Uma mulher toma a frente do Estado de Israel... e tudo segue na mesma!
Renunciou no último domingo -21 de setembro- o Primeiro Ministro israelense, Ehud Olmert, devido ao envolvimento em escândalos de corrupção. Em seu lugar assume Tzipi Livni, também do partido Kadima -a primeira mulher a ocupar o cargo, desde Golda Meir (1969-1974)-.
Tzipi Livni assume sob a bandeira da renovação e da ética na política. O grupo palestino Hamas já declarou acreditar que seu governo será "a continuação da mesma política de repressão e agressão contra o povo palestino exercida pelos dirigentes sionistas que a precederam". Posição diferente da tomada pela Autoridade Palestina, que disse ter “esperança no início de negociações de paz sérias".
Ela, uma forte aliada da Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, faz questão de distanciar-se de qualquer imagem de feminista, tanto que sequer compunha a ala que reivindicava uma mulher na direção do Parlamento israelense.
Mas a vitória de Livni para assumir o lugar deixado por Olmert significa um revés para a direita ultranacionalista de Israel, ao menos na aparência. Esse setor, que considera as posições da norte americana Condoleezza moderadas demais em relação aos palestinos, vê a mesma postura em Tzipi Livni.
Ela já afirmou ser partidária da criação de um Estado Palestino, contando inclusive com a devolução de parte dos territórios ocupados pelos judeus desde 1967. Entretanto, isso não está ligado a qualquer “boa ação” da sua parte, e sim à constatação de um crescimento maior do povo palestino em relação ao judeu (em menos de três décadas, a população palestina superaria a de judeus) e, evidentemente, do enfraquecimento que as políticas de Israel vêm sofrendo.
Não somente no campo militar -ao ter seu fortíssimo exército derrotado pela guerrilha do Hezzbolah, no Líbano, em 2006-, mas também no campo diplomático -ao trocar prisioneiros palestinos por corpos de israelenses mortos em combate-, Israel mostra já não possuir tanta força para atacar o povo palestino e seguir qualquer ofensiva sobre ao árabes e muçulmanos do Oriente Médio, por maior que seja o apoio recebido dos Estados Unidos.
Assim, há aqui duas conclusões fundamentais. Uma diz respeito à questão de ser uma mulher no Parlamento de Israel. Isso não significa absolutamente nada, principalmente no que está relacionado à situação da mulher trabalhadora. A conquista de direitos e a luta contra a opressão e exploração da mulher estão ligadas a uma luta de conjunto da classe trabalhadora contra todos aqueles que apóiam e se sustentam sob o capitalismo, como é o caso de Tzipi Livni, seu partido e o governo de Israel. Assim, de um ponto de vista feminista, não devemos esperar qualquer mudança, principalmente quando se trata de uma mulher que tenta distanciar-se dessa imagem.
A outra questão tem a ver com a suposta “plataforma de governo” da nova ministra. Essa postura mais “conciliatória” em relação aos palestinos é um recuo, não somente de Israel, mas do projeto do imperialismo na região como um todo. O imperialismo europeu e norte-americano vem sofrendo derrotas no mundo inteiro, necessitando de muita prudência na definição de qualquer investida sobre os trabalhadores.