Publicado em 17/05/2009

Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo? Quais o motivos da campanha dos EUA, de Israel e dos sionistas contra o presidente iraniano e qual a posição dos revolucionários sobre o Irã?

Abaixo o Estado racista de Israel. Solidariedade ao Irã e Palestina!

Diante da realização de uma Conferência da ONU contra o racismo, se instalou uma enorme polêmica sobre se o sionismo, ideologia que prega a superioridade dos judeus e persegue e pratica genocídio contra árabes e outros povos é ou não racismo. O que é óbvio e inegável foi questionado em função de que quem se destacou dizendo isso que é evidente, durante a conferência, foi o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Para quem analisa a situação baseado na realidade e não em preconceitos, vamos ver que, dessa vez, Ahmadinejad estava certo, e é preciso destruir o racismo como um todo, incluindo suas formas teocráticas e fundamentalistas religiosas como defende e pratica criminosamente o sionismo e o Estado ilegítimo e terrorista de Israel.

Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo?

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tem sido apontado pelos EUA e pela burguesia imperialista como uma das “principais ameaças a estabilidade mundial” na atualidade. Barack Obama, seguindo o exemplo de Bush, aplicou sanções econômicas ao Irã e deixou claro que se o país seguir desenvolvendo seu programa nuclear os EUA irá ampliar as represálias aos iranianos. Israel, que não se manifesta sem ter os EUA por trás, também tem se animado a ameaçar o Irã, inclusive com uma guerra direta. 

Essas declarações arrogantes e vergonhosas, ameaçando um país livre, apesar de seu governo ser burguês e reacionário, é inadmissível. Em caso de guerra contra o Irã, por parte do imperialismo ou de Israel, é preciso dar apoio militar incondicional ao Irã, e fazer de tudo para fortalecer a resistência nesse país e no Oriente Médio, com armas, militantes e dinheiro. Derrotar Israel e os EUA nesta região e no mundo inteiro é a única maneira de começar a derrotar o racismo, a exploração e a exploração mundial.

Por isso, é preciso conhecer melhor o que há no Irã. Este país, muito antes de Ahmadinejad, e de seu programa nuclear,  é conhecido por suas denúncias contra o Estado de Israel, o imperialismo e sua política genocida contra os palestinos e os povos árabes. O país, e seu atual líder, não fazem isso porque sejam radicais anti-imperialistas ou muito combativos, mas porque a pobreza, as guerras e a luta de classes nesta área do mundo obrigam os governos burgueses nacionais a irem um pouco mais além do que o normal.

Os dirigentes da Revolução Iraniana, desde 1979, e até hoje, estiveram à frente de um processo revolucionário extremamente progressivo e exemplar, feito pelos trabalhadores, e não por eles, que expulsou os EUA do país junto com o líder traidor, Xá Reza Pahlevi, e isto correspondeu a uma grande vitória das massas, uma experiência revolucionária vitoriosa ao nível da mudança de regime, já que derrubou uma ditadura pró-imperialista, o qual poderíamos comparar a "Revolução de fevereiro" de 1917, na Rússia, guardadas as devidas proporções, já que as massas em luta, no Irã, além de expulsar o Xá e os EUA, lutavam por liberdade, emprego, serviços sociais e igualdade, bandeiras socialistas, ainda que inconscientemente.

O resultado final dessa revolução, à medida que não contou com uma direção revolucionária socialista, terminou abortado e derrotado, mantendo o Estado burguês, apesar da mudança de regime. Isto não muda o fato do que foi a poderosa revolução de 1979, nem as consequencias e força expressas pelas massas desse país até hoje.

O papel cumprido pela direção que assumiu essa revolução, por parte de clérigos muçulmanos xiitas, que mantém o poder até hoje, foi no sentido contrário. O aiatolá Khomeini, e seus sucessores, incluindo o hostil ao ocidente, Laranjani, o reformista Katani, e o atualmente execrado Ahmadinejad, são versões diferentes de um mesmo conteúdo: governos burgueses e capitalistas, machistas, homofóbicos, mas de resistência contra o imperialismo e Israel, principalmente em função da pressão dos trabalhadores desse país, que segue muito forte.

