Publicada em 12/07/2008

Trabalhadores do Peru realizam poderosa greve geral
contra presidente Alan García

Na última Quarta feira, 9 de julho, os trabalhadores peruanos realizaram uma poderosa Greve Geral contra o presidente Alan Garcia e sua política econômica neoliberal. Grandes Protestos e bloqueios de estradas predominaram durante a greve. Mais de 200 pessoas foram detidas em confrontos com a polícia. Manifestantes saquearam e incendiaram a sede do governo regional em Madre de Dios, cidade peruana de Puerto Maldonado, na fronteira com o Brasil. As emissoras de TV locais também informaram sobre vários bloqueios de estradas no interior do país, onde a greve foi sentida com maior força, principalmente nas regiões de Puno e Arequipa, que também aderem à greve agrária.

As reivindicações da greve são o aumento de salários e a anulação de vários decretos de privatização, entre eles os que promovem os investimentos de empresas em terras das comunidades camponesas e amazônicas ou em regiões declaradas patrimônio histórico e cultural. Os manifestantes exigem também o fim da criminalização do protesto social, atenção à "agenda agrária e social" para que os direitos trabalhistas não sejam reduzidos, e a luta contra a corrupção governamental.

Para reprimir a greve convocada por várias organizações políticas, sindicais e sociais, liderada pela Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP), o governo mobilizou cerca de cem mil policiais, com o apoio das Forças Armadas. O Exército e a Policia não pouparam esforços para reprimir os trabalhadores e utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para desocupar parte da estrada Pan-americana, que atravessa toda a costa peruana, na altura da região de Ica, cerca de 200 km ao sul de Lima.

A greve geral ocorre em um momento onde o país se destaca pelo crescimento econômico de 8,3% registrado em 2007, um dos mais altos da região e que contrasta com os piores salários do continente e níveis de pobreza em 40% da população.

O mal-estar no Peru se agrava pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, contando que a inflação do primeiro semestre foi de 3,51% e o salário mínimo é de 500 sóis (US$ 177).

Desde que foi eleito, em 2006, García vem enfrentando constantes protestos sociais por diversas reivindicações, entre elas uma greve agrária que deixou quatro mortos em fevereiro e outra manifestação na região de Moquegua, na qual 60 policiais foram detidos por manifestantes.

Para resistir à greve, o governo e o governista Partido Aprista compararam o protesto com o terror suscitado pelo grupo Sendero Luminoso de alguns anos atrás e com declarações do ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos.

É preciso fortalecer a organização e luta dos trabalhadores peruanos:
Só a luta pode mudar a vida dos trabalhadores

Os ataques por parte do governo Alan Garcia irão continuar. E da mesma forma a lutas dos trabalhadores devem seguir  pois Alan Garcia pretende seguir promovendo concessões a empresas privadas para construir serviços turísticos em zonas divisórias a lugares arqueológicos e históricos. Assim como seguirá querendo vender a preços irrisórios tudo o que é produzido pelos peruanos, e também quer vender o patrimônio histórico aos estrangeiros.

A Greve Geral realizada pelos trabalhadores é uma importante demonstração de força da classe trabalhadora do Peru. Mais do isso, a luta direta dos trabalhadores é a única maneira destes conseguirem reduzir o custo de vida, conquistar aumento de salários e proteger os patrimônios históricos e culturais. Mas esta luta deve buscar derrotar o governo de Alan Garcia e a burguesia peruana, que são os responsáveis pela miséria e exploração as quais são submetidos os trabalhadores peruanos.

É preciso que a classe trabalhadora do Peru avance em sua luta e construa uma organização cada vez mais forte dos trabalhadores, para, além de derrotar Alan Garcia, derrotar todos aqueles que querem seguir gerenciando os negócios da burguesia no Peru, como o frente populista Ollanta Humala, já que ele e seu partido saem em defesa das manifestações para utilizá-las em proveito próprio, com o objetivo de eleger mais parlamentares nas próximas eleições. Somente com um grande movimento revolucionário será possível derrotar o poder da burguesia e de fato colocar em prática mudanças para a classe trabalhadora.

Somente com sua luta e organização para derrotar a Burguesia e seus Governos e o sistema capitalista, buscando construir uma nova sociedade, onde os próprios trabalhadores governem  será possível acabar com a exploração e a miséria no Peru e no mundo. Somente com uma luta coerente pelo socialismo no peru e no resto da América Latina será possível construirmos uma nova sociedade, onde todos trabalhem de acordo com sua capacidade e recebam de acordo com sua necessidade.

 

 

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

Governo do Peru mata 6 trabalhadores na repressão de protesto: E os Trabalhadores seguema luta para derrotar projetos neoliberais

Terremoto causa mais de 500 mortes no Peru e expõe crise do país decorrente da política neoliberal.

Mobilização contra as transnacionais incendeia a luta de classes no Equador

Chávez e Evo Morales: O Capitalismo do Século XXI

• Protestos contra Michelle Bachelet no chile terminam com cerca de 700 presos e 50 feridos