Publicado em 23/01/2010

Na hora em que mais precisava, Obama perde popularidade

        Depois de um período de grande euforia com a eleição de Barack Obama, que foi propagandeado como se a grande mudança houvesse chegado, para administrar o imperialismo e mudar seu rumo agressivo, este governo perde popularidade entre a população nos EUA.

Obama conta, hoje, com menos de 50% de aprovação. Comparado há alguns meses atrás, isso é bastante coisa! Ele ainda consegue manter um índice de aprovação superior a quando Bush saiu da presidência, o que não é parâmetro, dada a desmoralização histórica de Bush, e essa queda em sua popularidade é provocada pela experiência negativa que a população no país e no mundo todo está fazendo com este governo. Crescem, com isso, a desilusão, a decepção e a oposição a Obama, identificando nele grandes semelhanças com o governo anterior.

        Ao mesmo tempo em que perde popularidade, Obama sofre um revés no Senado, onde o Partido Democrata tinha maioria absoluta, e agora ela foi questionada, pois os republicanos conseguiram eleger Scott Brown na eleição para uma vaga no Senado, por Massachusetts.

Situado no nordeste do país, a região mais urbanizada e liberal dos EUA, este estado, que sempre elegia democratas, estava sem senador, após a morte de Ted Kennedy, do partido de Obama. A eleição de um republicano no coração dos democratas é um duro golpe no governo e demonstra o quanto sua administração está sendo crescentemente rejeitada.

Obama e Bush: duas faces da mesma moeda

        Por mais que Obama justifique essa sua perda de popularidade afirmando que esteve afastado do povo nos últimos meses, a verdadeira explicação para isso estar acontecendo é sua política que em nada difere da de Bush. Obama seguiu ajudando banqueiros, segue saqueando outros países, tem a mesma política beligerante do governo anterior, e mantém posições muito parecidas no que se refere ao meio ambiente.

        O atual governo faz um ensaio de retirada de tropas do Iraque, para poder justificar a ocupação do Afeganistão, mostrando sua sede por petróleo e por implantar suas fábricas e indústrias em todos os cantos do mundo, explorando ainda mais trabalhadores. Está provado que a crise não foi gerada pela insensatez de Bush – embora isso tenha ajudado -, e que o real problema é do próprio capitalismo.

À medida que Obama só se presta a administrar este modo de produção, sua postura não poderia ser diferente. Ele salvou banqueiros, dando-lhes trilhões de dólares, enquanto somente no final de 2009, 85 mil trabalhadores foram demitidos nos EUA. Em Copenhagen, deu uma clara demonstração de que o imperialismo é quem dá as rédeas sobre a quantidade de destruição ambiental que vai haver no planeta, e contribuiu decisivamente para acabar com a chance de um plano ambiental.

        Por tudo isso, Obama perde a popularidade. A identificação de que seu governo é mais do mesmo, e parecido ao de Bush, abre uma imensa possibilidade de avançar na luta antiimperialista e transformá-la numa luta pelo fim do capitalismo.

É necessário reafirmar que, assim como Obama e Bush, todo o projeto reformista, que não aponte a ruptura com o capitalismo, está fadado ao fracasso, e acaba servindo para os patrões seguirem no controle. Só com um forte movimento revolucionário em nível mundial é possível derrotar o imperialismo e dar um fim à exploração sobre os trabalhadores.

O socialismo cada vez mais vivo

         Depois de décadas de experiências com regimes ditatoriais, de experiências históricas como o fascismo e o nazismo, a democracia burguesa foi apresentada como a grande solução de todos os problemas.

Agora, depois de alguns anos, com diferentes tipos de governos, com a direita, o populismo, as Frentes Populares; nada foi feito que pudesse expressar uma conquista dos trabalhadores. Todos os regimes e governos capitalistas fracassaram em melhorar a qualidade de vida, resolver os problemas sociais ou acabar com a violência.

Depois da queda dos Estados operários no Leste Europeu, através das burocracias responsáveis por restaurar o capitalismo, e da mobilização dos trabalhadores contra os efeitos dessa nova ordem política, o cenário atual mostra a corrupção e a miséria por todos os lados, e as lutas se multiplicando contra a exploração burguesa.

Apesar do fim que tiveram, provocado pela deformação ou degeneração burocráticas de suas revoluções, algumas experiências de Estados operários provaram que se é capaz de fazer países darem saltos econômicos, sociais e científicos, que o capitalismo se tornou incapaz de promover. Foi assim com a Rússia, com a China e diversos outros países que fizeram este tipo de experiência.

        É necessário reafirmar a necessidade de se construir Estados operários democráticos, produtos de revoluções socialistas vitoriosas feitas pelas massas trabalhadoras, em que toda a indústria, comércio, educação, saúde, etc., fiquem sob controle dos trabalhadores.

Só com uma economia socialista planificada, que não esteja a serviço do lucro do patrão, é capaz de acabar com as guerras, não degradar o meio ambiente e garantir fartura a todos.

Quando alternativas burguesas como Obama surgem, e empolgam tanta gente, fica claro que existe espaço para a luta por uma mudança radical na realidade, e que os trabalhadores estão dispostos a isso. O que é preciso é canalizar este desejo para a construção de uma direção, de fato, revolucionária.

       

 

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