Na França, de novo, incêndios contra a violência policial
A França não passa muito tempo sem ser notícia, principalmente no que se refere a processos de luta e mobilizações. Na última semana, jovens franceses, mais uma vez, foram protagonistas em lutas contra a violência policial.
Na cidade de Firminy, no sudeste da França, por três noites consecutivas, a polícia mobilizou um operativo de pelo menos 150 militares para conter as manifestações e os incêndios, provocados em protesto à morte de um jovem na cadeia.
Mohamed Bemmouna, de origem muçulmana e com 21 anos, foi detido pela polícia local. Enquanto preso, segundo as autoridades, teria tentado suicidar-se com cordas, acabando por asfixiar-se, sendo ajudados pelo relatório de necropsia, que confirmou a morte por asfixia, mas não apontou haver homicídio. A família de Mohamed, como não poderia deixar de ser, não crê na versão e exige maiores esclarecimentos.
Ainda que seja possível que o rapaz, diante do desespero por estar detido, pressionado por uma polícia violenta e que o ameaçava e oprimia, tenha cometido suicídio. Mas não é essa a hipótese mais provável. Depois do assassinato e acobertamento legal da execução do brasileiro Jean Charles pela polícia britânica, e das próprias mortes causadas pela polícia na França, repetidas vezes, e sempre contra jovens da periferia, em geral imigrantes, tudo leva a crer que Mohamed tenha sido assassinado pela polícia.
Mais que provar que a polícia matou -diretamente- Mohamed ou se “apenas” criou o ambiente para que ele fosse levado a se matar, o fato é que a polícia é violenta e comete arbitrariedades em todas as partes do mundo, e na França isso é uma política consciente e generalizada, a partir do Estado. Em novembro de 2005, por exemplo, jovens incendiaram carros e lojas em protesto pelo assassinato de dois jovens da periferia parisiense, executados pela polícia, numa situação muito parecida com a de agora.
O Movimento Revolucionário denuncia não somente o autoritarismo e o abuso de poder da polícia, mas o governo de Sarkozy, que, se não defende abertamente que a policia vá para a rua e “endureça” com negros, pobres e imigrantes, fica quieto e se omite diante dos abusos. Na realidade, esta “omissão” serve apenas para comprovar que o presidente não é capaz de assumir publicamente a impopular tese da “tolerância zero” contra a periferia, mas, na prática, é este projeto que ele leva adiante, pois sabe perfeitamente que são os proletários franceses e os imigrantes mais pobres em particular, os que podem derrubar seu governo e barrar seus planos. A “esquerda” francesa, PS e PCF, assim como em 2005, segue “bem comportada” e distante das lutas, se resumindo a criticar os “excessos” e a tentar obter mais votos, da maneira mais oportunista.
A juventude e os trabalhadores, na França e por todo e mundo, devem ir para as ruas, lutar contra a polícia e a sua arbitrariedade, assim como contra o seu “chefe”, o governo, que, para manter os privilégios de uma minoria rica, sacrifica trabalhadores pobres com políticas assistencialistas, racistas e discriminatórias.
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