O atual presidente do Irã é preconceituoso e deve ser denunciado por isso. Suas declarações contra os homossexuais, onde alegava que em seu país não existia um único gay, revoltaram as minorias por todo o mundo. Ele é conhecido também por um regime político e religioso autoritário e repressor, que impede as mulheres de exercerem seus trabalhos, sua liberdade e sexualidade, além de ultrapassar o limite da denúncia do sionismo e chegar ao escândalo de minimizar o Holocausto, em que os nazistas mataram 6 milhões de judeus. Estas posições depõem contra Ahmadinejad e o desmoralizam como alguém que possa lutar coerentemente contra Israel. 

Mas, quando o Irã fez um discurso, na recente conferência da ONU contra o racismo, onde denunciava Israel e exigia a sua extinção, essa posição deve ser analisada pelo seu conteúdo, que é corretíssimo. Ahmadinejad é incapaz de mudar isso, pois não é coerente com suas falas, como ficou provado no abandono ao Hamas e outros grupos de luta contra Israel, que não foram devidamente apoiados pelo Irã, por exemplo, durante o recente massacre à Gaza. Mas, quando denuncia Israel e o sionismo, mesmo só nas palavras, Ahmadinejad está no caminho oposto de Lula e todos os demais traidores das vítimas de racismo no mundo, que são ignorados quando se desconsidera o caráter racista, preconceituoso, messiânico e semi-nazista do sionismo.

Sionismo é racismo!

A própria ONU, através da resolução 3379, aprovada em 1975 com o voto de 72 nações contra 35 contrárias, afirmava: "o sionismo é uma forma de discriminação racial". Só em 1991, a ONU relativizou essa resolução, que foi revogada, antecipando o clima para os acordos de Oslo, entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que selaram a traição desta organização ao ideal de uma única Palestina laica, não racista e socialista, onde convivessem muçulmanos, judeus, cristãos, ateus e quem bem quisesse. Desde então, começou uma campanha orquestrada no mundo inteiro de blindar o sionismo sob o manto do Holocausto judeu, como se questionar seus crimes e teses como a de "terra prometida" fosse questionar as vítimas do nazismo alemão.

Hoje em dia, o sionismo segue com suas garras fazendo vítimas. O chefe do Likud, o partido da direita sionista, agora exige o reconhecimento de Israel como "Estado judeu", numa definição teocrática medieval. O povo palestino poderia, por essa lógica,  no máximo ocupar terras de 2a categoria, inférteis ,e sob a cidadania judia, o que lhes impede de votar e se candidatar nas eleições, além de pedir autorização para se movimentar e poder trabalhar.

O chanceler Lieberman, líder do ultra-direitista Israel Beiteinu,  fala disso com mais clareza e propõe abertamente a segregação de árabes-israelenses, que apenas  teriam direito de circular, trabalhar e votar se jurassem lealdade ao "Estado judeu". Os demais deveriam viver na circunscrição da Autoridade Palestina, cujas fronteiras seriam reduzidas para permitir abrigo aos colonos judeus, verdadeiros grileiros incentivados por Tel Aviv, em território israelense.

Quem não condena o sionismo, como Obama e Lula, é racista também

Como resposta ao combate ao sionismo, que já era esperada, os delegados dos EUA e de Israel nem participaram da Conferência. Obama, que se orgulha de ser negro, embora defenda o sistema racista dos EUA, também lavou as mãos e sustentou o racismo de Israel nesta questão. Outros países, que foram à conferência, se retiraram depois da fala do Irã, e outros, também covardes e querendo agradar aos EUA, como o Brasil de Lula, criticaram o discurso por meio de notas diplomáticas.

Para os trabalhadores, todas estas posturas são demonstrações de cumplicidade com as ameaças de guerra ao Irã, assim como um salvo conduto aos massacres aos palestinos, a ocupação ilegal da Palestina única por um Estado ilegítimo que é Israel, e o roubo permanente de suas terras, águas, recursos, etc.

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