Publicado em 08/07/2009

 

Morre Michael Jackson: Astro da música, e vítima do capitalismo doente!

A morte de Michael Jackson, um dos maiores ídolos da história da música mundial, traz à tona uma vida além da imagem que transmitem a TV, shows e mídia  Uma vida pessoal marcada por sofrimentos, sacrifícios, preconceitos, excentricidades e dor. 

 Michael Joseph Jackson nasceu no dia 29 de agosto 1958, na cidade de Gary, em indiana, nos EUA. Ele é o sétimo de nove filhos do casal Katharine e Joseph Jackson, uma família pobre e negra. Para a família Jackson obter sucesso na música, o pai Joseph Jackson submeteu seus filhos, Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael Jackson a treinos constantes, com muita violência física  para formar, e fazer ter sucesso, o grupo Jackson Five nos anos 1960.  

 Por conta do trabalho excessivo na infância, da violência brutal, maus tratos  e suspeitas inclusive de abuso sexual, Michel sofreu muito e foi um reflexo da repressão, homofobia e racismo, da sua época, de sua família e de seu pai, especialmente. Foi esse ambiente que ajudou a criar em adulto cheio de complexos psicológicos.

 Nos anos 1970, Michael lança o primeiro disco solo, Off the Wall, que vende mais de 2 milhões de discos, dando início a sua carreira solo. De lá em diante, construiu uma carreira reconhecida no mundo inteiro, com milhões de fãs, recorde de venda de discos, fortuna e uma versatilidade que ia de cantor e compositor a produtor, bailarino e pioneiro em inovações, como os videoclipes altamente produzidos, com roteiros cinematográficos.

Contudo, paralelo ao sucesso musical, Michael teve uma vida pessoal marcada pela autodestruição. O cantor, muito provavelmente, realmente sofria de vitiligo, uma doença que causa manchas esbranquiçadas na pele. Além disso, seja por um acidente durante um comercial, seja por sua não aceitação de si mesmo, o músico era dependente de remédios, tomados em grande dose e diariamente.

Mas, independente do vitiligo, o sentimento de opressão que sentia por ser negro, numa época em que sequer muitos dos direitos civis estavam garantidos aos negros, foi forte demais para a criança e o jovem que foi alçado ao sucesso desde muito cedo. Assim, através de tratamentos médicos, Michael era visto mais e mais com a pele do corpo branca, num processo artificializado de "embranquecimento", não apenas de sua pele, mas de seus traços.

Ele fez inúmeras plásticas no rosto, modificando os olhos, na boca e outras diversas no nariz, deixando-o cada vez mais fino, e justificando-as com a alegação de que seriam para melhorar a dicção vocal. Em função de tantas intervenções, nesses últimos anos de vida, Michael se encontrava praticamente deformado, de resto com nenhum traço físico de sua origem verdadeira negra.

Michael Jackson sofreu toda esta transformação física pela não aceitação de sua cor, o que, com certeza, não saiu dele próprio, sem explicação. A simples observação de que, no sistema capitalista, o mais “normal” a fazerem sucessos são as pessoas brancas já é uma preocupação para um jovem artista. As humilhações, violências e preconceitos sofridos pelos negros nos Estados Unidos, que Michael via e que sofria, e a pressão doentia exercida por seu pai, faziam com que Michaek Jackson teme-se tanto por errar ou não ser mais "aceito" que relata que vomitava antes e depois de apresentações, tinha tremores e outros sintomas típicos da hipocondria, da depressão e síndrome do pânico.   

 Tanto o passado traumático, como a pressão e exploração imposta no universo comercial das grandes gravadoras, como também a personalidade doentia  produzida por isso tudo, criaram um indivíduo perturbado, doente e excêntrico. Disso tudo derivaram uma vida e carreira marcadas por escândalos, envolvendo pedofilia, por exemplo. Ele foi processado algumas vezes por pais de crianças que conviviam com ele, de abusar sexualmente dos menores.

Michael admitiu que gostava de dormir com crianças em uma de suas mansões, na qual inclusive construiu um parque de diversões em que  inúmeras crianças eram convidadas a passar finais de semana com o cantor. A absolvição de uma das acusações e um acordo milionário para engavetar outra não inocentam Michael, assim como os fatos e indícios de todo seu comportamento mostram que ele não era nenhum exemplo.

Pelo contrário: o grande talento de Michael sempre foi canalizado para a ostentação, a futilidade, a vida vazia e glamorosa do capitalismo. Michael foi um dos popstars mais cultuados, não apenas por seu talento, mas por ser uma expressão alienada, consumível, que renegava seu passado negro e plenamente integrado à sociedade que tanto lhe humilhou antes e mesmo durante o sucesso.

Mas uma coisa é saber reconhecer a realidade, e não embelezá-la e criar um mito, como faz a imprensa neste momento, outro é culpar um homem, que antes de tudo, foi uma vítima, como se fosse o responsável por tudo que fez e pelo que lhe ocorreu.

Com certeza, todos esses problemas que Michael Jackson sofria são produtos das degenerações que o capitalismo promove nas pessoas, provocando a não aceitação da raça, distúrbios mentais e crimes, como a pedofilia, o uso abusivo de drogas, mesmo que de prescrição médica, e a depressão e sofrimento diante de si mesmo.

Neste sistema em que vivemos, que visa o lucro e a exploração, e não a vida humana, com bem estar social, os seres humanos são considerados descartáveis, valem unicamente pelo que podem arrecadar em dinheiro e precisam estar sempre representando e correspondendo á imagem que a classe dominante impõe ao conjunto da população. A morte trágica e prematura de Michael Jackson comprova:  com ou sem dinheiro, o capitalismo não traz felicidade. Aliás, degenera e corrompe a população.

 

 

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