Obama aumenta orçamento para impedir imigração ilegal.
Obama criticou a lei contra a imigração proposta pela governadora do Arizona, Jan Brewer, que se tornou um emblema do endurecimento das leis contra os imigrantes.
A lei propunha que qualquer suspeito de imigração ilegal tivesse que apresentar documento de identidade, e, se estivesse sem documento, iria ser encarcerado, numa medida claramente racista e totalitária. (leia matéria completa).
Obama criticou essa proposta de lei, e foi bem visto por isso, por supostamente defender os imigrantes contra o preconceito. Mas ficou claro que esta posição existiu por um motivo: grande parte dos imigrantes legais, que possuem direito a voto, deram apoio à Obama nas últimas eleições.
Somente este foi o motivo, já que Obama não defende os interesses dos imigrantes, sejam legais ou legais. A prova disso é que, no último dia 14, foi à votação com urgência, interrompendo inclusive o recesso dos senadores, um projeto de ampliação no orçamento destinado ao controle da fronteira com o México.
O projeto-lei apresentado pelo senador do Partido Democrata, o mesmo de Obama, Charles Shumer (pelo estado de Nova Iorque), liberou 600 milhões de dólares para reforçar a segurança com o México.
O orçamento será destinado para a contratação de mil agentes para a patrulha fronteiriça, 250 agentes para o Departamento de Imigração e outros 250 funcionários para a Alfândega. A verba restante será destinada à compra de equipamento de telecomunicações e aviões não tripulados de vigilância, e ainda para o FBI, a Polícia Federal dos EUA, em departamentos de controle de drogas e armas de fogo.
Lei é aprovada para combater o tráfico de drogas. Mas esse não é objetivo único
Para justificar o gasto extra, foi usado o pretexto único de reforço na segurança para combater o narcotráfico entre os dois países, já que a entrada de quase todas as drogas que ingressam nos EUA é feita pela fronteira mexicana. Este foi o argumento oficial...
Porém, o que se falou na prática sobre o assunto, e que levou à pressa com que se encaminhou o projeto, diz respeito a outro problema, que já assusta o governo norteamericano: os imigrantes ilegais – que entram obviamente por essa fronteira.
Em anos anteriores, isso não era motivo para tirar o sono dos políticos do país. Mas, desde que a crise acertou em cheio a economia norteamericana, os imigrantes passaram a ser um grande problema.
Anteriormente, eram parte da solução, pois são trabalhadores sem direito algum, que podem ser superexplorados com baixíssimos salários, a um nível tão baixo que mesmo o trabalhador norte-americano mais pauperizado ainda é caro em comparação com o imigrante latino.
Entretanto, com a crise, o desemprego aumentou drasticamente, e, agora, os ilegais tiram o emprego daqueles que antes tinham empregos com melhores salários, mas agora se dispõem a trabalhar por muito menos, assumindo postos de trabalho com menor remuneração.
É daí que surge a esdrúxula lei do Arizona, que, na essência, é reflexo da mesma visão que levou ao recente aumento no orçamento para controlar a fronteira com o México. Ambos projetos, embora pareçam distintos e apenas o primeiro tenha gerado tanta revolta, propõem a mesma coisa: atacar os latinos, como inimigos do emprego americano.
Esse aumento da repressão agrada tanto aos Democratas, o partido de Obama, quanto aos Republicanos, de Bush e John McCain, o concorrente de Obama durante as últimas eleições, que se disse entusiasma desta iniciativa.
Obama deve ter inclusive agradado, e muito, a Jan Brewer, a governadora do Arizona, a qual Obama havia criticado por sua lei, mas que se vê fortalecida por iniciativas como a do aumento orçamentário à repressão.
Infelizmente, é mais uma demonstração de que Obama, em relação aos ataques aos trabalhadores, é idêntico a todos os outros políticos norteamericanos, que só defendem o direito da burguesia imperialista.
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