Publicado em 10/10/2010

2010: mais um ano sangrento para os jornalistas.

A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-Ifra) divulgou recentemente um relatório anual sobre a liberdade de imprensa. E, como sempre, se demonstra que essa liberdade não é tanta assim.

Os ataques aos jornalistas são praticamente diários, muitas vezes fatais. Já houve mais de 56 mortos somente este ano. Os repórteres muitas vezes são ainda presos em julgamentos manipulados. O relatório, por mais que a WAN-Ifra não seja uma organização confiável, e represente a visão burguesa dos donos dos meios privados de comunicação, aponta que em meados de setembro, 120 deles estavam presos sem justificativas e motivações.

Os trabalhadores da imprensa são alvos constantes dos governos e empresários que não têm interesse de que sejam noticiados os absurdos que são cometidos nos diversos países do mundo. Mesmo que os donos de empresas jornalísticas sejam movidos por seus interesses particulares, são os trabalhadores de seus veículos de comunicação que são punidos ou vítimas de todo tipo de violência.

Os traficantes, por exemplo, têm sido um dos principais algozes desses trabalhadores, principalmente no México, onde os cartéis de drogas comandam suas mortes.

Mas os países que somam maior número de jornalistas mortos são os conhecidos lugares mais inseguros do planeta. Além do já citado México, vítima de um governo atrelado aos traficantes, e fantoche dos EUA; ainda temos os dois países ocupados pelo governo norte-americano, que são os lugares onde mais se mata trabalhadores da imprensa: Iraque e Afeganistão. 17 jornalistas foram assassinados desde 2001 quando se iniciou a ocupação do Afeganistão, por exemplo.

Enquanto isso, o Iraque é o país mais mortífero para repórteres em todo o mundo. Foram 172 mortos desde ocupação em 2003.

São conhecidas as mortes que o próprio exército dos EUA ocasionou. Inclusive um repórter da Reuters, conhecida agência de notícias, que, quando acompanhado por um motorista, foi atingido por projétil disparado por um helicóptero norte-americano em meados de 2007.

Estes trabalhadores, apesar de serem funcionários de grupos editoriais que possuem interesses coorporativos, que manipulam as notícias conforme os interesses de seus grupos e seus aliados; fazem busca de informação no campo e ficam expostos aos perigos vividos pelas pessoas nas regiões.

Nem todos os jornalistas mortos eram ativistas dos direitos humanos ou sequer profissionais que merecessem algum respeito, como tenta passar o relatório, num tom de "mártires" vítimas da violência em nome da informação. No entanto, por piores que fossem alguns dos jornalistas mortos, e que nem todas suas mortes possam ser lamentadas da mesma forma, o número absurdo de atentados mostra um pouco da terrível situação de agressões que o povo trabalhador comum sofre no ano inteiro.

Cada conflito que estes jornalistas narram, fotografam e informam são retratos de um capitalismo que precisa de guerra para continuar vendendo armas, precisa ocupar para continuar a lucrar, e precisa de mortes para amedrontar.

Na sua maioria, estes repórteres foram mais algumas das vítimas de inúmeros conflitos, em que os trabalhadores são mortos às centenas.

O capitalismo vai seguir matando populações, e repórteres. Os conflitos seguirão, as guerras continuarão sendo financiadas por grandes empresas, inclusive pela mídia, que precisa de notícias para vender seus produtos. Esta constatação deve servir para que vamos além do relatório da associação de imprensa, que pede mais segurança aos jornalistas: o que é preciso é o fim das guerras, o que, por sua vez, só pode ocorrer com o fim da miséria, da exploração e do capitalismo, que as gera.

Enquanto isso, seguimos assitindo a uma carnificina, na qual a dúvida que resta é se 2010 conseguirá ultrapassar o 2009 sangrento para os repórteres, que somaram 99 mortos.

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