Publicado em 09/02/2009

Obama-Bush seguem dando todo dinheiro que podem aos banqueiros

A decisão do governo dos Estados Unidos de destinar ainda mais vários bilhões de dólares ao Citigroup e Bank of America é mais uma medida escandalosa de enriquecimento dos grandes capitalistas com dinheiro público. No recente pacote proposto ao Congresso americano, de mais de 900 bilhões de dólares, Obama deixa claro seu compromisso em garantir os lucros dos baqueiros americanos, às custas do dinheiro do orçamento público.

No caso do Citigroup e do Bank of America, o governo americano fez o que se denominou como uma espécie estatização, já que o governo passou a controlar parte das decisões dos bancos.

Os bancos reformularam suas direções, eliminaram bonificações de executivos, cortaram empregos e cancelaram convenções. Ainda serão forçados a fornecer informes mensais mostrando que elevaram a concessão de créditos e a diminuir a distribuição de dividendos durante três anos. Para alguns analistas burgueses, isso seria a prova da estatização: "Quando o Tesouro diz a um banco para pagar um centavo por ação em vez do dividendo antigo, sabe-se quem é que manda", observou Jon Bruss, fundador da Fortress Partners Capital Management Ltd., gestora de recursos de Wisconsin, que tem investimentos em bancos. "Pode não ser uma estatização de direito, mas é uma estatização de fato."

Caso fosse uma estatização de verdade, isso significaria que o Estado teria assumido o controle acionário dos dois gigantes bancários. Isso significa, além de conselhos, dar ordens aos bancos, e, principalmente, tornar públicos os lucros dos bancos. Nada disso aconteceu. O que está se passando é uma transferência inaceitável de recursos da população a um punhado de executivos por trás de bancos riquíssimos, que estão aproveitando a crise para lucrar ainda mais. As medidas do governo apenas impõem pequenos limites, regulando o grau dos privilégios exercidos pelos administradores dois dois bancos.

A crise não tem como ser contida sem enfrentar a burguesia

Em outras iniciativas, governos europeus efetivamente estatizaram empresas bancos, como o bilionário Royal Bank of Scotland (RBS), com 70% das ações nas mãos do governo, agora. No entanto, mesmo estas medidas, á medida que o governo compra os bancos por valores astronômicos, não resolvem a crise. Estas estatizações são excelentes negócios para os banqueiros ameaçados de falência e péssimas para os trabalhadores. A estatização se dá por dentro e a serviço do capitalismo, sem que os trabalhadores tenham qualquer controle sobre ela.

No caso do Citigroup e Bank of America, sequer isso Obama fez. As ações, que caíram mais de 50% no ano, com receio de que uma fiscalização mais rígida do governo esteja se aproximando, podem ser salvas pelo governo. Depois que a ajuda inicial concedida pelo Tesouro dos EUA em outubro não ter sido suficiente para proteger o Citi e Bank of America, os dois bancos voltaram em busca de mais capital e de garantia para centenas de bilhões de dólares em casos de inadimplência.

O Citigroup precisou de US$ 20 bilhões em novembro, além da injeção anterior de US$ 25 bilhões, o que, somado, não foi suficiente para evitar que a empresa se dividisse em duas, após anunciar prejuízo recorde em 15 de janeiro. O banco teve mais de US$ 50 bilhões em perdas ao longo do último ano e precisou ser resgatado pelo governo dos EUA em novembro. No mesmo dia, o Bank of America recebeu US$ 20 bilhões para cobrir perdas relacionadas à Merrill Lynch, valor que se somou aos US$ 25 bilhões que estas duas instituições haviam recebido, juntas, em outubro.

Até mesmo analistas burgueses, que observam a insuficiência das medidas do governo EUA, como William K. Black, que foi advogado do Federal Home Loan Bank de San Francisco, admite que seria melhor se o Tesouro assumisse o controle das companhias. Para ele, ao evitar a estatização dos bancos, o governo desperdiça dinheiro. Outro ex-economista do Tesouro, Kevin Jacques, diz que a política de estatização como regra seria preferível à atual estratégia de lidar caso a caso. "Quando se assume uma política de estatização, pelo menos se cria certo grau de certeza, porque se sabe que o governo respaldará essas instituições".  Agora, "é como se fosse um tipo esquisito de estatização parcial", afirmou.

Na Europa, se foi mais adiante na política de estatização; no entanto, as confirmações de recessão em todo o continente e zona do Euro deixam claro que nem assim se pode evitar a crise, sem que se exproprie a propriedade burguesa, e sem que se planifique a economia. 

 

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