Rússia reconhece a Independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, contrariando os EUA e a Geórgia
O presidente russo, Dmitry Medvedev, anunciou na terça-feira (25/08) que seu governo decidiu reconhecer a independência de duas regiões da Geórgia. "Assinei decretos sobre o reconhecimento por parte da Federação Russa da independência da Ossétia do Sul e a independência da Abkházia", disse Medvedev pela TV.
Os EUA pressionaram a Rússia para que defendesse o governo da Geórgia e não reconhece-se a independência das províncias que exigiam independência. O vice-chanceler da Geórgia, Giga Bokeria, viu no reconhecimento russo uma "anexação visível" do território georgiano. A França, que no começo do mês mediou um cessar-fogo entre Rússia e Geórgia na sua disputa pela Ossétia do Sul, também recriminou a decisão da Rússia.
É interessante analisar as posições diferentes de Rússia e EUA em relação a independência da Ossetia do Sul e da Abkházia. Ainda mais se analisarmos a recente independência de Kosovo, que foi apoiada e incentivada pelos EUA. Na ocasião o Imperialismo foi favorável a independência de Kosovo, não por defender o direito de autodeterminação dos povos, mas sim por ter interesse direto no controle daquela região. O movimento revolucionário é a favor do direito do povo Kosovar a sua independência, porém esta só será possível se o imperialismo for derrotado e expulso da região, o que não acontece hoje pela relação de servidão do governo de Kosovo em relação ao Imperialismo.
Agora, voltando a Ossetia, é importante, ao mesmo tempo em que reafirmamos nossa defesa do direito a autodeterminação dos povos, denunciar a Rússia seja pela sua ofensiva militar que promoveu recentemente na região como sua posição de apoio a Ossetia, pois as duas políticas estão a serviço de aumentar seu poder político e econômico na região em nome de uma falsa defesa dos direitos dos oprimidos. Junto é preciso denunciar a posição oportunista dos EUA, que não consideram a reivindicação de independência da Ossétia do Sul, e se coloca em defesa do governo da Geórgia (um de seus principais aliados na região). Isso prova que os EUA só apóiam a autodeterminação, como no Tibet ou em Kosovo, quando isso favorece os negócios do imperialismo. Quando a burguesia ianque não ganha nada, não só eles não defendem os oprimidos como são os primeiros a atacar, ocupar e matar.
Por isso, voltamos a reafirmar que a verdadeira independência da Ossetia do Sul, bem como da Abkházia, só será possível se for realizada pelos trabalhadores destas regiões, lutando não somente por soberania e liberdade, mas também para derrotar a burguesia e construír um governo socialista nestas regiões, apoiado nos organismos populares, em solidariedade com os trabalhadores da Geórgia e da Rússia. Cada processo de autodeterminação é progressivo quando se trata de enfraquecer o domínio de um governo burguês. Por isso apoiamos as luta do povo da Ossétia do Sul. Mas se não derrotarem a burguesia e seus governos nestas regiões os trabalhadores seguirão sob uma condição de exploração e opressão, não mais pela burguesia da Geórgia, mas pelo imperialismo e a burguesia das novas regiões independentes, por isso defendemos que a solução para os problemas dos trabalhadores não está na divisão em relação aos demais trabalhadores, mas esta sim na unificação dos trabalhadores de todas as regiões através da Revolução Socialista.