Publicado em 02/02/2009

De Bush a Obama: uma nova forma para o mesmo conteúdo.

            Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama está se esforçando para vender uma imagem oposta à de Bush. Essa tática, já utilizada em toda campanha eleitoral, é, no mínimo, sensata, pois reconhece o ódio que existe no mundo inteiro contra a política do republicano conservador.

            Entretanto, as primeiras medidas de Obama expressam exatamente o papel que este novo governo vai cumprir, o de utilizar uma forma mais “light”, menos truculenta, para, na verdade, dar continuidade à mesma política imperialista norte-americana. Ou seja, onde for possível, Obama vai inclusive fazer coisas diferentes de Bush, aparentemente mais progressivas, porém, no essencial, a realidade seguirá igual.

            Foi nessa lógica que o democrata anunciou o fechamento da prisão de Guantánamo, em território cubano. Conhecida no mundo inteiro pela utilização dos mais diversos e cruéis métodos de torturas, físicas e psicológicas, foi a prisão mais usada por Bush para prender os “possivelmente” ou “prováveis” terroristas.

            Além de Guantánamo, Obama deu início à legalização da pesquisa com células tronco, proibida e condenada pelos republicanos e pela Igreja católica. Anunciou a igualdade salarial entre homens e mulheres, se posicionou a favor do direito do aborto, entre outras coisas.

            Já no que é o essencial da política norte-americana, como a solução diante da crise econômica e a intervenção militar no Oriente Médio, o novo presidente mostra que é, de conteúdo, igual a Bush. Ao mesmo tempo em que acorda com a oposição republicana a aprovação do pacote bilionário de ajuda aos bancos e montadoras que estão demitindo milhares de trabalhadores, reafirma que a luta contra o terrorismo será prioridade – leia-se, a guerra no Afeganistão será intensificada – e deixa claro que o Estado de Israel, assassino e genocida, é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio.

            Se Obama fosse diferente, iria retirar imediatamente as tropas do Iraque e Afeganistão, ajudar o povo palestino na sua luta por soberania e liberdade, ajudando a destruir o Estado sionista de Israel. Garantiria estabilidade no emprego aos trabalhadores e estatizaria, sem indenização, as empresas, ao invés de gastar bilhões com quem demite e explora.

            Se alguma coisa está clara nos primeiros dias de governo de Barack Obama é que ele tenta fingir que é diferente, mudando algumas coisas que até são importantes, mas que não interferem diretamente no cotidiano da classe trabalhadora, como o caso de Guantánamo, ao mesmo tempo em que reafirma o papel imperialista exercido pelos EUA contra seus trabalhadores e os povos do mundo inteiro, como a ajuda bilionária às empresas, o arrocho dos salários e o corte de direitos dos trabalhadores e as bombas disparadas no Iraque e Afeganistão.

            O silêncio de Obama diante do genocídio contra Gaza, as primeiras bombas atiradas contra muçulmanos, sua cumplicidade com as demissões em massa que ocorrem no seu país, junto com a defesa que faz dos banqueiros e grandes empresas, são superiores ao fechamento da base de Guantánamo e qualquer uma de suas medidas vendidas como “progressivas”. Isso tudo, em tão pouco tempo, já faz com que seja necessário levantar a bandeira de oposição a esse governo e preparar a luta para sua derrota.

 

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