Cristina Kirchner mais que dobra tarifas de luz, água e ônibus na Argentina
Utilizando-se de cortinas de fumaça de todo tipo, como a volta do tema da luta pelas Malvinas e até mesmo um câncer inexistente inventado para a presidente, o governo Cristina simplesmente desmontou o sistema de subsídios públicos e colocou o preços de serviços essenciais nas alturas.
O metrô de Buenos Aires teve uma das maiores altas de todas. Os 1,8 milhão de usuários diários das seis linhas da capital, que somam 48 quilômetros, passarão a pagar 2,50 pesos argentinos por bilhete, o equivalente hoje a R$ 1,10. É 127% a mais do que o 1,10 peso que era pago até um dia antes. Espertamente, o custo político do novo bilhete poderá cair sobre as costas do prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, adversário político de Cristina, pois a prefeitura recebeu a gerência do sistema do governo federal na virada do ano. Ainda com os subsídios de pé...
Pois agora, Cristina retirou sumariamente este e quase todos os demais repasses estatais a serviços básicos, que serviam minimamente para atenuar a inflação galopante do país, calculada em mais de 20% por analistas independentes.
O metrô é a ponta do iceberg de um pacote de desmonte dos subsídios que o governo argentino deu início em novembro, logo após a reeleição da presidente Cristina Kirchner. E pode ir ainda mais longe: segundo os cínicos governantes, o Tesouro Nacional ainda continuaria bancando metade do custo da operação, ou 350 milhões de pesos argentinos (cerca de US$ 81 milhões). Isso quer dizer que, se acreditarmos na informação claramente inflada do governo que divulga seus próprios “custos”, a passagem ainda pode dobrar outra vez, para atingir o “equilíbrio” que os capitalistas querem impor contra a população.
Além do transporte de massa representado pelo metrô, houve um enorme impacto do fim dos subsídios residenciais e para empresas, elevando, em cascata, ainda mais a inflação. Este ataque violento ao bolso da maioria da população ainda não foi sentido por algumas pessoas, o que, junto com os factoides criados pelo governo, conseguiram impedir um protesto mais amplo até agora. As tarifas públicas na Argentina em geral são cobradas de dois em dois meses, e apenas em fevereiro todos os usuários receberão a cobrança com os novos valores. Mas a reação popular pode tardar, mas não deve falhar.
Estão sendo cortados os subsídios residenciais para gás, energia elétrica e água, e novos cortes devem ser anunciados para os subsídios recebidos atualmente por empresas. Com isso, o custo de vida, em especial das famílias mais pobres, vai crescer consideravelmente.
Estas medidas de Cristina vieram para ficar, e representam o fim de uma encenação presente no discurso governista, de que a crise não atingiria a Argentina. Não só já atingiu, como ainda deve cobrar um preço ainda maior. O fim dos subsídios alegadamente representa hoje uma despesa de 4% do PIB argentino, ou US$ 20 bilhões. Com estes cortes, Cristina mira dois objetivos: a economia pura e mesquinha de dinheiro, tirado dos mais pobres e direcionado à dívida pública; mas também a sinalização a “investidores” de que serviços como as companhias elétricas podem dar lucro, numa clara intenção de privatizar e desregulamentar todos os serviços públicos.
O resultado lamentável é a subida geral dos preços e empobrecimento popular, através da autorização concedida, simultaneamente à retirada de subsídios, para reajustes de preços por parte das empresas. O gás natural para o consumidor residencial, por exemplo, pode subir até 248%, o que, somado ao fim do subsídio, poderá elevar a tarifa a mais de 500%! Imaginem algum preço que sobe 6 vezes de uma hora para outra...
Os trabalhadores argentinos precisam lutar de forma organizada contra este pacotaço e contra o governo Cristina como um todo. O Movimento Revolucionário, através da Corrente Revolucionária Internacional, que conta com organização argentina Convergência Socialista, chama a construção de uma greve geral no país, pois só com a ação direta e o enfrentamento às empresas, multinacionais e governo argentinos é possível impedir este saqueio geral sobre os trabalhadores.
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