Publicada em 03/10/2007


ALGUMAS LIÇÕES SOBRE AS MOBILIZAÇÕES EM MYANMAR...
PROTESTOS EM Myanmar RESULTAM EM MORTES E PRISÕES.

            Desde o meio de agosto o mundo assiste aos protestos protagonizados pela população de Myanmar (antiga Birmânia, país asiático próximo da Índia). A razão da onda de mobilizações, que conta com passeatas com cerca de 100 mil pessoas, é o decreto que eleva os preços dos combustíveis, refletindo no aumento do preço dos bens da cesta básica.

            As manifestações contaram com a liderança de Monges budistas e, coerentemente com os ensinamentos de tal filosofia de vida, foram organizadas para que o pacifismo caracterizasse as marchas. Porém o governo birmanês reprimiu violentamente os manifestantes acabando com a intenção budista de realização de marchas com o método da não-violência.
Myanmar é governada por uma Junta Militar há 45 anos. Desde 1990 não existem eleições parlamentares no país, quando o partido oficial perdeu as eleições para a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi, considerada pela Junta militar uma fantoche do imperialismo. Suu Ky foi presa diversas vezes e está em prisão domiciliar desde 2003. Agora o governo birmanês acaba de prorrogar sua pena.
Os confrontos já deixaram mais de 200 mortos e cerca de 6 mil detidos. Segundo a Rádio “Voz Democrática de Mianmar”, cerca de 1.900 pessoas, entre elas monges, freiras budistas, estudantes e civis, estão presas em uma escola técnica de Insein, próxima à prisão de mesmo nome, ao norte de Yangun.

            Entre os prisioneiros, de acordo com a rádio, há monges de entre 16 e 18 anos e noviços de 5 a 10 anos, que, assim como as freiras budistas, foram obrigados a vestir roupas civis.

QUE DEMOCRACIA DEFENDEMOS?

            O Movimento Revolucionário se coloca ao lado da população de Myanmar que vem sendo violentamente reprimida pelo governo local. Ao mesmo tempo em que apoiamos essa luta é preciso denunciar que o discurso feito pelo imperialismo em nome da democracia e da liberdade dos povos é uma farsa e tem o mesmo objetivo do discurso feito pelo EUA antes de ocupar o Iraque: aumentar a influência política, econômica e militar sobre o país para controlá-lo diretamente ou indiretamente. Ninguém mais acredita na suposta boa vontade do imperialismo em “democratizar” algum país no mundo. Os trabalhadores do mundo inteiro já entenderam que esse discurso está a serviço da guerra, do aumento do controle e da exploração sobre os povos. Caso a ditadura de Mianmar seja substituída pela “democracia” defendida pelo imperialismo, não se terá vitória histórica alguma nesse país.

            Nesse sentido, a luta contra a Junta Militar de Myanmar não pode estar a serviço da reconstrução da democracia defendida pelos EUA. Hoje, na atual fase do capitalismo, só existe uma forma de democracia que não seja uma ditadura velada contra os explorados: é a democracia dos trabalhadores e dos povos oprimidos. Por isso é preciso derrubar a Junta Militar e construir um governo socialista em Myanmar, controlado pelos organismos que os trabalhadores desenvolvem em luta.

A QUEM SERVE O PRINCÍPIO DA NÃO-VIOLÊNCIA?

            Infelizmente os Monges budistas não serão capazes de dirigir esse processo em função do princípio da não-violência. Portanto, a revolução socialista em Myanmar só poderá ocorrer na medida em que os trabalhadores desse país percebam que a “não-violência” serve para que o governo aumente a violência contra eles, até os massacrarem completamente. São os trabalhadores e o conjunto dos explorados que devem assumir a direção do processo. Assim, os protestos pacíficos e reprimidos de hoje podem se converter em uma luta com o método da classe trabalhadora, com greves e organizações por local de trabalho, com a determinação e a violência revolucionária organizada, para derrubar o governo local e qualquer força “democrática” que atue a serviço do imperialismo. A violência revolucionária das massas é o único método possível de defesa dos povos oprimidos.  

- DERROTAR A JUNTA MILITAR E CONSTRUIR UM GOVERNO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES E EXPLORADOS DE NIANMAR

- CONTRA O DISCURSO EM DEFESA DA “DEMOCRACIA E DA LIBERDADE” FEITO PELO IMPERIALISMO!

- PELA SUPERAÇÃO DO MÉTODO DA “NÃO-VIOLÊNCIA”. É NECESSÁRIO A ORGANIZAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES PARA DERROTAR A JUNTA MILITAR E ACABAR COM A REPRESSÃO.

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