Publicado em 07/10/2009

Esqueça seus problemas: o Rio é a sede dos jogos de 2016!

É impressionante ver como a grande imprensa (mídia burguesa, como um todo) serve aos interesses dos governos. Questões fundamentais que interferem no cotidiano dos trabalhadores são escanteadas para que todo o foco fique sobre um ponto menor.

E a “bola da vez” foi a escolha da cidade-sede dos jogos olímpicos de 2016. O assunto não só virou febre em qualquer discussão, como o choro de Lula e a comemoração interminável do governo e imprensa dão a impressão de que o Brasil está salvo.

Rio de Janeiro: a primeira sede sul-americana

Dois de outubro de 2009 tornou-se uma data marcante para a América do Sul e, especialmente, para o Brasil. Foi nesse dia, em Copenhague (Dinamarca), que o Comitê Olímpico Internacional oficializou o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

            Superando Chicago (EUA), Tóquio (Japão) e Madri (Espanha), o Rio de Janeiro traz as Olimpíadas para a América do Sul pela primeira vez. Esse dado, inclusive, parece ter sido o decisivo para a escolha do COI.

            A disputa é feita por rodadas, onde a cidade menos votada é a eliminada até que uma atinja 50% + 1 dos votos.

            Chicago foi a primeira eliminada. A simpatia de Obama não foi suficiente para superar a rejeição que a maioria da população apresentava em receber os jogos. Tóquio veio logo em seguida. A disputa final ficou entre o Rio e Madri. Porém, contra a capital espanhola pesava o fato, justamente, de ser europeia: o continente já sediou diversos jogos e os próximos, em 2012, serão em Londres, capital inglesa.

            Lula, em uma de suas falas, deu peso à “rejeição” sofrida pela América do Sul, sempre preterida em relação a Estados Unidos e Europa. Mas, dessa vez, o Comitê parece ter sentido a pressão.

            Os trabalhadores devem ter o direito de assistir competições internacionais em seu país, e poder ver seus atletas se saírem melhor. Era inaceitável que as Olimpíadas nunca tivessem escolhido o continente. No entanto, por trás da festa, há um preço caro.

Fidelizar paixões -e lucros- !

Os sul-americanos, tão apaixonados pelos esportes, na lógica dos “homens de negócio”, precisavam sentir alguma proximidade com o “espírito olímpico” para que sua paixão não se convertesse em descaso, e até mesmo aversão ao Comitê Olímpico e seus projetos. A Copa do Mundo na África do Sul faz parte do mesmo jogo político.

            O continente africano -o mais miserável do planeta-, além de possuir países importantes no meio do futebol (como Camarões e Nigéria), tem uma população apaixonada e envolvida com esse esporte. Fazer a Copa lá tem a ver justamente com fidelizar -e lucrar ainda mais- com essa paixão. E isso é o que o esporte virou: uma forma de lucrar. É por isso que haverá a Copa de 2014 no Brasil, e agora as Olimpíadas.

            O entretenimento fica em segundo plano, para que patrocinadores ganhem bilhões e governos desviem outros bilhões dos cofres públicos.

            Só para lembrar: O primeiro orçamento dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, foi estimado em R$ 388 milhões. Oficializada a candidatura, essa quantia subiu para R$ 562 milhões, e logo depois saltou para R$ 776 milhões. Depois, o comitê organizador (CO-Rio) corrigiu os valores para R$ 942 milhões. E em fevereiro, numa nova reviravolta, anunciou-se que o custo final do evento seria de R$ 3,58 bilhões. No fim, fechou tudo por “apenas” R$ 3,8 bilhões, uma quantia 10 vezes maior que a inicialmente divulgada.

            Portanto, o que os empresários, grandes anunciantes e governo estão divulgando como uma grande vitória do Brasil, pode se transformar numa grande derrota, com bilhões sendo desviados em corrupção e empreiteiras e políticos enriquecendo ainda mais às custas do povo. É como um amigo ou familiar dizer que comprou um carro. Ninguém é contra e parece ser motivo de festa esta conquista. Mas se o preço tiver sido R$ 200 mil por um Uno Mille, e esse amigo ou familiar tiver que ficar sem comer e morar para tentar pagar o carro, aí não se tem nada para comemorar.

No fundo, uma grande cortina de fumaça

Além disso, sediar esse tipo de evento desvia a atenção das pessoas para outros assuntos. Durante a apuração dos votos em Copenhague, por exemplo, uma multidão aglomerou-se nas areias da praia de Copacabana para assistir via telão a escolha. Artistas foram chamados para fazerem apresentações e iniciarem um dia de festas e comemorações.

Não houve outro assunto nos telejornais. Nas principais páginas de notícias da internet, essa também era a matéria central: Rio 2016.

Nada de corrupção, volta da CPMF, fraude no ENADE: o mundo gira em torno da cidade-sede dos jogos olímpicos de 2016. E isso que a recém estamos em 2009. Imagine só quando os jogos, atletas e patrocinadores desembarcarem em solo carioca...

 

 

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