Por que os palestinos atiram em si mesmos?
Na Palestina não ocupada totalmente por Israel (Faixa de Gaza e Cisjordânia), está acontecendo uma guerra civil entre o Hamas (muçulmano xiita) e o Fatah (formado por muçulmanos, mas laico, quer dizer, sem um programa religioso).
No início de sua existência, o Fatah era a principal corrente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). A OLP defendia uma Palestina laica (não religiosa), democrática e não racista, o que era extremamente progressivo. Era uma Frente Única composta por outros grupos, inclusive que se diziam socialistas (FPLP e FDLP). A força da OLP cresceu porque defendia a destruição de Israel e a construção de uma Palestina única entre muçulmanos, cristãos e judeus. Para isso, usava a luta armada como única forma de resistência.
O Hamas, ao contrário, surgiu como uma organização que contava inclusive com dinheiro israelense e dos EUA, para ser rival da OLP/Fatah. Sua política era construir escolas, dar comida e remédios para os palestinos, numa rede assistencialista e religiosa. Com o passar dos anos, porém tudo mudou.
O Fatah, de Yasser Arafat, abandonou a luta e aceitou entregar a maior parte da Palestina aos israelenses, virando o grupo preferido dos assassinos de Israel e do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. O Hamas, ao contrário, pressionado pela miséria crescente dos palestinos, foi obrigado a ir-se radicalizando e passou a ser a única fonte de resistência e luta contra Israel, defendendo sua destruição.
Foi por isso que o Hamas ganhou as últimas eleições na Palestina e o direito de formar o governo atual. Só que os israelenses, os EUA, a União Européia e o próprio Fatah tentam dar um golpe no Hamas desde o início.
Primeiro boicotaram as verbas que o governo deveria receber. Depois, confiscaram o dinheiro do governo, assassinaram líderes do Hamas e deram armas e dinheiro ao Fatah, instigando enfrentamentos. O objetivo era que o Hamas (que sequer é revolucionário) se vendesse totalmente, como já tinha feito o Fatah, e desistisse de se opor a Israel. O Hamas não aceitou isso, mas entregou parte do governo aos traidores do Fatah.
Agora, mais uma vez, o imperialismo tenta impor novas eleições e forçar o Hamas a dar tudo que Israel pede. A pressão da base tem impedido este grupo de fazer esta traição. Com isso, o Fatah, com o apoio de Israel e EUA, começou uma guerra civil.
O Hamas conta com toda nossa solidariedade ao enfrentar este grupo oportunista e tomar o controle de todos os postos de segurança na Faixa de Gaza. Nós denunciamos o golpe do Fatah, de, em troca, “destituir” o Hamas na Cisjordânia. Isso é um golpe e mais uma tentativa de dividir a Palestina e entregar aos israelenses! Mas o Hamas também não é solução para nada, pois o governo que propõe é dentro do capitalismo e baseado em leis islâmicas, também discriminando quem não é muçulmano.
Os trabalhadores devem se unir contra o golpe do Fatah/EUA/Israel contra o governo do Hamas. Junto com este grupo, deve-se organizar comitês de defesa e milícias populares próprias para lutar pela recuperação de toda a Palestina, e pela destruição do Estado de Israel.