Você está demitido!
A onda de demissões não pára de crescer em todo o mundo!
No mês de Janeiro de 2009, no dia22, a John Deere, maior produtora mundial de equipamentos agrícolas e florestais, anunciou a demissão de mais de 500 funcionários na sua unidade de Horizontina (noroeste do RS).
Responsabilizando a crise econômica mundial, e cumprindo ordem dos Estados Unidos (conforme o sindicato), comunicou que os 502 demitidos receberão seus salários até 31 de janeiro. Nem precisamos comentar o impacto social que isso gera na região: mais da metade desses funcionários mora em Horizontina. Ter tantos desempregados numa mesma região, ainda mais em se tratando de cidades pequenas, é, no mínimo, uma tragédia!
Chefes de família que se encontram sem condições de sustentarem suas famílias e já contam com as rotineiras dificuldades de arranjar emprego, agora reforçadas pela crise econômica mundial.
Mesmo setores nem tão ligados à área da montagem foram atingidos. Gigantes do mundo “virtual”, como Yahoo! e Microsoft, já anunciaram pesadas -e nada virtuais- diminuições em sua força de trabalho. Só nesse mês, o Google anunciou a dispensa de 100, a Circuit City de 34 mil, AT&T de 12 mil, AMD de 1.100, Motorola de 4 mil, 6 mil da Intel e 3 mil da IBM. Sem contar as demissões previstas e prometidas, como os 8 mil até março de 2010 da Sony e os 5 mil da Microsoft nos próximos 18 meses. O Yahoo!, só em outubro do ano passado, cortou 10% de seus empregados.
Quando Marx falou no exército industrial de reserva previa não somente essa crise do modo de produção capitalista -falido e esgotado- mas também as conseqüências sociais disso. Com pouquíssimos empregos para uma multidão desesperada, com contas para pagar e família para sustentar, quem ainda estiver empregado, ainda que muito mal pago, tende a se submeter a uma exploração cada vez maior e desenfreada. O descumprimento das leis trabalhistas tende a ser cada vez maior, já que a minoria “privilegiada” que tiver emprego será permanentemente chantageada por uma multidão desempregada que está de olho em sua vaga.
A saída que os patrões e o governo estão propondo par combater a crise é a redução de jornada de trabalho – que teria como conseqüência a diminuição da produção - com redução salarial. Mas isso não diminui, em absolutamente nada, a gravidade do problema. Pois a produção já vem sendo reduzido pelas empresas, com as demissões e férias coletivas. Essa nova proposta feita pelos patrões é apresentada como uma salvação para o emprego de seus funcionários, como um gesto de “boa vontade” e “esforço comum” da burguesia e dos trabalhadores, como se os dois lados estivessem fazendo sacrifícios do mesmo grau diante da conjuntura de crise.
Mas a verdade é que a redução da jornada e dos salários é tudo que os capitalistas desejam diante da recessão dos grandes países da Europa e dos EUA. Não existe nenhuma concessão dos patrões nessa proposta. O que essa medida traz de significativo é a redução dos salários e dos direitos dos trabalhadores, já que a diminuição da produção por parte das empresas não é resultado de um esforço da burguesia, mas sim o resultado da crise econômica mundial. Como necessidade diante da crise a produção vem sendo reduzida, para que as empresas possam fugir da falência e do prejuízo, logo isso não é nenhum benefício dado pelos patrões. A única coisa que está sendo proposta de verdade é a redução dos salários e direitos dos trabalhadores, para que os empresários possam salvar seus lucros e empresas. Nessa história apenas os trabalhadores saem perdendo.
A única saída -definitiva- para esse problema é a destruição do capitalismo, com o fim dessa produção anárquica e da especulação, com o fim dos salários de fome e do lucro ilimitado dos empresários, com uma produção controlada pelos trabalhos e o lucro dividido entre todos.
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