Publicado em 05/09/2009

Leste Europeu na pobreza! Trabalhadores que antes tinham alto padrão de vida hoje são mais pobres que maioria dos sulamericanos

Um relatório baseado na análise do custo de uma cesta de 122 bens e serviços em relação ao trabalho necessário para comprar estes itens, comprovou que o leste Europeu é assolado pela pobreza, desde a restauração capitalista.

 Semelhante a comparações como a da pesquisa chamada “índice Big Mac”, que mede o preço e quantas horas são necessárias, ao redor do mundo, para adquirir o famoso lanche multinacional, presente em todos os locais, a pesquisa do grupo UBS comparou preços e salários.

A renda mais baixa foi registrada em Bucareste e Sófia, capitais da Romênia e da Bulgária, respectivamente. As duas cidades entraram na UE em 2007, e ganharam de presente preços e inflação em euros, mas mantêm seus salários de 3º mundo. O tempo necessário para comprar os produtos nestas capitais, assim como em quase toda a região, só é comparável a países como a Colômbia ou a Tailândia.

Para ilustrar o poder de compra, o UBS calculou quanto tempo de trabalho seria necessário para comprar um iPod Nano. O trabalhador médio nem pensa nessa compra, considerada supérflua. Mas ela indica o grau de afastamento dos mais pobres em relação à tecnologia.

Um assalariado médio de Zurique (Suíça) ou Nova York (EUA) precisaria de nove horas de trabalho para adquirir o iPod, enquanto, no final da classificação, um trabalhador de Mumbai (Índia) necessita de um mês de salário. No Leste Europeu e América do Sul é quase isso também.

Desigualdade absurda. Para ricos, preços são mais caros, mas salários são bem mais altos.

O estudo mostra que os alimentos mais caros são vendidos em Tóquio (Japão) , Zurique e Genebra (ambas na Suíça). Oslo (Noruega), Zurique, Copenhague (Dinamarca), Genebra e Tóquio são as cidades mais caras do mundo, mas também aquelas onde os salários são mais altos, segundo o estudo realizado pelo banco suíço UBS, entre 73 cidades internacionais.

Os habitantes dessas cinco cidades pagam em média 20% a mais que em outras localidades da Europa Ocidental, mas seus salários são até 10 ou 20 vezes mais altos. No extremo oposto, Kuala Lumpur (Malásia), Manila (Filipinas), Délhi e Mumbai (ambas na Índia) são as mais baratas, mas os salários miseráveis fazem desses países asiáticos os campeões da pobreza.

Mas outro dado que chama a atenção é a aceleração da pobreza. Se na Ásia e África a pobreza já vem de décadas ou séculos, no Leste Europeu, há pouco mais de 20 anos havia pleno emprego, saúde, educação, moradia e alimentação para todos. Os regimes stalinistas, ligados a Moscou,se baseavam em privilégios para a burocracia,e reprimiam a população, mas o fato de a economia ser planificada e sob um Estado operário (ainda que deformado), preservava direitos básicos dos trabalhadores.

______O desmantelamento da “cortina de ferro” e a restauração capitalista trouxeram a prostituição, o desemprego, a fome e pobreza, numa escalada impressionante.

Por exemplo: uma cesta de 95 bens e 27 serviços é 35% mais barata nas cidades do Leste Europeu membros da UE do que nas da Europa Ocidental, mas os trabalhadores das cidades da Europa Ocidental recebem salários brutos mais de três vezes maiores que os de seus colegas do Leste. A conclusão é que os ocidentais ganham o dobro que os orientais pelo mesmo serviço. Essa disparidade representa uma opressão enorme, maior, em termos econômicos, que sofrem as mulheres ou os negros o Brasil, por exemplo, país marcadamente machista e racista.

Mais uma vez, os números mostram o que a vida prática já nos mostrava: o capitalismo mata!

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