Obama sabia!
Governador de Illinois negocia vaga de senador e trama com assessor do presidente eleito
A posse ainda nem aconteceu, mas já o recém eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já está devendo muitas explicações.
O governador do Estado de Illinois, Rod Blagojevich, está sendo acusado de conspiração, fraude, de pedir propina relacionada com o processo de sucessão de Obama no Senado dos EUA e também de obter contribuições de campanha em troca de favores oficiais.
Illinois é o antigo reduto de Obama, estado onde ele era senador e onde a vaga estava sendo vendida, ao que tudo indica, com o seu conhecimento. Pelo sistema político antidemocrático dos EUA, na renúncia do senador, o governador escolhe o substituto a seu bel prazer. Isso é tão absurdo e golpista contra os eleitores, que se estabelecem verdadeiros leilões para ocupar os cargos deixados vagos. Em Nova Iorque, a vaga de Hillary Clinton está sendo disputada até por Caroline Kennedy, cuja única relação com a política, até agora, é ser filha do ex- presidente JFK, e que nunca ganhou um voto sequer.
Em Illinois, há provas de que o chefe de gabinete de Barack Obama -Rahm Emanuel- teria se reunido com Rod Blagojevich para lhe apresentar os nomes de pessoas que pretendiam ocupar a cadeira de Obama. Emanuel não é um assessor comum, mas sim o principal responsável pela articulação de sua campanha, seu colaborador antigo e já estava nomeado como secretário geral da Casa Branca no novo governo. Quer dizer, é claro que Obama sabia, e estava por trás da corrupção também, à medida que tentava colocar alguém de sua confiança no seu lugar.
Enquanto governador, Blagojevich detém o poder de indicar o substituto do ex-senador, e pretendia fazer isso em troca de alguns "favores" políticos. Até mesmo o filho do ativista dos direitos civis -e militante da campanha de Obama- Jesse Jackson, Jesse Jackson Jr., tentou "comprar" a cadeira de Senador do Estado de Illinois, supostamente por US$ 500 mil!.
Tudo isso nos faz refletir... A grande mídia utilizou as eleições norte-americanas para fazer uma grande propaganda da democracia burguesa, em virtude dos índices recordes de participação popular no pleito de 2008. Na verdade, o ódio a Bush e o desejo de mudança foram canalizados para dentro do próprio sistema, gerando a ilusão de que Obama possa ser diferente.
Os fatos recentes, entretanto, mostram o outro lado dessa democracia, o lado real, onde republicanos e democratas se revezam no poder político, mantendo as coisas essencialmente iguais.
O que está vindo à tona, antes mesmo da posse oficial de Obama, é que não apenas a vida social e econômica dos trabalhadores norte-americanos não mudará em nada, mas também os esquemas de corrupção do regime democrático seguirão inalteráveis.
As vagas que estão em aberto no senado são disputadas à base de conchavos, propinas e muito esquema sujo. No caso de Illinois, Obama sabia!
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