Leste Europeu sofre com inflação e desemprego
Com a continuidade dos efeitos da crise sobre os trabalhadores do Leste Europeu, e a grande decadência econômica desses países, até o quase “finado” e desmoralizado FMI resolveu dar conselhos ao conjunto de ex-Estados operários burocratizados.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere a adoção do euro por todos os países do Leste Europeu que fazem parte da União Europeia (UE) como forma de “salvar” a região da pior crise desde a restauração capitalista.
A inflação em euros subiu muito mais que em qualquer outro lugar, o que afeta a Eslováquia, que adotou o euro em janeiro de 2009, por exemplo. Por outro lado, países sem o euro, que aumentaram suas inflações também, mas nada perto da zona da moeda comum, têm outro problema: a queda acelerada do PIB e os altos índices de desemprego.
Segundo agências internacionais de notícias, na fronteira norte da Hungria, cidades pequenas veem um número cada vez maior de eslovacos cruzando a fronteira para fazer compras. Para os eslovacos (que adotaram o euro), ficou mais barato comprar do outro lado da fronteira: "Há gente que cruza a fronteira todas as semanas desde que a crise surgiu para aproveitar os preços húngaros. Compramos de tudo, óculos de sol, roupa e até leite", afirmou Jan, um assistente social da cidade eslovaca de Kosice.
Mas se a desvalorização foi boa para os negócios em pequena escala do comércio de cidades fronteiriças, para as exportações, a realidade de queda das moedas locais está aprofundando ainda mais a crise na região.
Derrotar a União Européia e o capitalismo
Polônia, Romênia e República Checa, além dos húngaros, são membros da UE, mas não adotam o euro e suas moedas flutuam livremente. Desde o início da crise, a fuga de investimentos e de capital da região fez com que suas moedas tivessem a pior desvalorização entre todos os países. Só o zloty, da Polônia, se desvalorizou 28% em relação ao euro. O forint, na Hungria, caiu em 20%, contra 11% da koruna checa.
Para as contas públicas, isso significou que a dívida explodiu e afastou a região ainda mais dos critérios para adoção do euro. Para 2009, a rolagem da dívida do Leste Europeu será de US$ 413 bilhões. Mas, com dificuldades para ter acesso a créditos, a região deve sofrer uma alta de seu endividamento.
Nesta situação, nenhuma saída por dentro do capitalismo e da União Européia pode resolver as necessidades dos trabalhadores, mas a solução da adoção geral do Euro na República Checa, Polônia, Romênia e Hungria, por exemplo, poderia pelo menos ajudar a unificar os preços.
A "euroização" da região, sugerida pelo FMI, no entanto, é considerada como inaceitável pelo Banco Central Europeu (BCE), enquanto as condições básicas não forem atendidas. Essa posição demonstra que, enquanto para alguns burgueses a estabilidade da inflação é a prioridade (FMI), para outros setores, é preferível deixar os preços desregulados e inflacionados, pois o mais importante é não deixar mais países pobres do Leste Europeu entrarem na zona do Euro, com os gastos institucionais e estruturais que isso iria exigir.
O estudo do FMI sugere que a UE deveria relaxar os critérios de adesão ao euro, moeda que hoje circula em 16 países. "Para os países na UE, a euroização oferece o maior benefício em termos de uma solução para sua dívida em moeda estrangeira, removendo incertezas e restaurando a confiança", afirma o FMI, em seu levantamento técnico.
Na verdade, a política do FMI pretende se aproveitar do momento difícil que vive a economia mundial, e em especial no Leste Europeu, para colonizar ainda mais esta região. Desde o início da crise, o FMI já deu pacotes para Hungria, Letônia, Romênia, Sérvia e Ucrânia, num total de US$ 60 bilhões, numa tentativa de comprar os governos desses países e determinar as medidas econômicas que serão adotadas.
Para os revolucionários, a primeira coisa a ser feita para salvar os trabalhadores da crise é expulsar o FMI de todos os países. Além de repudiar este organismo nefasto, que é um dos principais causadores da crise atual, é necessário romper com a própria EU, que enriqueceu os já ricos e empobreceu os pobres do Leste Europeu.
Estas medidas só podem ocorrer à medida que estejam sustentadas em poderosas lutas, greves e manifestações, que devem seguir os exemplos das manifestações da Itália e França, além da derrubada de presidentes e lutas contra o capitalismo, como ocorreram na República Checa e Grécia, e que devem ser multiplicadas para que os trabalhadores possam defender seus direitos e empregos, e atacar a crise com seus próprios métodos e reivindicações.
VOLTAR |