Publicada em 29/11/2008

Piratas do século 21:

Contradições do Capitalismo: junto com computadores, o capitalismo convive com conceitos medievais, fome, doenças milenares e existência de piratas.

Superpetroleiro saudita seqüestrado mostra força dos “piratas”

A imprensa mundial repercutiu, com grande destaque, a notícia do seqüestro do mega navio "Sirius Star", de bandeira saudita, carregado com 300.000 toneladas de petróleo. Os responsáveis pelo ataque são o que vem se chamando de piratas, baseados na Somália. Somente pelo resgaste do Sirius, eles pediram um resgate de 25 milhões de dólares.

Mohamed Said, porta-voz dos piratas, expressou, desde o início das negociações, o método dos piratas: agilidade, profissionalismo e bom tratamento aos prisioneiros. Os “piratas” não são ativistas políticos, nem têm interesse em passar mensagem nenhuma. Seu objetivo é, simplesmente, conseguir dinheiro, numa região em que não há quase oportunidades para isso.

De onde vêm os piratas atuais?

A pirataria somali tem suas raízes em um movimento de pescadores que decidiu se unir nos anos 90 para impedir a pesca ilegal e o derrame de resíduos tóxicos no litoral. A rigor, sua origem expressou, ainda que de modo distorcido, a tentativa de organização contra a super-exploração de que é vítima a população litorânea da Somália, como de resto também toda a população africana também é.

A pirataria se tornou uma indústria altamente lucrativa – e a única em crescimento na Somália – a partir dos resgastes cada vez mais altos obtidos. Atacar navios na costa da Somália se mostrou um negócio altamente lucrativo, pois a área de ação é enorme (difícil de ser vigiada e fácil para fugir) e o valor das cargas transportadas é bilionário.

Ao contrário dos piratas dos tempos das navegações, que atuavam à margem das grandes empresas (exceto os corsários, piratas oficiais do Reino Unido), os piratas somalis contam com a simpatia e até proteção das autoridades locais na Somália, além do respaldo da população.

Não é por nada. Na província de Puntland, cidades inteiras se converteram em ilhas de luxo em meio ao caos do restante do país. Não surpreende que as cidades costeiras da Somália dêem apoio de massa aos piratas. Localidades miseráveis estão agora cheias de restaurantes, carrões e cybercafés.

Diante disso, os piratas se converteram em uma burguesia marginal bem sucedida, que investe parte dos lucros em equipamentos para facilitar o trabalho de pirataria, como aparelhos de GPS, armas e tecnologia em geral. O resgate muitas vezes cai do céu, jogado a partir de helicópteros, ou chega ao navio em bolsas impermeáveis, transportadas em pequenas embarcações. Os piratas dispõem de máquinas para contar dinheiro, as mesmas usadas em casas de câmbio.

Até agora, os piratas teriam embolsado de US$ 30 milhões (segundo estimativas conservadoras) até mais de US$ 150 milhões, conforme o chanceler do Quênia, Moses Wetangula.

Estimativas indicam que hoje há mais de mil piratas circulando pelo Golfo de Áden – em 2005, esse número seria de pouco mais de cem. Neste ano, já passaram de 90 as embarcações seqüestradas na região.

Desenvolvimento desigual e combinado no Capitalismo

        A África é o local mais explícito onde se comprova o desenvolvimento desigual do capitalismo, em que, ao mesmo tempo, existem grandes avanços científicos e, combinado a isso, a permanência de atrasos seculares.

        O sistema econômico mundial é marcado pela interrupção do crescimento das forças produtivas. Isso quer dizer que, no capitalismo, a humanidade não tem mais como obter mais conquistas e avanços gerais. A anarquia e a superprodução do sistema, junto com a concentração da produção na mão de cada vez menos grupos burgueses multinacionais, presentes em todos os cantos e ramos econômicos, acirra ainda mais os conflitos no capitalismo.

Além dos trabalhadores serem mais explorados e aumentarem sua pobreza, mesmo com cada vez mais recursos disponíveis; a própria burguesia, na época monopolista, sofre grandes estragos, se impedindo que surjam novos burgueses nacionais, por exemplo, ou que um país pobre possa se desenvolver, de modo independente.

Por isso, na África, saqueada em seus recursos naturais, com uma população escravizada em muitos lugares, e na miséria absoluta, a única chance de ascensão para grupos econômicos capitalistas é como gerentes dos negócios burgueses imperialistas ou como “piratas”. Na verdade, os grandes piratas e ladrões na África são os americanos, europeus e xeiques sauditas. O que resta a alguns somalis é tentar tirar sua “lasquinha” desse roubo feito na África e Oriente Médio.

Esta realidade africana, no capitalismo, não pode mudar. É necessário que existam áreas de “não produção” no capitalismo, de forma a regular um pouco o excesso de mercadorias. A África, assim, não está excluída do capitalismo. O continente está perfeitamente incluído; só que seu papel internacional é justamente o de ser uma imensa área onde se extraiam diamantes, petróleo e gás, e que consuma o que o resto do mundo produz.

Os elementos de barbárie na África, suas guerras tribais, a epidemia da AIDS, as mutilações dos clitóris das meninas, e os piratas, são apenas as expressões mais grotescas de um continente que revela o lado mais decadente do capitalismo; e que nos ensina que, sem a vitória do socialismo, muitos outros retrocessos nos esperam!

 

 

 
 
Notícias Relacionadas

• Não passou de um Blefe: Rafael Correa ameaça dar calote no Brasil, Lula e a burguesia reclamam.... e o governo equatoriano recua

• Recessão abala os países europeus: Alemanha, Itália, Suécia, Dinamarca, Irlanda, Letônia, Estônia já amargam dura recessão econômica.

• Obama anuncia equipe de governo aprovada pelo mercado internacional

•Crise econômica: Quem não perde o emprego, é despejado ou baixa o salário!

• Desemprego em massa no coração do capitalismo

• A CRISE CHEGOU PRA VALER... DEZENAS DE MILHARES DE TRABALHADORES PERDEM O EMPREGO TODOS OS DIAS...

• Banqueiros se unem para explorar: Fusão do Itaú com Unibanco Crise aumenta concentração dos bancos