Publicado em 11/01/2010

Depois do muro de Israel isolando a Cisjordânia, agora é o muro do Egito isolando Gaza

A realidade do povo palestino não para de piorar. Mesmo com a mudança no discurso da ONU, de que é necessária a construção de um Estado palestino, e Obama discursando seguidamente que é contrário aos assentamentos judeus na Cisjordânia, ambas as coisas não mudam. Obama é contra os assentamentos, porém não move uma palha para impedir Israel de fazê-los, e a ONU a mando do imperialismo chefiado pelos EUA, nunca irá conceder território alguma para o povo palestino.

Motivos para a revolta do povo árabe não faltam, e agora devem aumentar ainda mais, já que, além de lutar contra as políticas semi-nazistas que Israel e os EUA aplicam na região, devem lutar também contra “aliados” religiosos e históricos, como o governo do Egito.

        Esse governo agora começa a construção de um túnel subterrâneo que cobrirá uma extensão de terra de 14 km correspondente à divisa entre Egito e a Faixa de Gaza. Será construído cerca de 20 metros abaixo do solo a fim de fechar túneis que servem para escoamentos de produtos de um país ao outro. O muro, projetado pelo exército americano, e vergonhosamente pago por Israel, além da barreira de aço, que resistirá inclusive a explosões, conterá, conjuntamente, dutos de água para inundar e matar afogado aqueles que tentem a construção de novos túneis. É um crime do início ao fim, com requintes de crueldade nunca vistos.

        Essa fronteira representa a única fonte de produtos a que os palestinos têm acesso, além daquilo enviado pela “ajuda” humanitária. Nesses territórios, não existem indústrias, pois tudo foi destruído por Israel; a energia é controlada pelos territórios israelenses; até mesmo serviços como água, podem ser cortados ao gosto do governo judeu. Além de ter que conviver com essa absurda realidade, a população palestina agora terá disponível menos ainda do pouco que resta.

As máquinas, os carros, os produtos industrializados, os combustíveis; tudo aquilo que faz com que uma população sobreviva, como mínimo, está ameaçado. E até mesmo os armamentos que ajudam os palestinos a responderem aos ataques de Israel, podem diminuir consideravelmente, deixando essa população já exposta, ainda mais vulnerável e indefesa. A cada dia que passa, os palestinos são ainda mais espremidos em seus territórios, fazendo com que a perspectivas de uma vida digna fique cada vez mais longe do horizonte. 

Antes dos últimos ataques israelenses, no início de 2009, existiam de 1500 a 3000 dessas passagens subterrâneas. Após os ataques sofridos, restaram somente menos de 200. Para quem tem ainda dúvida se Obama mantém compromissos com o Estado sionista, aqui acabam as dúvidas. O trabalho que Israel começou, Obama terminará.

O Egito é o verdadeiro “amigo da onça”. No início do ano, quando se iniciou a ofensiva israelense contra a Palestina, o governo egípcio, correu para demonstrar sua servidão aos EUA e Israel, bloqueando os túneis, e assim impedindo de chegarem armas do outro lado da fronteira.

Logo, o Egito é cúmplice direito do genocídio que foi promovido nos territórios cercados. Mas, para tentar se “redimir” com as organizações palestinas, em meados de 2009 foi responsável por intermediar conversas entre o Fatah, que controla a Cisjordânia, e o Hamas, governo de Gaza, para a tentativa de construir uma unidade entre as direções palestinas. Contudo, mesmo dialogando com os representantes árabes, a conversa que mais teve influência sobre o governo egípcio foram as ordens do governo de Barack Obama. O imperialismo manda fechar definitivamente as fronteiras, e o governo egípcio, capacho do imperialismo aplica sem hesitação.

A luta dos palestinos a cada dia fica mais dura, porém mais clara em relação aos inimigos. Os trabalhadores palestinos devem incondicionalmente rechaçar as atitudes do governo egípcio e o encarar como mais um inimigo, tão nocivo quanto os EUA e Israel.

Suas direções, Fatah e Hamas, acabam cometendo diversos equívocos, e quem acaba pagando pelas consequências são os trabalhadores pauperizados. Por isso que, a cada dia, fica mais clara a necessidade de organizar um forte movimento revolucionário nos territórios, para consequentemente lutar contra a opressão que a população enfrenta.

Os trabalhadores da Palestina não podem contar com o apoio de nenhuma dessas direções que atualmente os governam e que, seguidamente, capitulam a pressões internacionais e da burguesia nacional. O objetivo desse povo deve ser pelo fim incondicional do Estado de Israel, pela construção de Estado palestino, laico e não racista, que consiga abrigar também o povo judeu e demais povos.

Mas, para esse objetivo ser conquistado, somente com a luta armada direta, contando com a solidariedade de classe dos trabalhadores ao redor do mundo e avançando na construção de uma sociedade igualitária, justa e laica, somente obtida no socialismo.

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!