Disputa no Partido Democrata marca tentativa
de limpar a imagem do imperialismo Ianque
O imperialismo norte-americano encontra-se em um verdadeiro atoleiro no Iraque. Como se não bastassem as centenas de soldados mortos em combate, a pressão interna nos EUA para trazer de volta as tropas militares, o país segue sem conseguir a tão almejada “estabilidade”. Homens bombas explodem nos quatro cantos do país e a Casa Branca não consegue contornar esta situação, que piora a cada dia que passa. A lição ficou bastante clara: mesmo a maior potência econômica e militar do planeta não é invencível. O debate sobre a retirada das tropas se acirra no Congresso Nacional dos EUA e a burguesia imperialista começa a mexer as peças do tabuleiro.
É neste cenário que a imprensa mundial acompanha as prévias do Partido Democrata entre Hillary Clinton e Barack Obama. Há por trás de toda esta politicagem uma tentativa de “inovar” o já desgastado cenário político americano. Uns exaltam as qualidades de uma possível primeira presidente mulher da História dos EUA, outros proclamam que a ficção virou realidade e existe a possibilidade de um negro se tornar presidente (tal como o seriado 24 Horas, onde um homem negro é o presidente).
Eles são todos iguais: eles são todos imperialistas!
Que a imagem de Bush já é odiada e desgastada no mundo inteiro, não é novidade para ninguém. Assim como as instituições da democracia burguesa no Brasil procuram uma forma de tentar moralizar o Congresso, o Estado e as eleições, a burguesia ianque aposta no mesmo jogo de cartas marcadas. Só que lá a aposta é diferente. A tentativa de mostrar uma cara mais “humana” para o imperialismo é nítido, visto as últimas atrocidades e genocídios cometidos por este para resguardar seus interesses capitalistas.
Seja quem for o vencedor das prévias do Partido Democrata – Hillary Clinton ou Barck Obama – nada irá mudar. Não é o fato de mudar Bush por um homem negro ou por uma mulher que a estrutura política do imperialismo se alterará. A verdadeira mudança passa pela luta do movimento operário junto aos setores oprimidos dos EUA, que lute pela expropriação das multinacionais nos países explorados do terceiro mundo e pela construção do socialismo, tanto nos EUA como no mundo todo. No lado dos Republicanos, a aposta é o prefeito de Nova York Rudy Giuliani. Este ficou conhecido por levar a cabo a operação “tolerância zero” contra a violência. É algo parecido as práticas nas favelas cariocas, onde se matam traficantes, ladrões, trabalhadores, estudantes, desempregados, crianças e etc., sem distinção de cor, idade ou sexo.
Seja Hillary ou Obama, Partido Republicano ou Democrata, tudo seguirá exatamente igual. A Construção do Movimento Revolucionário adverte: nenhuma confiança em nenhum dos dois partidos e muito menos em Hillary ou Obama. Afinal, eles são todos imperialistas e defendem a burguesia ianque, independente do sexo ou da cor da pele.
Os trabalhadores americanos na rua é a única solução
A imprensa burguesa mundial já comenta que estas eleições serão históricas. Se fala em ampliar a democracia trazendo a tona outros partidos menores, quebrando a tradição Republicanos X Democratas. Somente haverá democracia quando os trabalhadores e os negros da periferia se mobilizarem numa luta implacável contra o capital imperialista.
Por fim, é mais do que fundamental a construção de um grande partido revolucionário dos trabalhadores nos EUA que apontem para uma saída classista. Somente dessa forma poderemos retirar as tropas do Iraque, expropriar o capitalismo imperialista, organizar desde a base os milhares de trabalhadores, construir o socialismo e, de fato, dar voz aos negros e as mulheres.