Oficial americano dispara contra seus colegas:ato político?
No último dia 5, na base militar de Fort Hood (Texas, EUA), o psiquiatra do exército, Nidal Malik Hassan, disparou contra seus colegas, matando treze pessoas e ferindo outras cinco.
De acordo com o exército, o homem abriu fogo quando se encontrava no Centro de Processamento de Soldados, um grupo de prédios onde os soldados são submetidos a exames médicos antes de serem enviados para missões no exterior. Ele, um major que já havia servido em guerras anteriores e tratado de militares feridos, estava para ser enviado ao Iraque, contra a sua vontade.
Malik, muçulmano de origem jordaniana, está internado num estabelecimento militar, mas ainda não teria sido interrogado.
A base de Fort Hood é a maior base norte-americana em todo o mundo, abrigando um contingente de cerca de 42 mil soldados.
Surto ou atentado terrorista?
Logo que o atentado ocorreu, as primeiras especulações foram de que se tratava de um homem que, diante de ser enviado a um país em guerra, “surtou” e, num ato de desespero, atirou contra seus colegas.
Entretanto, com o andar das investigações, já se suspeita que tenha ocorrido um atentado terrorista. Malik teria convertido-se num extremista islâmico e, portanto, seu atentado seria político, ao fim do qual ele supostamente pretendia suicidar-se.
Todo o apoio a resistência dos povos do Oriente Médio
Não descartamos nenhuma das hipóteses e inclusive entendemos que ambas estão relacionadas.
Servir numa guerra é algo extremamente traumatizante. Não é à toa que, ao voltarem da guerra, inúmeros oficiais “aposentam-se” por invalidez física ou mental, necessitando de tratamento médico pelo resto da vida. Mas, no caso de Malik é ainda mais complexo.
Ele, um muçulmano, seria enviado ao Oriente Médio para servir aos EUA numa guerra em que estes vêm sendo massacrados. Ou seja, iria para o front já sabendo, de antemão, que seria derrotado. Além disso, pelo menos na questão religiosa, Malik identifica-se mais com os iraquianos do que com os americanos.
Inclusive considerando-se essa sua origem muçulmana, podemos prever que ele deve ter sofrido muita opressão e preconceito por parte dos outros oficiais, principalmente desde que os Estados Unidos iniciaram a sua luta contra o “terrorismo”. Assim, imaginar que o atentado faz parte de um ato político não é nada descabido.
Malik, provavelmente, não se sentia um americano. Tendo de ir para guerra, representar os EUA, contra os iraquianos, e conhecedor de todas as atrocidades que imperialismo vem promovendo no Oriente, acabou disparando contra aqueles que reforçariam essa “caçada” a um povo que, assim como ele, é extremante oprimido.
Nos somamos à luta dos povos do Oriente Médio para expulsarem as tropas americanas e o imperialismo como um todo de seu território e nos solidarizamos a Malik, diante de sua angústia em servir numa guerra do lado opressor para contribuir na opressão a um povo irmão.
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