Posse de Obama: a ilusão que venceu o medo
Na última terça-feira, 20 de janeiro de 2009, o mundo parou para olhar a posse do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama.
Numa cerimônia na capital Washington, diante de um público de mais de 2 milhões de pessoas, Obama discursou emocionado. Evocando Deus, a coragem e o patriotismo, falou na necessidade de unir todos, de todas as raças, religiões, classes e gênero, para reerguerem a “América”.
Afirmando que sua eleição representou a vitória da esperança sobre o medo, contrapôs-se a Bush, e nos fez lembrar Lula. E ele está certo: sua vitória é uma derrota para o conservadorismo, para o racismo e para a política belicista de Bush. A vitória de Obama expressou a repúdio dos trabalhadores norte americanos ao governo de Bush, a necessidade e vontade de mudança, a esperança de uma vida melhor para todos os explorados e oprimidos que constroem a “América” diariamente.
Mas já aprendemos que essência e aparência são coisas distintas e, quando analisamos a política, fica ainda mais evidente. Os políticos que personificam a esperança e a mudança, se não trazem um programa claro de ruptura com o capitalismo e de independência de classe, não podem concretizar o que prometem.
Obama, por maiores esperanças que traga consigo, tende a ser uma grande frustração para aqueles trabalhadores que viram nele a chance de um mundo melhor. Um mundo melhor é possível, mas não dentro do capitalismo, não através de um político eleito aliado com inimigos da classe trabalhadora.
Obama nunca se comprometeu com a destruição do capitalismo e com a construção de um governo dos trabalhadores, logo, sabemos que não podemos depositar grandes ilusões nele. Mas também sabemos da necessidade e importância dessa experiência para a classe trabalhadora do mundo inteiro.
A tendência é que a enorme euforia com a chegada de Obama à presidência se converta em uma onda de frustração e indignação, na medida em que o novo governo democrata começar a mostrar para o mundo inteiro que é, essencialmente, igual ao de Bush. Que diante da crise, defenderá os mesmos grandes empresários que financiaram sua campanha eleitoral. Que seguirá com a mesma política de saquear riquezas do Oriente Médio com a justificativa de guerra contra o terrorismo. Que continuará defendendo Israel como aliado, mesmo diante do genocídio contra o povo palestino.
O fato é que, mesmo congelando os salários já milionários dos funcionários da Casa Branca e suspendendo os julgamentos da prisão de Guantánamo - suas primeiras medidas -, o governo de Barak Obama representa a continuidade da política imperialista norte-americana, de exploração, opressão e violência contra os trabalhadores do mundo inteiro e, por isso, não acreditamos nesse governo e nem o consideramos nosso.
Por maiores que sejam as expectativas com o governo de Obama, é necessário, desde já, construir uma alternativa dos trabalhadores, com independência de classe, de oposição ao atual governo, para organizar as lutas contra as demissões, em defesa dos direitos sociais e pela construção de um governo socialista, sem banqueiros e patrões, controlado pelos trabalhadores.
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