Obama aplica tortura “light” e legal:
____Um jeito novo para a velha política.
O atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, na última semana, medidas aparentemente contraditórias. Aparentemente...
Primeiramente, comunicou que as sanções ao Irã seriam mantidas por mais um ano. Essas sanções são as mesmas de Bush e mostram que Obama mentia quando dizia que ia trocar as ameaças pela diplomacia. Tudo isso porque o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, lançou oficialmente um projeto de gás natural no Golfo Pérsico, o que é um direito de todo país, de querer desenvolver sua capacidade energética.
No dia seguinte, Obama anunciou a retirada do termo “combatente inimigo” de seus processos militares. O termo era usado pelo governo Bush como substituto ao “prisioneiro de guerra”, para impedir que o preso fosse “socorrido” pelas leis da Convenção de Genebra (que regulamenta a tortura). Mas, mesmo mudando o nome, Obama manteve a política de escutas clandestinas, fascistas leis anti-terror, autorização para manter suspeitos presos sem acusação, etc.
Essa medida de Obama é mais uma mudança apenas na forma, enquanto aplica um único conteúdo imperialista. Bush legalizou a tortura e ameaçou por diversas vezes o Irã e outras nações caso não cancelassem tudo aquilo que pudesse questionar o poderio militar dos EUA. Agora, o novo presidente apenas muda o jeito de manter a mesma postura ofensiva contra os povos do mundo inteiro.
Na verdade, mesmo na “regulamentação” da tortura, Obama é incapaz de se opor a Bush de maneira mais firme. As leis da Convenção de Genebra, por exemplo, condenam as torturas mais exageradas, aquelas que chocam o mundo e violam absurdamente os direitos humanos, como colocar o Corão islâmico numa privada, obrigar prisioneiros a simular estarem fazendo sexo ou amarrados a coleiras. Porém, nem a Convenção de Genebra, nem as lei de Obama questionam a permanente tortura e repressão exercida pelas tropas norte-americanas em vários países e pelas forças armadas de cada governo no mundo que exercem uma brutal violência contra os trabalhadores. A maior dessas violências, a própria ocupação, vai continuar existindo pelas mãos de Obama.
Por isso não existe contradição entre descartar o termo “combatente inimigo” e manter as sanções contra o Irã. Ou seja, de um lado sanciona o Irã e oprime um país semi-colonial, e do outro finge respeitar os direitos humanos. Mas ambas as medidas, justamente por uma delas ser um teatro, são perfeitamente coerentes. No governo Obama, muda o jeito, mas permanece a política.
Nas questões essenciais, como a política econômica e a política externa, as coisas estão sendo mantidas na íntegra. Basta ver a política de ajuda aos banqueiros nos EUA, a manutenção das tropas no Iraque e Afeganistão e as sanções ao Irã fora do país.
Obama muda aquilo que não é determinante para o papel dos EUA no mundo, mas que ganha uma repercussão significativa, como a legalização de pesquisa com células-tronco, o fechamento da base de Guantánamo e, agora, o dito respeito às leis da Convenção de Genebra.
Mas como o conteúdo é superior à forma, o novo governo norte-americano não merece a confiança dos trabalhadores, tanto dentro dos EUA, que neste momento sofrem com as demissões e os desalojamentos, como fora dele, como mostram as massas que resistem no Oriente Médio.
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