Na 4ª feira da última semana, em 15 de agosto de 2007, um terremoto atingiu a costa do Peru. Com epicentro no Oceano Pacífico, a 120 km sudoeste da capital do país, Lima, o tremor foi tão forte que pôde ser sentido no Brasil, na cidade de Manaus, em que os bombeiros receberam alguns chamados de moradores preocupados.
Em todo o Peru, até o momento, contabiliza-se um número superior a 500 mortes causadas pelos desabamentos decorrentes do terremoto. A cidade mais atingida foi Pisco, a 230 km de Lima. A situação na qual se encontra o país expressa o quão precários são os serviços de emergência peruanos. Uma faixa extensa da região encontra-se sem energia elétrica, as companhias telefônicas entraram em colapso, sem contar as moradias destruídas, que deixaram um número expressivo de pessoas sem-teto.
A questão a ser debatida aqui não tem a ver com responsabilizar quem quer que seja pelo terremoto. É um fenômeno da natureza que ocorre independente da ação humana, porém as suas conseqüências são responsabilidades de alguém sim, e o culpado pela situação calamitosa na qual se encontra o Peru é o seu presidente, Alan García e a burguesia peruana. Ele, assim como o seu congresso, privatizou diversos serviços vitais do país, fazendo com que, num momento como esse, a população atingida não possa ser atendida da maneira adequada.
O saqueamento de casas e supermercados que está sendo promovido pela população está diretamente ligado a isso: uma população pobre, desamparada e sem perspectivas de uma vida melhor. É claro que as principais vítimas dessa tragédia, assim como foi com o furacão Katryna, ocorrido em 2005, na cidade de Nova Orleans (EUA), não são a “população em geral”, e sim os trabalhadores e pobres, que perderam o pouco que tinham e ficaram na dependência dos serviços escassos e precários oferecidos, ou não, pelo Estado.
Nesse momento, não faltam oportunistas de plantão enviando sus ajudas humanitárias. Os EUA, conhecido internacionalmente pelas ocupações e atrocidades promovidas nos mais diversos cantos do mundo, já enviaram dinheiro e equipes médicas. A União Européia, que não perde tempo na hora de recrutar soldados para apoiarem o governo Bush nas invasões a outros países, também já destinou 1 milhão de euros para “a causa”. É interessante que vários desses que estão preocupados e querendo prestar ajuda não sentem qualquer constrangimento na hora de cobrar ostensivamente o pagamento da dívida externa e prometer embargos e sanções econômicas a quem ameaçar não pagar. Aqui fica claro o caráter do imperialismo: ele necessita do pagamento da dívida externa para sustentar a sua economia internacionalmente. O capitalismo não teria qualquer tipo de estabilidade se não fossem presidentes como Alan García, Lula e Chávez: ainda que uns gritem mais do que outros, ainda que uns sejam mais capachos do que outros todos pagam religiosamente a dívida externa e, com isso, comprometem sua independência política e econômica, mantendo os vínculos com o imperialismo e impedindo uma verdadeira mudança política e econômica nos seus países.
O Brasil, assim como outros países da América Latina, também já prometeu ajuda ao Peru nesse momento. A contradição está no fato que, concretamente, todos os países latinos -sem nenhuma exceção- são pobres e tem as suas legiões de miseráveis e desempregados necessitando dessa “ajuda”. Defendemos todas as iniciativas de apoio e solidariedade entre os trabalhadores, explorados e oprimidos, mas aqui estamos falando de governos burgueses, que oprimem e exploram os trabalhadores e aproveitam tragédias como essa para fazerem demagogia e mais tarde reivindicarem cargos na ONU.
Fica cada vez mais claro que a primeira e mais vital das necessidades dos países semi-coloniais é romper com o pagamento da dívida externa. Isso não será feito por qualquer governo burguês, eleito e comprometido com o capitalismo, e sim pelas mãos dos próprios trabalhadores. A melhora de vida da classe trabalhadora depende da sua auto-organização e de contar somente consigo para essa tarefa.