Paz dos cemitérios: Obama é o Nobel da Paz 2009 enquanto dá andamento a 2 guerras.
A entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2009 ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, surpreendeu muita gente.
O comunicado, feito na Noruega no dia nove desse mês, gerou críticas de um lado, e elogios de outro.
Os críticos apontam que Obama, presidente em exercício há quase nove meses, não teria feito nada de concreto para merecer o prêmio (equivalente a US$ 1,4 milhão). É claro que a grande repercussão gerada pelos “nobeis” se dá mais pelo seu simbolismo do que pela quantia em dinheiro recebida. Independente do valor, portanto, a premiação a Obama tem por finalidade respaldar sua administração.
Mas a maior crítica recebida veio da população vítima das guerras de Obama no Iraque e Afeganistão. Ao redor do mundo, e com muita força também na América Latina, através inclusive do presidente boliviano, Evo Morales, a contradição de se premiar um presidente que atira milhares de soldados contra civis foi ressaltada. Todos questionaram a validade de um Nobel da Paz ser entregue a um presidente que envia soldados e reforça o contingente militar em países ocupados,depois de mentir que acabaria com as guerras.
Ainda teve gente que aplaudiu
O Comitê Nobel referendou sua decisão, afirmando que Obama promoveu "esforços extraordinários para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", além de um importante trabalho por "um mundo sem armas nucleares".
Quanto aos elogios recebidos pelo premiado, um deles foi um tanto que surpreendente. Partiu do ex-presidente cubano, Fidel Castro.
Em um artigo publicado na página da web cubadebate.cu, Fidel afirma que a entrega do prêmio a Obama trata-se de uma “medida positiva” destinada a criticar “a política genocida” de muitos dos antecessores do norte-americano.
Já Lula, que disse que Jesus se aliaria a Judas nesta semana, foi muito menos contido na sua exaltação. Afirmou que o Nobel estava “em boas mãos”, pois se trata de um presidente que “anunciou medidas importantes para conter o armamento nuclear” e que isso, certamente, “fez com que os homens dessem o prêmio para ele”.
São tantos absurdos que mal sabemos por onde começar.
Um prêmio ao imperialismo assassino
Na verdade, a primeira questão a ser levantada tem a ver com o significado dessa premiação. O Nobel é entregue a pessoas que, dentro da lógica -e moral- burguesa, se destacam em suas áreas. Podem não ter feito nada concretamente, desde que tenham anunciado uma cartilha de “boas intenções”. Nesse sentido, os debates levantados por Obama, aparentemente divergentes do truculento e belicista George W. Bush, foram realmente marcantes, ainda que apenas da boca para fora. E o Nobel não exige mais que isso.
O Nobel já premiou o ex-presidente da África do Sul racista e semi-nazista, Frederik De Klerk, que esteve no processo de fim do apartheid. Algo como premiar o ditador Ernesto Geisel, do Brasil, por supostamente ter conduzido a abertura. O Nobel também já foi para o racista e sionista Yitzhak Rabin, líder de Israel, o que foi um escárnio aos milhares de mortos e milhões de refugiados palestinos. Obama, portanto, mesmo à frente de 2 guerras, não é uma exceção do Nobel, onde há gente muito pior.
Obama, ainda que não tenha apresentado um programa de governo oposto ao de Bush, levantava uma imagem mais conciliadora e pacífica, no estilo “capitalismo humanitário”. Foi o suficiente para conquistar fãs pelo mundo inteiro, e ser reconhecido pelo Nobel por isso, cumprindo seu papel, por enquanto, de atenuar as críticas ao imperialismo, que, de conteúdo, segue o mesmo.
Quanto aos comentários, Evo Morales, para ficar bem com o pensamento dos milhões de trabalhadores e estudantes críticos dos EUA, acabou sendo o mais acertado -ainda que tardiamente-. Se premiam Obama, apesar de manter e investir nas guerras de ocupação, por que não premiaram Bush também?
Já Fidel, mesmo fora do palanque principal, consegue ser o destaque negativo. Por sua trajetória de guerrilheiro revolucionário -ainda que adaptado e burocrata-, esperava-se uma postura menos “amistosa” (para dizer o mínimo).
Assim, estão certos os que dizem que Obama não promoveu nenhuma grande mudança na ordem mundial para merecer um prêmio desses. Mas quem dos anteriormente premiados fez?
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