Publicado em 31/10/2008

Tentativa de formar governo de coalizão em Israel falha
e eleições devem ser antecipadas

A chanceler de Israel, Tzipi Livni, desistiu de formar um governo de coalizão e, conseqüentemente, as eleições no país devem ser antecipadas.  

            Eleita em setembro, após a renúncia de Ehud Olmert, a israelense vinha desde então tentando formar um governo que abrangesse as principais forças políticas do país, porém, a negociação emperrou no que diz respeito à Palestina.

            O partido da ultra-direita -Shas- exigiu, como ponto programático, que a coalizão não fizesse qualquer negociação com os palestinos quanto ao futuro de Jerusalém. A cidade de Jerusalém é uma das regiões de forte disputa, por ser considerada cidade sagrada para os dois povos, e uma das alternativas que o atual governo israelense vem buscando é dividir a cidade, parte sob domínio de Israel, parte sob domínio palestino.

            Quando Livni assumiu o poder, seu posicionamento era claro na defesa da construção de um Estado palestino, logo, essa ruptura com a ultra-direita já poderia ser esperada.

            A proposta de divisão de Jerusalém, assim como a ruptura que ocorreu entre os partidos devido à diferença em relação a essa proposta, não significa qualquer boa vontade por parte do governo do Estado de Israel. São, na verdade, um recuo necessário para a sua sustentação.

            Israel e os países imperialistas que lhe dão sustentação, como os Estados Unidos, encontram-se numa grave crise, crise essa que não é local, e sim generalizada. O capitalismo está em decadência, e isto é percebido não somente na crise econômica que se alastra sob o mundo inteiro, mas no crescimento pífio que as maiores potências econômicas vinham tendo, no crescimento artificial de emergentes como a China, nas vitórias que os trabalhadores vêm construindo, seja militarmente - Afeganistão e Iraque-, seja em questões vinculadas ao trabalho, como greves e mobilizações por direitos e questões específicas.

            O próprio Estado de Israel sofreu uma fortíssima derrota militar ao tentar ocupar o Líbano e ser expulso pelo Hezzbollah, mas a sua situação com a Palestina está ficando insustentável. O povo palestino não se rende, e mesmo sem qualquer condição econômica favorável, encurrala o governo israelense e o submete a humilhações, como a troca de líderes palestinos por cadáveres de militares israelenses.

            Assim, não resta a Israel qualquer alternativa que não seja a de tentar conciliações e fazer concessões. Porém, a Palestina só será de fato livre se não fizer qualquer acordo com a burguesia e o governo israelense e, para isso, precisa de uma direção independente e comprometida com os trabalhadores e a revolução. O Hamas e a Fattah não são essas alternativas e já deram provas disso. Resta agora, aos trabalhadores palestinos, romperem com essas direções e construírem uma verdadeira ferramenta de luta.       

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