Obama aumenta guerra contra povos afegão e paquistanês.
Desde os atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono em 2001, os EUA decidiram ocupar o Afeganistão e o Iraque, provocando inúmeras manifestações mundo afora. Com o tempo e a prisão (e posterior execução) de Saddam Hussein, o discurso do imperialismo no Iraque deixou de fazer sentido. Ficou claro que Bush tinha mentido quanto às armas de destruição em massa, e a resistência iraquiana e internacional conseguiu matar mais de 4 mil soldados americanos invasores, causando a derrota política dos EUA. Nesta guerra, a ONU desde o início tentou não abraçar a causa de Bush de maneira integral, pois sabia das dificuldades que haveria na região para impor o domínio sobre os iraquianos.
No Afeganistão, porém, os EUA conseguiram muito mais apoio internacional para seu plano de ocupação. ONU, OTAN e governos “críticos” da saída militar, como França e Alemanha, apoiaram a ocupação, com a desculpa de que o Talibã abrigava os terroristas da Al Qaeda.
Depois de haver anunciado que tinham ganho a guerra, os EUA viram a situação sair do controle. O grupo islâmico se reorganizou no próprio Afeganistão e no vizinho Paquistão, e agora, apesar do aumento das tropas americanas naquele país, não há vitória à vista. Pelo contrário, para muitos analistas a guerra se estenderá indefinidamente, já que se trata de uma guerra de independência nacional.
O fato novo é a pressão do Paquistão, que sempre se associou aos Estados Unidos, para que o governo americano faça um acordo com o Talibã, pois seu próprio governo está ameaçado. De acordo com o serviço de inteligência ou espionagem dos militares paquistaneses, a guerra, que hoje se trava em parte no próprio território do Paquistão, está ameaçando desestabilizar o país. Diz um relatório do serviço de inteligência paquistanês: “O levante no Paquistão reforça ainda mais a percepção de que há a ocupação estrangeira do Afeganistão. Isso resultará em maior número de mortes de civis; implicará alienação ainda maior da população local. Portanto, maior resistência às tropas externas".
Cada vez mais, Obama, eleito para pôr fim à guerra no Iraque, se mostra rumo a mais dois atoleiros: no Afeganistão e no Paquistão.
Morte de líder talibã não muda muita coisa
Dentro da campanha ideológica de atribuir vitórias a suas tropas, mesmo que esteja perdendo a guerra, o imperialismo americano comemorou a morte de Beitullah Mehsud, chefe talibã do Paquistão. Atingido por um míssil disparado por um avião não tripulado, Mehsud deixa o Talibã desfalcado, mas não desagregado. O movimento, assim como vários outros grupos insurgentes, está crescendo ao longo dos últimos anos.
O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Shah Mahmood Qureshi, citando informações dos serviços secretos, admite que ninguém ainda viu, de fato, o corpo de Mehsud. Mas, mesmo que ele tenha mesmo morrido, sua sucessão encontrará muito mais líderes em potencial e apoio popular que há 2 ou 3 anos.
Este é o dilema dos Estados Unidos: como a mitológica Hidra de Lerna, figura com corpo de dragão e serpentes na cabeça, e que, a cada uma delas que se cortava, nasciam outras, os EUA podem matar indivíduos, mas já não podem conter o movimento de massas que se fortalece no Paquistão, Afeganistão e Oriente Médio.
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