Publicado em 28/12/2008

Burocracia que faliu União Soviética e virou capitalista pede socorro de U$$ 78 Bilhões ao Estado na Rússia

A crise financeira é cada vez mais palpável na Rússia, com demissões em massa e atrasos nos pagamentos de salários, num país que, desde o final dos anos 80, já perdeu quase tudo que possuía em termos de conquistas sociais.

A lista de empresas que já estão demitindo cresce sem parar, e o impacto da crise já começa a ser sentido mais além dos setores mais vulneráveis, ou seja, os bancos, a construção e metalurgia.

O setor petrolífero, coluna vertebral do país, entrou também na lista: a petrolífera TNK-BP está eliminando 390 empregos, segundo o jornal Vedomosti.

No setor bancário, os cortes de pessoal de entre 20% e 40% se converteram "na norma", indicou o jornal. Imaginem isso no Brasil... Até 40% de desempregados nos bancos!

E o pior está por vir. "A maioria das demissões ocorrerão em dezembro e janeiro", previu recentemente o diretor adjunto do Serviço Federal de Trabalho, Alexandre Vovchenko, falando sobre os números dos finais desses meses. "Os patrões prevêem eliminar perto de 200 mil empregos", disse, citado pela agência Interfax.

A taxa de desemprego oficial afetava perto de 4,6 milhões de pessoas no final de outubro, ou seja, cerca de 6,1% da população ativa, segundo a agência de estatísticas Rosstat. O total de salários atrasados disparou em outubro cerca de 33% para alcançar US$ 143 milhões, segundo a mesma fonte.

        Diante desse quadro, os atuais donos das empresas russas, apelam ao governo pedindo um socorro que pode chegar a mais de 70 bilhões de dólares, somente num 1º momento. Essa notícia é ainda mais escandalosa que o dinheiro dado aos ricos, banqueiros e grandes multinacionais mundo afora nestes dias, pois, na Rússia, os "donos" das empresas, na verdade, as roubaram da maneira mais descarada possível.

        Após a restauração do capitalismo na URSS, e seu posterior  colapso e desintegração, todo o imenso número de estatais, com gigantescos patrimônios, foi distribuído entre novos burgueses, ladrões internacionais e, principalmente, entre os então dirigentes políticos do país, egressos da burocracia stalinista e sua sucessora na URSS. Foram fábricas inteiras, minas riquíssimas, arsenais, empresas de petróleo e gás, que foram parar nas mãos individuais de membros do PCUS e outros exploradores em geral. Hoje, estes mesmo que sangraram o patrimônio público, e roubaram os bens do povo trabalhador, pedem, na maior cara-de-pau, U$$ 78 bilhões para salvar "suas" empresas, que conseguiram deixar as portas da falência.

Lutas ainda fracas, mas existindo

Fato raro na Rússia de hoje em dia, perto de 250 operários da construção em Ekaterinburgo cruzaram os braços em protesto contra os atrasos dos salários, o que já está se considerando como a primeira "grande greve" no país desde o início da crise pelo jornal Kommersant.

A Rússia não experimenta nenhum grande movimento social desde o final dos anos 1990, quando os mineiros, em particular, foram para a rua reivindicar seus salários, atrasados há seis meses, um dos indicadores mais claros da degradação capitalista que surgia.

De lá para cá, as manifestações foram sempre reprimidas, em especial pelo governo Putin, um ex-burocrata pró-stalinista, agente da então KGB. A capitulação e adaptação explícita do Partido Comunista colaboram para isso, com uma postura covarde, conciliadora e apenas institucional/parlamentar.

Cuidando para manter o país sob controle, o premier Vladimir Putin, ainda no final de novembro, alertou os dirigentes de seu partido, Rússia Unida, a "se prepararem para uma transformação estrutural do mercado de trabalho" e recomendou a criação de empregos. Quer dizer, se prepara para anunciar pequenas concessões, mas na prática apenas para preservar a ordem atual, em que, gradativamente, os salários e direitos vão sendo diminuídos e a Rússia é transformada em uma semi-colônia do imperialismo europeu.

 

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