Publicado em 04/06/2009

Obama indica hispânica para a Suprema Corte.
O que os latinos podem esperar?

Na última terça-feira (26 de maio), o presidente norte-americano, Barack Obama, indicou a hispânica Sonia Sotomayor para a Suprema Corte do país. Filha de porto-riquenhos que foram para os EUA na Segunda Guerra Mundial, ela fará parte de uma corte composta por sete homens e apenas duas mulheres (ela e mais uma).

Sotomayor aguarda, agora, a aprovação do Senado para assumir a vaga. Se aprovada, será a primeira pessoa de origem hispânica a compor a corte dos Estados Unidos.

Obama defendeu sua indicação afirmando que ela é “justa, imparcial e dedicada ao império da lei”.

É interessante observar essa escolha sob dois aspectos.

O primeiro seria o de que ela, uma escolhida de Obama para substituir alguém de mesma posição política (ambos são liberais), não tende a promover grandes mudanças na vida dos norte-americanos em temas importantes, como o aborto, por exemplo. E isso, quando ele a definiu como “dedicada ao império da lei”, deixou bem claro: ela está lá para manter a ordem, deixar tudo com está, dedicar-se às leis já existentes e que servem para sustentar o Estado.

O segundo seria uma avaliação sobre quais foram as mudanças promovidas pelas “minorias” em prol de suas “categorias” quando atingiram postos de poder. Pensemos no quadro da segregação racial nos Estados Unidos. Até os anos 60’, 70’, o movimento negro lutava e dava sua vida -literalmente- para garantir direitos básicos, sendo que há mais de 50 anos já havia negros compondo o legislativo.

Sotomayor é a terceira mulher na história da Suprema Corte americana. As outras duas antes dela conseguiram fazer o que?

O judiciário brasileiro possui negros na sua composição, mas qual a situação do negro em nosso país? O racismo diminuiu, ou passou a ser menos explícito?

Assim, a escolha de Sotomayor, no que cabe à situação dos latinos nos EUA, não deve dar qualquer esperança. Antes de sua condição étnica está a sua classe. Ela é parte de um governo burguês e não hesitará em sacrificar trabalhadores -latinos ou não- para beneficiar o seu governo e mantê-lo estável.

 

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