Ofensiva no Afeganistão: a guerra imperialista começada por Bush continua com Obama
Obama foi eleito em 2008 sendo o candidato da mudança. Um presidente que tentaria limpar o passado recente dos EUA, já que, na gestão de Bush, fizeram com que o resto do mundo todo se revoltasse com as políticas externas adotadas pela potência imperialista. Tanto com o FMI e o Banco Mundial roubando o dinheiro dos países pobres, como com o exército norte-americano matando milhares de trabalhadores de países onde haviam ordenado a invasão militar.
Em meados de fevereiro, uma das maiores ofensivas militares no Afeganistão, desde o início da invasão em 2001, intitulada de “mushtarak”, levou 15 mil soldados da OTAN a combater em cidades rebeldes - Marjah e no distrito vizinho Nad Ali - onde seriam os últimos redutos dos Talibãs.
Nesta intervenção militar, que foi comparada pelos próprios militares norte-americanos à intervenção na cidade de Fallujah, ordenada por Bush em 2004, e que foi uma carnificina num dos últimos frontes onde a Al-Qaeda ainda estava estruturada. Agora, Obama repete o feito.
Com todo o poderio militar envolvido, o exército de Obama e seus aliados têm como objetivo enfraquecer o Talibã, deposto em 2001 com a chegada dos EUA, prendendo e matando seus componentes e principalmente seus líderes. Somente nos dois primeiros dias do ataque, foram mortos 35 militantes da organização islâmica, e houve outras tantas prisões, dentre elas a do principal líder militar.
Quem sempre acaba sendo atingidos são os trabalhadores
Mas apesar das armas estarem apontadas contra o grupo radical islâmico, milhares de civis estão sendo afetados com a nova ofensiva. Houve uma debandada massiva de refugiados para o Paquistão. O governo desse país, por ser capacho do imperialismo, está fortalecendo as barreiras nas fronteiras, para impedir que toda essa massa que busca ficar fora da mira das metralhadoras americanas possa entrar no país.
Mesmo com o discurso de que os EUA estão no país com fins de garantir a democracia e acabar com os redutos rebeldes, as tropas de Obama fazem o emsmo que as de Bush: acabam matando muitos inocentes. Um exemplo foi uma explosão de um foguete lançado pela OTAN que, ao invés de atingir os talibãs, acabou matando 12 civis.
Mesmo com toda forte ofensiva existente, há certa dificuldade dos militares em avançar com rapidez. Segundo declarações de generais, eles levarão dois meses para “dominar” a área, o que expressa a dificuldade política de derrotar um inimigo que tem muito mais que armas precárias e combatentes desnutridos: tem a população em massa dando cobertura às ações contra os invasores.
Assim, apesar de toda a força que as tropas possuem, o Talibã, com seus 2 mil combatentes, segundo os próprios afegãos, impõe um enorme desgaste ao exército americano, usando armadilhas para retardar a ofensiva,. Principalmente, porém, esta capacidade de resitência diante de uma invasão imperialista, se dá pelo papel da população, que em uma parte significativa fica ao lado dos talibãs, e outra parte ao menos se solidariza com o combate à ocupação.
Obama aposta em nova tática, para não cometer mesmos erros de Bush
Após a aprovação do aumento no orçamento para a guerra imperialista promovida por Obama no Oriente Médio, os EUA mostram para que fim havia aumentado o orçamento para 320 bilhões de dólares, entre as duas principais frentes militares, Iraque e Afeganistão.
A recente investida militarista vai ao encontro da necessidade do imperialismo de implantar um governo fantoche dos EUA para continuar sua dominação, mas com a presença mínina de tropas, a exemplo do que ocorre no Iraque, que teve seu contingente de soldados diminuídos.
Obama sabe que irá se desgastar da mesma maneira que Bush, se continuar sua ofensiva tendo como eixo principal o deslocamento massivo de tropas aos países dominados. Por isso, aposta em outra tática, de manter somente o número mínimo de militares para garantir a dominação das populações dos países e de terceirizar a repressão às forças nacionais que ele treina, sob a supervisão de dirigentes oportunistas cooptados.
Por isso, o imperialismo aposta hoje na intervenção militar “democrática”, que de democrática não tem nada, mas que se obriga a ser combinada com a simulação de legalidade, eleições e soberania, tudo, evidentemente, de fachada.
Ou seja, com armas em punho impõe um governo totalmente alinhado com o governo dos EUA, para garantir que todas as riquezas dos países dominados vão para as mãos do país dominador. É uma combinação do bastão com a aparência de democracia burguesa, o que só pode se dar pela submissão das lideranças islâmicas, integradas ao regime de ocupação, em troca de partes do novo governo.
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