americana. Isso, apesar de ser um local que iniciou como colônia, e se formou como um país de imigrantes: irlandeses, italianos, franceses, etc.

       Mas, apesar de uma grande diversidade de povos ter construído o país mais rico do mundo, muitos outros povos foram dizimados, oprimidos e superexplorados. É conhecido o genocídio contra os indígenas norte-americanos, o racismo contra os negros, etc. No século 20, desde o roubo de imensas partes do território mexicano, o alvo étnico principal tem sido os latinoamericanos, especialmente, os imigrantes.

        Nesse sentido, no fim de abril, a governadora do estado do Arizona, Jan Brewer, promulgou uma lei que eleva radicalmente a repressão contra os latinoamericanos. Com essa nova lei, a polícia deste estado que faz fronteira com o México, pode abordar qualquer um na rua que pareça "suspeito", exigindo documentos de identificação, humilhando e perseguindo quem tenha "cara de latino".

 

Para ser considerado suspeito, não há nenhum critério, bastando apenas o policial resolver fazer a abordagem. O que caracteriza os chamados "chicanos", nos EUA, são os traços indígenas, característicos tanto de mexicanos, como de quase todos os demais povos das Américas Central e do Sul. Claramente, portanto, os EUA de Obama estão permitindo, por omissão diante de uma legislação claramente racista e xenófoba, que se propague uma política com características de grupos nazistas, que excluem, atacam e violam os direitos de um povo diferente ou considerado inferior.

No caso de ser confirmada a "ilegalidade" da imigração, o indivíduo será preso por seis meses, de forma arbitrária, ainda sendo obrigado a pagar multa de US$ 2,5 mil. A lei proposta trata como criminosos todos aqueles que abriguem, empreguem ou ajudem de qualquer maneira um imigrante ilegal.

Essa lei é criada pela burguesia e a serviço de seus interesses

Todas essas medidas contra os imigrantes surgiram de um setor da burguesia dos Estados Unidos que coloca a culpa do desemprego massivo, que ocorre devido à crise econômica, sobre as costas dos imigrantes, que “roubariam” vagas de empregos do povo norte-americano.

Nada mais natural, portanto, do que esta burguesia, que esconde que o culpado da crise é o capitalismo, responsabilize os mais pobres. Para eles, o desemprego e a miséria não são culpa dos burgueses que nunca lucraram tanto quando no período anterior à crise, e sim dos trabalhadores que são vítimas dela.

        A nova lei, quando coloca sob ameaça também aqueles que estão colaborando com os imigrantes tenta disseminar a intolerância entre a população do país, colocando a maioria dos trabalhadores contra a principal minoria do país, que conta com 44 milhões de pessoas vindas dos países latinos.

        As consequências da lei não terão precedentes na História dos EUA, coma polícia tendo autorização para coagir os latinos, não interessando se possuem ou não visto.

A dura realidade dos países latinos empurra os trabalhadores para o outro lado da fronteira

Os imigrantes já vivem uma realidade nada favorável. Em seus próprios países, suas vidas estariam submetidas a uma realidade miserável e a um índice de desemprego absurdo. Tudo isso porque todos os países da América Latina são semicolônias dos EUA, e suas economias são controladas pelas multinacionais. Ou seja, é a exploração dos países de origem dos imigrantes que os empurra aos EUA. O capitalismo imperilaista é que cria a multidão de imigrantes.

        Assim, a solução encontrada é batalhar por um emprego, mesmo que ilegal, nos EUA, para garantir um salário para enviarem para suas famílias nos países de origem. Essas pessoas são submetidas a empregos com as piores remunerações, tendo inclusive inúmeros casos de escravização. A maioria dos imigrantes não vira imigarante porque quer, portanto.

Além de viver essa realidade, agora ainda irão para a cadeia e pagarão multa, antes de serem deportados!

        Por outro lado, os latinos, que representam uma significativa parte da população dos EUA, se organizam para reivindicar seus direitos. Lutam agora para ter direito à saúde, emprego e principalmente pelo direto para permanecer no país. E por isso tem organizado atos gigantescos com dezenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país.

Nesse 1o de Maio, os imigrantes saíram às ruas para protestar contra a lei do Arizona e levantar suas bandeiras de luta. Nas faixas, em cidades como Los Angeles, Washington e Nova York diziam frases como: "Acabe com o Apartheid do Arizona" ou "Detenha a (lei) SB1070 no Arizona".

Pleno emprego e o fim das fronteiras: conquistas dos trabalhadores que só virão com o fim da burguesia.

No capitalismo, não existe a possibilidade do pleno emprego, pois ele depende do mar de desempregados (o chamado exército industrial de reserva) para rebaixar o salário de quem está trabalhando.

E, com a crise se agravando, a burguesia que permitia veladamente a entrada de imigrantes, e utilizava-se dessa mão de obra barata (que não possui direito algum) para lucrar mais, viu que seu "exército" de desempregados já estava grande e ameaçador demais.

Dessa forma, ela não pôde mais tolerar a presença de tantos imigrantes, ainda mais diante da organização crescente que já reivindica plano de saúde, inclusão no sistema educacional, etc. Restou aos empresários dos EUA restringir a massa de desempregados aos próprios trabalhadores norte-americanos.     

        Assim, com a identificação dos imigrantes latinos como alvo preferencial dos próximos ataques, passa a ser tarefa de todos os trabalhadores apoiarem a luta para derrubar a lei contra os imigrantes no Arizona, assim como ser contra a extradição de qualquer imigrante que esteja trabalhando no EUA.

Mas medidas discriminatórias como essa, que escondem interesses econômicos, só deixarão de existir em uma sociedade onde exista emprego para todos, de acordo com a necessidade de toda a sociedade. Ou seja, ganha importância ainda maior a luta e a defesa da revolução socialista, levada a cabo pelos trabalhadores.

Todos lutadores devem lutar contra a segregação e o capitalismo como um todo, pois só dessa forma se impedirão novos guetos e perseguições baseadas na raça, etnia ou nacionalidade.

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!