Publicado em 10/09/2009

Obama perde popularidade. Por ser de esquerda? Ou por não ser de esquerda?

 

Uma sondagem promovida pelo jornal "The Washington Post" e a ABC News mostrou que a aprovação dos norteamericanos diante do Presidente Barack Obama diminuiu. A taxa de aprovação, que começou em cerca de 90%, estava em 69% na última avaliação, e é agora de 57%, 12 pontos a menos. Simultaneamente, a taxa de reprovação de Obama ronda os 40%, o que é um recorde negativo em relação a ele.

Diante desse fato, constatado também por outras pesquisas, surgem diferentes interpretações. A mais difundida na imprensa, claramente a favor de Obama, é de que a população estaria descontente com seu plano para reformar o sistema de saúde, porque isso poderia aumentar a despesa do Governo. Por esta conclusão, parte significativa da população, cerca de 30% do eleitorado, o que representa dezenas de milhões de trabalhadores, estariam à direita de Obama, inconformados com o aumento de impostos propostos para aumentar a cobertura de saúde. Por esta fantasiosa versão, Obama estaria perdendo apoio por ser “muito de esquerda”.

Começamos a desconstruir esta versão despropositada quando vemos outras respostas. Por exemplo, cerca de metade dos norteamericanos mostraram-se confiantes de que Obama tomará as decisões certas para o país, diante da crise, o que é 10% a menos que há 3 meses, quase o mesmo decréscimo da popularidade geral de Obama.

Isso deixa claro que a população não tem mais a mesma confiança em que este governo possa e queira salvar os trabalhadores dos efeitos da crise. Outro número mostra que metade dos entrevistados acredita agora que a acual crise econômica terminará somente no próximo ano, enquanto apenas 28% respondia desta forma na última pesquisa.

A última sondagem foi feita entre 13 e 17 de Agosto, junto de mil norteamericanos. Seus dados podem ser distorcidos, dependendo de quem os interpreta, mas,analisados seriamente, não deixam dúvidas.

Boa parte da população americana está deixando de apoiar Obama porque ele está se mostrando incapaz de cumprir suas promessas. Desde que assumiu, Obama manteve secretários do governo Bush em seus cargos, preservou no cargo o presidente do Banco Central (FED), que liderou a origem da crise econômica atual, e não mudou absolutamente nada. A população viu Obama repetir tudo que Bush fazia, a começar por manter a guerra e por salvar os banqueiros,enquanto a população segue perdendo empregos.

Obama, portanto, não está perdendo apoio por ser de esquerda, afinal seu plano para a saúde nem é tão amplo, nem é de esquerda, e nem saiu do papel. Obama está perdendo apoio porque está demonstrando, aos poucos, que é mais do mesmo. Ele perde apoio por estar “à direita” das massas.

Isso não quer dizer que as massas se sintam de esquerda, ou que defendam a esquerda, mas que suas reivindicações atuais e as esperanças quando votaram em Obama,era de que um programa “de esquerda”, contra a guerra, e a favor dos pobres e oprimidos, fosse aplicado.

 

Apoio parecido ao de Bush. Papel de Frente Popular ameaçado

De acordo com outra pesquisa recente, publicada pelo jornal "USA Today", com 1006 adultos, a popularidade do presidente Barack Obama é semelhante à de seu antecessor, George W. Bush, nesta mesma época de seu mandato.

            Seis meses após a posse de Obama, 55% aprovam sua ação, conforme pesquisa do instituto Gallup, num dado apenas 1% diferente da pesquisa do “Post”. Na mesma época de seu mandato, em 2001, Bush reunia 56% de opiniões favoráveis. Como a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para baixo e para cima, isso significa que há empate técnico entre os dois.

            De acordo com o estudo, os americanos reprovam em primeiro lugar a política econômica conduzida por Obama para combater a crise. A reforma do sistema de saúde desejada pelo presidente seria a segunda causa de rejeição.

            Os números podem não ser tão precisos, mas indicam alguma coisa. Em início de mandato, todos os presidentes angariam apoio popular. Senão fosse assim, não teriam sido eleitos. Mas, com o passar do tempo, esse apoio vai perdendo base, diante da experiência com o governo. No caso de Obama, ainda é muito cedo para dizer até onde irá cair sua popularidade, que pode, inclusive, voltar a crescer, quantitativamente.

            Mas a realidade social e econômica indica que se quebrou o encanto de Obama. Mesmo que ele volte a ter maior apoio eleitoral, qualitativamente as massas devem aprofundar sua ruptura política com ele, num processo semelhante ao que houve com Lula, que tem muito voto, mas poucos trabalhadores dispostos a defender amplamente as medidas de seu governo.

            Obama ainda tem prestígio com as massas. Mas isto é mais forte com quem conhece menos ele. A prova é que a pesquisa mostra que a personalidade de Obama segue aprovada por 65% das pessoas, que reconhecem suas qualidades de dirigente.

            Fora dos EUA, porém, segundo estudo do Pew Research Centre, em que foram interrogadas cerca de 27 mil pessoas em 24 países e nos territórios palestinos, Obama ajudou a melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo. Este dado mostra que a imagem de Obama ainda é muito forte, o que é justamente seu trunfo, para poder, a exemplo das Frentes Populares, executar o plano de atacar os trabalhadores sem maiores resistências.

            Mas esta imagem não resiste à prova da vida real, e,apesar de seguir sendo considerado gente boa, grande orador, alguém que veio de baixo, etc., Obama vai se tornando uma grande decepção!

 

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