A mobilização se alastra pela Europa: trabalhadores de países ricos europeus também respondem a ataques
O Movimento Revolucionário, como organização, têm publicado matérias e divulgado textos e informações que discutem e revelam a continuidade da crise econômica que está arrasando as economias mais fracas da União Europeia. Os PIIGS, como os analistas têm chamado Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, concentram os países que ameaçam a estabilidade já frágil de toda a Europa, com a possibilidade de uma quebradeira geral. Essa é a grande preocupação dos investidores, já que qualquer um deles, pelo alto nível de endividamento, pode dar calote nos credores e arrasar a zona do euro, como num efeito dominó.
Outra preocupação dos governos e da burguesia como um todo é com as mobilizações, greves e protestos, que já estão crescendo cada vez mais. Por toda incerteza com que a classe trabalhadora está tendo que conviver, diante da ameaça do desemprego, que segue inalterado no índice recorde de 9,9%, é como se uma espada estivesse o tempo todo sobre a cabeça dos trabalhadores, e as lutas têm crescido.
Além do desemprego em índices nunca vistos, o arrocho salarial, o corte de verbas públicas e os ataques aos direitos fazem com que trabalhadores saiam às ruas, a exemplo dos trabalhadores gregos, para reivindicar o que é seu, e dizer: que os ricos paguem pela crise.
A Alemanha volta à cena da luta de classes
Mas, mesmo os PIIGS sendo a maior preocupação, os demais países ricos também estão passando pelas mesma situação, ainda que não nas mesmas proporções. A realidade, porém, é a mesma, com um endividamento crescente em relação aos PIBs, um déficit público enorme e, por consequência, com medidas de restrição orçamentárias, incluindo o congelam,ento de salários e de investimentos.
A Alemanha é um desses países, onde estão ocorrendo ataques e a classe trabalhadora, como resposta, já demonstra que não vai aceitar ataques calada.
Os trabalhadores dos setores públicos, nas suas três esferas - municipais, estaduais e federais -, somando em torno de 2 milhões de empregados, estão exigindo 5% de reajuste salarial para os próximos 12 meses. Porém, os governos anunciaram que não darão um centavo a mais, e tratam a proposta como irrealista. Como única saída, estas categorias fizeram uma paralisação de 24h no dia 8 de fevereiro, e permanecem em estado de greve, podendo entrar em greve a qualquer momento.
Somente entre os trabalhadores do metrô e dos ônibus de Hannover, uma das principais cidades alemãs, o sindicato informou a adesão de 10 mil trabalhadores nesse dia.
Outra categoria que está em luta são os pilotos da Lufthansa, empresa de aviação e transporte, que ameaçam a direção da empresa com a maior greve de sua história. A mobilização, que a principio estava marcada para o dia 22 de fevereiro, foi adiada para o dia 8 de março. A greve custará à empresa, caso as reivindicações não sejam aceitas, um prejuízo de 25 milhões de euros, além de gerar um desgaste à imagem da empresa, com o cancelamento de voos.
Mesmo se tratando de uma categoria com altos salários, relativamente, a mobilização foi maciça, tendo a adesão de 94% dos funcionários, segundo sindicato da categoria. Os trabalhadores da aviação reivindicam 6,4% de aumento e melhores condições de trabalho, já que a qualidade caiu muito desde a crise que arrebatou também o setor de aviação civil, com a queda da demanda por passagens e dos investimentos.
Trabalhadores do mundo todo devem responder com uma só voz: que os ricos paguem pela crise!
O que fica evidente é que, mesmo com os trabalhadores em países ricos tendo alguns benefícios a mais que os trabalhadores dos países pobres, os países do chamado "Estado de bem-estar social" estão cada dia com suas conquistas sociais mais ameaçadas, fazendo com que tudo aquilo que foi conquistado ao longo de décadas, e em especial no pós 2a Guerra Mundial, seja retirado.
A realidade da classe trabalhadora, apesar de em cada lugar existirem suas peculiaridades, é sempre a mesma. Os índices salariais são diferentes, mas a exploração existe em todas as categorias; todos trabalham em situações mais cansativas e a maior parte daquilo que se produz vai para uma minoria que detém todas as riquezas.
A crise mundial veio acelerar este processo, e é um dever de todos os trabalhadores, independente de nacionalidade, lutar com todas suas forças para derrotar a burguesia e todos os ataques que ela promove. A Alemanha, França e Grécia têm se juntado aos países pobres, em que as lutas já derrubaram governos e têm se multiplicado nos últimos anos. Este é o momento de unificar estas lutas sob a mesma bandeira de fim do capitalismo, e por uma vitória socialista dos trabalhadores.
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